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	<title>Correndo atrás do vento &#187; Paternidade</title>
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		<title>Um copo de leite, três biscoitos e um legado para a humanidade</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 03:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Um copo de leite gelado e três biscoitos de coco, todas as noites, antes de dormir. O hábito já me domina há bons meses, mas só me dei conta mesmo alguns dias atrás. Eu observava a &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/11/17/um-copo-de-leite-tres-biscoitos-e-um-legado-para-a-humanidade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1595&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/11/photo1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1596" title="leite_biscoitos" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/11/photo1.jpg?w=584&#038;h=584" alt="" width="584" height="584" /></a></p>
<p>Um copo de leite gelado e três biscoitos de coco, todas as noites, antes de dormir.</p>
<p>O hábito já me domina há bons meses, mas só me dei conta mesmo alguns dias atrás. Eu observava a cena montada sobre a mesa da cozinha, desviando o olhar que deveria estar sobre o livro aberto ao lado e quando ameacei dar o primeiro gole no leite, me peguei falando sozinho: “É, amigão, a idade chega pra todo mundo.”</p>
<p>A idade. Uma entidade clássica, a fase crucial da vida. Sabe-se lá quando ela vem, nessas horas não importa muito se você está fazendo 64 ou 19 anos, quando seus hábitos ficam velhos, é sinal de que “a idade” chegou. No meu caso, a terceira década foi determinante. Eu nem bem fiz 30 anos num dia de 2010 e, no outro, expressões tais como “no meu tempo”, “não tenho idade pra isso” e “ai, meu ciático!” surgiram como mágica em meu vocabulário cotidiano.</p>
<p>Acabou a minha juventude, lá se foram os vinte e poucos, definitivamente. Agora eu tenho casa própria, sou pai de família, dirijo um sedan prateado, encontrei uns fios de cabelo branco na barba &#8211; bem no queixo! &#8211; e ouço minhas bandas favoritas tocarem no programa “Clássicos do Rrrrrock” na rádio. Eu penso no futuro, me preocupo com as consequências dos próximos passos, estou deixando a mocidade lá atrás e uma certa melancolia me ocorre vez ou outra.</p>
<p>Hoje é dia de vez ou outra.</p>
<p>* * *</p>
<p>Como serão, afinal, as coisas daqui 30 anos? Desde que deixei três décadas para trás, às vezes me pego lucubrando sobre as próximas.</p>
<p>Terei o dobro da idade de hoje. A Manú e eu estaremos embarcando nos 60, aposentados, gozando das ricas benesses da previdência social na década de 2040. Nossa casa, um bolinho novo sobre a mesa, uns biscoitos, o café fresco na xícara e aquele leite lá do primeiro parágrafo em seu devido copo. A sala toda cheia de fotos, os rostos cheios de rugas, o quintal cheio de netos e as lembranças cheias de pó. E eu ali, gordinho e grisalho, na minha cadeira, fazendo um balanço das escolhas e caminhos que trilhamos.</p>
<p>Legados.</p>
<p>Na etapa final da vida, me conheço bem, estarei encucado com o fato de a altura da grama no quintal estar muito grande para tal época do ano &#8211; qualquer época do ano &#8211; e pensando que tipo de marca eu terei deixado nas vidas dos meus filhos, na humanidade e em todas essas indagações tão fundamentalmente pequenas e típicas dos seres humanos.</p>
<p>No fundo, essa é a questão. Os anos vão passando e o sujeito começa a refletir sobre essas coisas. Vale para o leitor de auto-ajuda e para o de filosofia clássica também. A gente pensa, quer saber: que tipo de lembrança deixaremos no mundo? Queremos que nossas vidas, de algum jeito, tenham um significado, queremos saber se fizemos as coisas certas.</p>
<p>É nessas crises, com o cérebro embalado por mais uma dose fresca do mais puro leite semi-desnatado que eu considero que, já que não consigo enxergar como é que serão as coisas daqui 20 ou 30 anos, deveria ao menos começar alguma coisa que cresça e dure até lá. Sei lá, talvez plantar uma árvore, escrever um livro de memórias, abrir uma caderneta de poupança. Talvez semear alguns valores na vida da minha filha.</p>
<p>* * *</p>
<p>“Na verdade, quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia, em que ele passa como uma sombra? Quem poderá contar-lhe o que acontecerá debaixo do sol depois que ele partir?” (Eclesiastes 6:12)</p>
<p>* * *</p>
<p>Quem é que sabe? Pode ser até que isso, os legados e tudo, sejam uma grandessíssima bobagem. Nessa semana, enquanto pensava justamente nessa história, esbarrei no verso do rei Salomão que me fez repensar o rumo desse texto algumas vezes. Afinal, vale alguma coisa a gente gastar, neurônios ou tostões que sejam, tentando edificar algo para a posteridade? Faz algum sentido eu querer projetar alguma imagem que gostaria que o mundo &#8211; as 11 ou 12 pessoas que me cercam &#8211; tivesse de mim quando envelhecer?</p>
<p>Eu penso na minha carreira, penso nas fotografias da família, penso nas convicções que defendo e em cada lição de moral que aplico na Nina. Mas eu sei bem que o que vai marcar a vida da minha filha não são exatamente as coisas que conquistei ou as mensagens registradas, mas o tipo de ser humano que fui. Coisas, isso de fato nós deixamos como herança, mas o caráter é o nosso legado.</p>
<p>Existe uma alegria pura e inconteste que reside no fato de encarar a vida de forma mais simples, desfrutando plenamente do que recebemos de graça e deixando de lado as preocupações vazias com o dia de amanhã &#8211; a ansiedade, por definição. Jesus falou sobre isso certa vez. Mas o problema que enfrento em desfrutar de forma livre o dia de hoje é que o amanhã demora muito pra chegar &#8211; minha ansiedade, por definição.</p>
<p>Por si só, a vida é uma dádiva. E filhos são um bom legado. O presente, a felicidade irreprimível de ver uma vida crescer sob seu teto, do começo à eternidade. Os primeiros passos, as palavras, o ensino todo sobre alguns impasses da humanidade, sobre a fé em Deus e sobre a importância de guardar seus brinquedos na caixa após o uso.</p>
<p>Ter filhos é experimentar e entender, em alguma proporção, o amor de Deus pelo homem. Eu sei que isso é um clichê bem redundante, mas fatos são mesmo coisas que se repetem incansavelmente até que notemos.</p>
<p>Ter Deus é perceber, a certa altura, que ele não se preocupa com legados ou marcas. Ele simplesmente é, ele está, eternamente, aqui e em todo lugar.</p>
<p>Nós crescemos, adquirimos novos hábitos, somos moldados pelo ambiente e tudo o que nos cerca ao longo do tempo. Mesmo à revelia, jamais abandonamos a condição de filhos, de criação do Pai eterno. Carregamos seus sonhos incrustados em nossos propósitos de vida, refletimos sua imagem, herdamos seus traços. Temos em nós o sentimento de pertencimento ao Criador, ainda que questionemos sua existência ou critiquemos seus atos por tantas e tantas vezes. Ele não liga, ele ama, se oferece e é nele que encontramos o refúgio para onde podemos voltar. O Pai sempre estará lá. Aqui.</p>
<p>Vai chegar o dia em que nossos filhos terão filhos. Vai chegar o dia em que a Nina vai morar longe e virá nos visitar num final de semana com sua família. Ela vai entrar em casa, largar a bolsa sobre o sofá, abrir a geladeira e perguntar da nossa vida, dos parentes que não vê, do que ando lendo. Ela vai descalçar as sandálias, ajudar a mãe na cozinha, vai querer comer um pouco do que quer que seja que estiver em meu prato, vai me cobrar, reclamar que não cuido da saúde direito, que fico tomando café o tempo todo e que isso acaba com o estômago. Ela vai agradecer pela ajuda com as crianças ontem à tarde, vai criticar minha roupa, minha barriga, minha mentalidade retrógrada sobre a política e o mundo e vai ficar brava por ter que repetir cada frase duas ou três vezes porque eu já não escuto direito. E ela vai sair para o quintal, batendo o pé porta afora, cheia das suas razões, mas deixando no rastro cada pequeno gesto que contemplo hoje. Eu, minha xícara na mão, observando aquela mulher, minha filha, a pequena Nina, e a vontade absurda de poder pegá-la no colo, rodar contra o vento e jogar pro alto outra vez. A esperança de que tudo aquilo seja só um truque da imaginação, que ela ainda seja criança e que volte logo, escalando minhas pernas e me cochiche no ouvido o pedido para que eu conte mais uma história.</p>
<p>Meu legado.</p>
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		<title>Falta muito?</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 02:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos (5/10/11) - Pai? - Oi, Nina? - Vai demorar pra chegar? Essa é clássica. Estamos na estrada viajando para o interior, no avião atravessando o oceano ou no carro indo até a padaria do bairro, não &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/10/11/falta-muito/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1579&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos (5/10/11)</p>
<p>- Pai?<br />
- Oi, Nina?<br />
- Vai demorar pra chegar?</p>
<p>Essa é clássica. Estamos na estrada viajando para o interior, no avião atravessando o oceano ou no carro indo até a padaria do bairro, não importa, para a Nina sempre estamos “demorando muiiito”. É a fase, eu sei. Aos quatro anos, minha filha ainda não consegue distinguir com precisão as medidas de tempo e distância. Qualquer coisa pode ser rápida ou devagar, pequena ou grande, dependendo do grau de ansiedade dela no momento.</p>
<p>Às vezes, estou concentrado numa tarefa ou conversando com alguém e ela surge:</p>
<p>- Pai? Papai! Paaaiii!?<br />
- Calma, filha. Espera só um minuto, tá?<br />
- Mas, pai, por favor! &#8211; ela puxa a ponta do meu queixo tentando virar meu rosto na sua direção.<br />
- Filha! &#8211; olho sério, repreendo, viro de volta.<br />
- É que&#8230;<br />
- Nina, o que a gente conversou sobre você saber esperar a sua vez?<br />
- Tá bom &#8211; e aí ela fica ali, paradinha, esperando a vez para falar, dá até dó.<br />
- Pronto, filha, agora sim. O que é?<br />
- É&#8230; é&#8230; pai, é que, sabe&#8230; &#8211; e começa o assunto.</p>
<p>O curioso de tudo é que eu já sei, em detalhes, tudo o que ela vai me dizer, mas eu paro e escuto. Eu gosto de ouvi-la, tenho uma certa satisfação em observar minha menina expondo seus argumentos e falando de si. É nessas horas que a gente vai descobrindo que eles crescem de verdade. Mais tarde, na hora de dormir, aproveito o momento para contar uma historinha que transmita alguma moral que, subjetivamente, trate sobre a importância da paciência. Não sei se ela entende, ela dorme, eu viro as costas, vou para meu quarto, deito a cabeça no travesseiro e faço as minhas preces antes de cair no sono.</p>
<p>- Pai!?</p>
<p>E começo o mesmo relato diário, repetitivo e insistente as últimas décadas. Pedidos, necessidades urgentes, casos de vida ou morte, mesmo. Eu insisto. Se pudesse alcançar o queixo dele – ou o último fiozinho da barba longa e branca – tentaria puxar na minha direção. E o curioso de tudo é que, apesar de conhecer cada mísera letra de tudo o que vou despejar nos próximos minutos, ele pára e escuta. Talvez ele se satisfaça me ouvindo ali parado, bradando imaturidades, como eu com a Nina. Talvez.</p>
<p>“Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor.” (Salmo 139:4)</p>
<p>E não importa quantos sermões e histórias eu escute que evoquem o valor da paciência e sua importância para a alma, o estômago e a queda de fios de cabelo, minha tendência é pensar que não é bem de espera que eu preciso. Eu avalio que é bem provável que eu não tenha sido muito específico e ele não tenha entendido do que eu preciso e-x-a-t-a-m-e-n-t-e. É melhor pensar num jeito adequado para falar na próxima vez, talvez uma outra ordem para as palavras, um jeito mais didático.</p>
<p>Mas, porquê, afinal de contas, tudo demora tanto?</p>
<p>Somos imediatistas. A Nina e eu. Talvez você também. Acho que vivemos num período da história em que isso se torna ainda mais evidente e critico. É o que falam. Essa nossa cultura do agora, em que tudo está online, fácil e abundante faz a gente ignorar o valor da espera ou a necessidade de tempo que certas coisas demandam. O excesso de informação, a overdose de estímulos, acabamos desaprendendo – ou, pode ser que nunca tenhamos assimilado isso de verdade – o valor de disciplinas como quietude e contemplação. Não sabemos esperar, não nos prestamos a reconhecer que certas coisas levam mesmo anos ou meses para acontecer.</p>
<p>Não nos prestamos a reconhecer que certas coisas levam mesmo cinco minutos para acontecer.</p>
<p>Há algum tempo, eu estava chegando no escritório pela manhã e, sei lá o motivo, me espantei com um fato cotidiano. Tudo ia acontecendo mais ou menos como na coisa toda da rotina diária. Entro na garagem, estaciono o carro, tranco o carro, esqueço que tranquei o carro, volto para checar, desço até o hall, pego um café na lanchonete, chego na catraca, caramba-cadê-meu-crachá?, procuro num bolso, procuro em outro bolso, procuro na mochila, procuro no casaco, pronto, passo pela catraca, cumprimento o segurança e caminho até a fila do elevador, que demora um bocado pra chegar. O sujeito à minha frente já fez o favor de apertar o botão para subir. Então, passam-se trinta segundos e nada do elevador. Um minuto e nada. Um minuto e meio e ainda nada do elevador. Nem chegamos a dois minutos de espera e o indivíduo apertou outra vez o botão. Não satisfeito com o fato de a máquina não obedecê-lo imediatamente, começou a apertar, insistentemente, o botãozinho, seguidas vezes, na esperança de que ela fosse sensível à sua necessidade e resolvesse acelerar o passo e vir mais rápido porque, afinal, havia um homem com pressa esperando lá no térreo. Absurdo.</p>
<p>Depois de mais alguns minutos esperando, finalmente entramos todos em nosso meio de transporte. Eu olhava de canto e meio assustado para o sujeito, que apertou o sexto andar. Apertei o oitavo, me acomodei próximo à porta, esperei todos entrarem e, tal como faço diariamente, apertei o botão para a porta fechar logo, duas vezes. Aff&#8230; quem é que agüenta aqueles segundos intermináveis até que ela resolva fechar sozinha?</p>
<p>Somos egoístas. A Nina, eu e o sujeito do sexto andar. Talvez você também. Julgamos o mundo a partir das nossas perspectivas. Queremos determinar o tempo, queremos do nosso jeito. Queremos. E acreditamos que alguém tem a obrigação de atender esses desejos. E achamos que Deus é um funcionário com boas qualificações para o cargo.</p>
<p>Não pensamos em Deus, só pensamos em nós mesmos, nossos umbigos e o mundo todo girando em torno dele. Queremos que tudo aconteça de acordo com a nossa vontade e julgamos que esse ponto de vista é suficientemente aceitável para todos. Se as coisas acontecessem, afinal, exatamente como planejamos, o mundo seria um lugar melhor. E aí entra a contradição existencial do negócio: como as coisas podem acontecer exatamente como cada um de nós planejou sem que isso afete, diretamente, os planos uns dos outros? Não é necessário então que algo, alguém ou o acaso determinem os fatos?</p>
<p>O ponto é: o homem não está no centro do universo, Deus é quem está no centro do universo &#8211; bem, isso se você, como eu, descartou a opção “acaso” no parágrafo anterior. O homem está no centro do coração de Deus. E é nele que nos descobrimos.</p>
<p>Só em Deus entendemos quem somos e a razão de sermos. O Pai revela nossa identidade e em seus braços a vida toda adquire uma nova perspectiva, não mais centrada em mim, mas no outro. Não mais imediatista, mas contemplativa. Não mais materialista, mas cheia de significado. Não mais, mas menos. Porque Deus é simples.</p>
<p>Mas, quanto tempo as coisas levam para acontecer? Quanto ainda mais até que minhas dúvidas sejam sanadas, que meus desejos sejam atendidos, até que certas coisas façam sentido e eu finalmente compreenda?</p>
<p>Somos dependentes. A Nina, eu, o sujeito do sexto andar e a humanidade toda. Talvez você também.</p>
<p>Me ajuda com o banho? Me ajuda com o cadarço? Me faz um copo de leite? Escova meus dentes? Pode pegar a massinha no armário pra gente brincar? Empresta seu celular pra eu jogar? Pode me contar uma história? Pode sarar o machucado na minha perna? Pode ir mais rápido? Pode dormir aqui comigo hoje a noite? Pode ser agora?</p>
<p>Para a Nina, eu sou um repositório de conhecimento, força bruta e um pai com capacidade multitarefa. Ela me julga capaz de resolver seus problemas. Ela julga e espera que eu faça tudo isso. Bem, ela julga e espera que eu faça tudo isso, agora!, ao mesmo tempo. E eu acho que ela vai aprender o valor de certas coisas se conseguir esperar um pouco. Ela precisa conhecer alguns chavões &#8211; que para ela ainda não são chavões &#8211; como o de que a caminhada vale mais do que o destino final e que a verdadeira felicidade não está no fim, mas no durante. São essas coisas, quase pílulas de auto-ajuda e tal, mas que no fundo, são mesmo o que importa numa boa história.</p>
<p>O tempo, no fim das contas, é muito preciso, o segundo após o outro, o ponteiro nunca falha, nunca muda sua forma. Mas a medida de tempo em cada circunstância é relativa.</p>
<p>Ela acha que eu demoro muito.</p>
<p>Eu não a culpo.</p>
<p>Somos crianças. Sim, todos nós.</p>
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		<title>Quando coisas ruins acontecem a crianças boas</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 09:13:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos “A dor é inevitável, sofrer é opcional.” (Haruki Murakami) Já faz alguns meses que estou tentando escrever esse texto e nunca consigo terminar. Fico me enganando, dizendo a mim mesmo que é um lance meio autoral, &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/07/30/quando-coisas-ruins-acontecem-a-criancas-boas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1518&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>“A dor é inevitável, sofrer é opcional.” (Haruki Murakami)</p>
<p>Já faz alguns meses que estou tentando escrever esse texto e nunca consigo terminar. Fico me enganando, dizendo a mim mesmo que é um lance meio autoral, de preciosismo literário (ahãm, como se eu sofresse mesmo disso), mas o fato é que tenho certo medo de escrever sobre esse tema. Virginia Woolf disse certa vez que todo texto carrega em si um pedaço de quem o escreve. No meu caso, um fato concomitante a esse é que muitas vezes algum assunto só fica claro para mim depois que eu o coloco no papel. No fundo, a escrita acaba sendo um exercício de reflexão. E confesso que em alguns momentos não quero refletir sobre certos temas.</p>
<p>Tenho medo de sofrer. E também tenho medo de pensar sobre o sofrimento. Não é por superstição, nada, mas é porque na maior parte do tempo eu sou aquele tipo de pessoa naturalmente otimista, que vê as coisas pelo seu lado bom e, em geral, isso é bem positivo, uma certa vantagem no traço de personalidade. No entanto, isso carrega um fato inegável: nunca estou preparado para as coisas darem errado.</p>
<p>E se tem uma verdade indelével que rege o universo da paternidade das aves estrigiformes, das famílias dos titonídeos e estrigídeos (vulgo, corujas) é que só existe uma coisa pior do que pensar que algo ruim possa acontecer com a gente e essa coisa é pensar que algo ruim possa acontecer com nossos filhos.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Nenhum pai quer ver seu filho sofrer. Bom, deixe-me corrigir: nenhum pai suporta ver seu filho sofrer. E nunca estamos prontos para isso.</p>
<p>Eu voltei a esse assunto, outra vez, há alguns dias, quando enfrentei duas madrugadas correndo com a Nina entre clínicas e hospitais, tentando encontrar alívio para a dor que ela sentia. Sentado na sala de espera de um pronto-socorro, eu pensava que, se pudesse, tirava aquilo dela ali na hora, com as próprias mãos. Se fosse possível, sofreria toda a dor no lugar dela, só para que pudesse dormir em paz outra vez. Observar aquela criaturinha chorando sem poder fazer algo que solucionasse seu problema imediatamente me doía em dobro. Queria eu ter poder para curá-la. Queria eu ser Deus para tocar em sua testa e mandar embora o que quer a fizesse sofrer.</p>
<p>Mas eu não sou Deus, sou só mais um filho assustado, pedindo socorro também, e ainda queria que Deus me atendesse no pedido quase desesperado para que ele parasse um pouco de resolver os problemas tão complexos de toda a humanidade e viesse cuidar da minha criança por alguns minutos.</p>
<p>Outro dia, a Nina chegou da escola com uma marca vermelha nas costas da mão esquerda. Era uma mordida, obra de um coleguinha com instintos canibais que frequentou a classe dela por um tempo. Na agenda, um recado da professora dava satisfações sobre o ocorrido e explicava que, no fim, tudo ficou bem entre os dois, com o pedido de desculpas e o perdão devidamente concedido.</p>
<p>Eu podia jurar que um filhote de crocodilo invadiu a pré-escola e atacou minha princesa.</p>
<p>- Você chorou, filha? – perguntou a mãe, já chorando.<br />
- Ahãm.<br />
- E doeu muito?<br />
- Muito, muito.</p>
<p>Em mim, crescia a certeza de que era preciso tomar alguma providência para que aquele elemento, o pequeno meliante, jamais ousasse mostrar suas presas-de-leite para minha Nina outra vez. Eu tinha sede de justiça. Mas no fundo, eu também sabia que as coisas não podiam caminhar por aí. Eu precisava ter calma, ser adulto, racional. Falei com a Manú:</p>
<p>- Tadinha, né?<br />
- É, aperta o coração da gente.<br />
- Mas e aí, o que a gente faz?<br />
- Acho melhor matricularmos ela no jiu-jitsu.</p>
<p>Coisas ruins acontecem a crianças boas.</p>
<p>E por mais que eu realmente me esforce para ignorar a realidade e prefira concentrar meus neurônios mentalizando coisas positivas e tentando acreditar que a fé cobrirá minha família contra todo e qualquer mal&#8230; bem, por mais que eu afirme que gostaria que as coisas fossem mesmo assim, eu sei que nem sempre poderei ajudar. Reluto em aceitar, mas o fato é que minhas asas não possuem a extensão que eu gostaria que tivessem e eu devo reconhecer, penosamente, que minha filha vai sofrer.</p>
<p>Nem sempre poderei livrá-la da dor ou impedir que o sofrimento venha. Um tombo no parquinho, uma medida disciplinar mais rígida, um resfriado pesado, um fora do primeiro namoradinho (daqui uns 30 ou 35 anos, quem sabe), uma topada na porta com o dedinho do pé.</p>
<p>- Aaaaaaaaaaaaahhhh!!! – era madrugada e a Nina gritou desesperada enquanto dormia. Estava tendo um pesadelo. Assustei, pulei da cama, corri até onde ela estava.<br />
- Nina!? Calma, querida, calma. Está tudo bem, o papai está aqui.<br />
- Ahn!? – ela acordou confusa.<br />
- Tá tudo bem&#8230; pronto, calma. Viu? Não foi nada&#8230; O que aconteceu, filha?<br />
- Uma cobra&#8230; tinha uma cobra querendo me pegar.<br />
- Não tinha nada, filha. Você estava sonhando. Olha só, está tudo bem.<br />
- Tinha sim&#8230; ela estava aqui. Mas o papai apareceu e mandou ela embora.</p>
<p>Ela acha que eu tenho poderes para solucionar todas as coisas. Pensa que sou capaz de pega-la no colo e carrega-la por quilômetros sobre meus ombros e que posso abrir as tampas de todo e qualquer tipo de pote. Ela acredita que tenho como fazer a viagem de carro de quase quatro horas durar menos, que posso protegê-la de monstros que assombram seus sonhos.</p>
<p>Não bastasse, soma-se nessa conta o fato de que uma das grandes satisfações em ser pai está em notar, nos pequenos gestos, que minha filha me admira, acha bonito e tem em mim uma referência boa. E soma-se ainda nessa mesma conta o doloroso fato de que uma das grandes paranoias de ser pai seja notar, em algum momento, que minha filha passará por alguma situação difícil em que eu não estarei lá para ajudar.</p>
<p>Ou, estarei mas não poderei impedir o sofrimento. E ela não vai sofrer porque eu deixei de agir e sim porque havia uma pedra para que ela tropeçasse no caminho que escolheu seguir. Circunstâncias, uma palavra necessária aqui. E aí, a questão já nem é o fato de eu poder ou não livra-la da dor, mas de que se eu intervir, aquilo já não será resultado das decisões que ela tomou.</p>
<p>O amor pressupõe liberdade. E quem ama, ama a liberdade do outro.</p>
<p>E na intensidade desse sentimento apaixonado, muitas vezes o pai abre mão do seu poder para dar ao filho a opção de escolha, por saber que o aprendizado é necessário e que nem tudo o que é bom, é necessariamente bom para todo mundo. Deus prefere não ser chamado de Deus do que ser esse deus sádico que alguns pensam que ele é, entende?</p>
<p>Ele é o Pai.</p>
<p>Um pai não deseja o sofrimento do filho, não o permite e tampouco provoca. O sofrimento de um filho, em tudo, rasga o coração do pai, dilacera sua alma. É errado culpa-lo pela dor. Mas o homem todo, em seu crescimento, aprende pela experiência. Sabemos o caminho certo a ser trilhado pelos conselhos que ouvimos e pela vida que trilhamos. Conhecemos a estrada à medida em que a percorremos. E os buracos estarão lá, nem todos provocando acidentes. E as belas paisagens estarão lá, nem todas provocando suspiros.</p>
<p>O sofrimento nos forja.</p>
<p>Ninguém jamais disse que não vamos sofrer, os textos sagrados não afirmam isso, avôs não contam histórias assim para seus netos. Mas as palavras que nos dão esperança, lembram a todo instante que em qualquer circunstância, em cada passo dessa aventura, o Pai está ao nosso lado.</p>
<p>Bem, eu não estou querendo explicar o sofrimento ou sistematizar a dor. Não pretendo. Isso não se explica, não tem teoria válida que sirva de alento. Alento é o ombro amigo, é o lenço cedido, é o choro solidário. O que eu gostaria, de alguma forma, como pai apaixonado, é que minha menina soubesse que se não existem superpoderes em minhas mãos, existe consolo. Que se não existe uma palavra mágica que cure a dor ou a incerteza, existe sempre uma companhia silenciosa, um copo de água com açúcar e um colo à disposição.</p>
<p>Eu sei não poderei explicar na maior parte das vezes – eu nem entendo na maior parte das vezes. E ainda que eu possa, é bem provável que não faça a menor diferença para ela naquela hora. Mas eu estarei lá.</p>
<p>O Pai sempre está por perto.</p>
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		<title>Filhos, distâncias e talvez um documentário do Discovery Channel</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 05:23:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Às vezes, a Nina passa alguns dias longe de nós. Acontece duas ou três vezes no ano, quando por ocasião das férias escolares, ela fica um tempo na casa da avó materna, que mora no interior. &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/07/19/filhos-distancias-e-talvez-um-documentario-do-discovery-channel/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1509&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Às vezes, a Nina passa alguns dias longe de nós. Acontece duas ou três vezes no ano, quando por ocasião das férias escolares, ela fica um tempo na casa da avó materna, que mora no interior.</p>
<p>Ao contrário do que pensam muitos amigos, a opção não é nossa. Ela é quem pede, a avó é quem insiste, os parentes fazem coro e eu acabo cedendo, contrariado na maior parte das vezes.</p>
<p>É que eu detesto ficar longe dela. Fico repetindo para mim mesmo aquela conversinha de que ela já vai passar tanto tempo – a maior parte da vida – longe de casa que eu gostaria de tê-la sob minhas asas tanto quanto fosse possível.</p>
<p>Acho até que já escrevi isso em alguma nota antes, mas o fato é que eu realmente lembro muito pouco da minha vida de casado sem minha a Nina com a gente. A Manú e eu esperamos quatro anos para ter filhos e quando penso nessa época, a ausência dela nas lembranças me parece mais um equívoco do que a história de fato.</p>
<p>Quando ela sai assim e depois volta, a sensação que dá é de como se a gente participasse de um desses documentários do Discovery Channel em que eles acompanham filhotes de cervos que se perdem na savana africana. O bichinho desgarrado, perdido, ao relento&#8230; e a mãe desamparada, incansável, segue desesperada na busca por sua cria. Depois de dias, perigos e muitas aventuras (!) eles se reencontram – em geral, quando chega nessa parte do programa, eu já estou dormindo no sofá há algumas dezenas de minutos, mas quando consigo assistir até o fim, não posso negar que a coisa toda é emocionante. A câmera mostra o filhote atrás de uma moita qualquer, aqueles olhinhos e tudo. Depois, fecha a imagem na mãe, que sente o cheiro familiar nas redondezas. Então ela procura, inquieta, os olhos semi-serrados sondam todo o ambiente e, finalmente, ela vê seu filhote à distância. Ela dispara, corre o quanto pode até que esbarra no pequeno animal, finalmente, que se entrega e eles rolam naquela vegetação e ela fica lambendo sua cria sem parar.</p>
<p>A sensação que dá é de como se a gente participasse de um desses livros das Escrituras&#8230; filhos perdidos, um pai preocupado, a busca incansável, Deus rasgando a eternidade em busca de suas crias para salvá-los, para mostrar que ele está por perto, que vai ficar tudo bem, existe uma sombra tranqüila, uma água fresca, um caminho seguro.</p>
<p>Filhos precisam voltar para os pais.</p>
<p>Hoje a Nina voltou de viagem. Sete dias na casa da avó, setenta vezes sete dias incontáveis de vazio aqui em casa. Então ela chega, as malas cheias, um pacote de biscoito de polvilho nas mãos, aquele sorrisinho puro que mal sabe o quanto nos domina. Eu a trago para perto, eu cuido, eu rolo com ela, eu lambo minha cria. Família. E a casa está cheia outra vez.</p>
<p>- Papai&#8230;</p>
<p>Já é tarde. Ela está na cama deitada e pede que eu conte uma história. Quer saber sobre a minha infância, ouvir alguma aventura, quer saber como era quando eu era filho.</p>
<p>Me faço de macho, me faço de sábio, faço de conta. Faço um esforço danado pensando em como explicar que pai, um dia a gente vira, mas filho&#8230; ah, filho a gente nunca deixa de ser. Precisando de colo, precisando aprender o caminho de volta, precisando ouvir que tudo ficará bem, precisando do amor paterno. Eu só dispenso as lambidas.</p>
<br />Filed under: <a href='http://missaovirtual.com/category/cronicas/'>Crônicas</a>, <a href='http://missaovirtual.com/category/paternidade/'>Paternidade</a> Tagged: <a href='http://missaovirtual.com/tag/amor/'>amor</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/deus/'>deus</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/jesus/'>jesus</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/lar/'>lar</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/paternidade/'>Paternidade</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/prodigo/'>prodigo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/1509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/1509/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1509&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas &#8211; Todos dizem eu te amo</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 05:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Um: Tenho o hábito de beber a água e deixar o copo vazio sobre a pia, bem ao lado do filtro. Depois, saio, faço minhas coisas, brinco um pouco, vejo a TV. Mais tarde, volto até &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/07/16/cenas-domesticas-todos-dizem-eu-te-amo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1496&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/07/img_0557.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1499" title="IMG_0557" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/07/img_0557.jpg?w=584&#038;h=438" alt="sunshine" width="584" height="438" /></a></p>
<p>Um: Tenho o hábito de beber a água e deixar o copo vazio sobre a pia, bem ao lado do filtro. Depois, saio, faço minhas coisas, brinco um pouco, vejo a TV. Mais tarde, volto até a cozinha e noto que o copo está lá, cheio outra vez, no mesmo lugar em que eu o havia deixado. Eu acho estranho, bebo e ao sair em direção a sala dou de cara com a Nina, que me observava e sorri simpática: “Pai, você já bebeu a água que eu deixei pra você?”</p>
<p>Dois: Costumo dormir tarde aqui em casa. Em geral, quando me deito, a Manú e a Nina já estão na cama há algum tempo. Vez por outra, quando entro no banheiro para escovar os dentes, encontro minha escova repousando sutilmente sobre a pia, já com a pasta colocada. E é assim desde que nos casamos.</p>
<p>Três: Às vezes, eu vejo o sol nascer. Acordo cedo, preparo a lancheira da Nina para a escola, me arrumo, ajeito algumas coisas e, nesse meio tempo, percebo os primeiros raios de sol atravessando as frestas da janela. Então eu paro para espiar. Abro a cortina devagar e contemplo o dia nascendo, o sol, um ou outro pássaro cantando, a cena da cidade acordando, a lembrança das manhãs amarelas da infância. E isso muda toda a dinâmica do dia, sempre. Fico pensando que Deus faz essas coisas de propósito, ele insiste em me mimar.</p>
<p>Não custa nada, mas ninguém também precisaria fazer. Eu não preciso disso, elas tão pouco, mas existem gestos, esses assim, que tornam as coisas melhores. Não é uma carta ou uma declaração explícita de amor, nada espantoso ou absurdamente caro. Mas é aquilo que se faz para o outro, simples, com afeto, só porque é para o outro.</p>
<p>Já é noite e preciso descansar. Escovo os dentes pensando nisso tudo. Depois, faço a ronda pela casa e sigo até a cozinha para o último copo d’água antes do sono. Acendo a luz e o copo está lá, cheio, no lugar de sempre, com toda expressão de amor que isso carrega.</p>
<p>(Escrito em 19/12/2010 e 15/07/2011)</p>
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		<title>Cenas domésticas &#8211; Nina e a teologia</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2011/06/24/cenas-domesticas-nina-e-a-teologia/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Jun 2011 14:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frases e citações]]></category>
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		<description><![CDATA[- Pai, eu olhei na foto que o médico tirou de mim (raio-x) mas não vi Jesus lá dentro. Filed under: Frases e citações, Paternidade<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1490&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Pai, eu olhei na foto que o médico tirou de mim (raio-x) mas não vi Jesus lá dentro.</p>
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		<title>Ela ainda cabe no meu colo</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 04:37:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos No próximo fim de semana ela fará quatro anos. Eu posso jurar que nunca imaginei esse momento da vida dela chegando. Crianças de quatro anos para mim costumavam parecer grandes demais perto do frágil bebê que &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/03/18/ela-ainda-cabe-no-meu-colo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1461&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/03/bailanina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1462" title="bailanina" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2011/03/bailanina.jpg?w=584" alt=""   /></a></p>
<p>No próximo fim de semana ela fará quatro anos. Eu posso jurar que nunca imaginei esse momento da vida dela chegando. Crianças de quatro anos para mim costumavam parecer grandes demais perto do frágil bebê que eu carregava nos braços por aí. Mas agora eu tenho uma menina em casa, a cada dia com mais jeitos, vestidos, vontades, brilhos e argumentos, mandando em mim desde o princípio das eras, tal qual a mãe – e antes que a coisa esquente por aqui, reconheço que obedeço satisfeito a ambas.</p>
<p>De um modo inexplicavelmente rápido e fora de controle, as coisas foram acontecendo. Ainda há pouco éramos um casal de namorados decidindo sobre o cinema de sexta, o curso na faculdade, a data do noivado, o bairro onde morar, o nome do bebê, a maternidade onde ela nasceria&#8230; vivíamos momentos tão diferentes em nossas vidas. Hoje, mal conseguimos lembrar o que era viver – ou que graça poderia ter uma casa – sem um filho por perto.</p>
<p>Toda a rotina quadrada se tornou plena em si. E o cotidiano de pai de família que poderia talvez parecer a alguém o resigno de um sujeito acomodado, se tornou para mim a maior conquista a que eu poderia ter acesso. Em geral, são nesses preciosos momentos, que esse mesmo alguém poderia chamar de comuns, que se pode observar a beleza inesquecível de certos detalhes. Aquele tipo de coisa rara que, enquanto acontece você já sabe que jamais esquecerá.</p>
<p>Estou vendo TV ou lendo algo no sofá quando percebo que ela vem lá do quarto pelo corredor cantarolando e pulando (se tem algo que os livros e o Google não explicam mas que é uma espécie de lei natural na formação das crianças é que, antes de aprender a andar civilizadamente, lá pelos 17 anos, elas praticamente só se locomovem pulando ou correndo). Então, ela surge na sala rodopiando e plana como uma bailarina por sobre o piso de madeira. E dançando, com caras, bocas, tropeços e poses, enche de graça toda uma semana. A mãe, aluna de balé durante a infância, se encanta e ensina o “pli-ê, es-tica” por algumas horas. Eu, aspirante a Carlinhos de Jesus, balanço a cabeça fora de ritmo e babo em minha pequena cria.</p>
<p>Eu a chamo de “bailanina”.</p>
<p>Se ela pudesse, passaria os dias vestida com aquele colan cor-de-rosa, o par de sapatilhas, o tutú rodado e o cabelinho penteado em coque.</p>
<p>E se tem uma coisa que mexe comigo, é que eu amo essa espontaneidade dela, o mundo maravilhoso, infantil e imaginário que constrói e me convida para participar quando estou por perto. Posso observar seu olhar curioso, a descoberta de algo novo e, nessas horas, eu gostaria que ela soubesse o quanto isso é precioso, o quanto sua dança tão pura é capaz de mover, que um mundo inteiro gira ao ritmo dessa beleza frágil, pequena e atrapalhada.</p>
<p>Seus passos. Aos saltos, ela atravessa a sala e os anos.</p>
<p>Já faz um tempo, estávamos viajando em família quando entramos no elevador de uma loja. A Nina dormia no meu colo, a Manú a cobria com um casaco e uma senhora nos observava, sorrindo com um jeito meio melancólico, até que disse: “E na próxima semana ela fará 20 anos”.</p>
<p>Eu sei, no duro, que um dia a fantasia vai acabar. Logo, ela terá mais papéis a cumprir, assumirá compromissos, responsabilidades&#8230; e essa essência, o que a formou de fato, será uma lembrança na rotina apressada. Logo, ela vai se dar conta que entre milhares de defeitos, seu pai também não dança como o Baryshnikov, não tem respostas para todas as questões da humanidade e é mais baixo e fraco do que ela pensou quando pequena. E então, eu já não serei mais “o cara”, o príncipe, o homem com quem ela quer se casar e que sempre a socorre quando ninguém mais consegue.</p>
<p>Talvez Deus também tenha esse tipo de sentimento em relação a nós. No dia em que vai embora toda aquela espontaneidade de criança, seu coração deve apertar. Vamos costurando nossas complexas teias de problemas, relacionamentos, trabalho, família, círculos sociais e, de repente, o tempo se torna nosso recurso mais escasso. Mergulhamos na rotina e depois nos debatemos para tentar entender onde foi que erramos. Então saímos a procura de algo que nos preencha, buscamos um tipo de felicidade e simplicidade que parece inatingível mas que, de alguma forma, também pareceu tão real e próxima um dia.</p>
<p>Acho que Deus observa tudo isso e procura formas de nos convidar para voltar. “Dance”, ele deve dizer. Nós mudamos nossa visão de mundo, mas Deus não muda sua visão sobre nós. E nós insistimos em pensar que o ser humano se lança eternamente numa busca pessoal por Deus, mas o que as escrituras nos contam é sobre a história de Deus, o Pai incansável, em busca do homem.</p>
<p>Ela será sempre uma menininha para mim.</p>
<p>E eu gostaria que ela soubesse, um dia, que independentemente das escolhas que faça e da mulher que se torne, que ela sempre poderá encher um pai de alegria com sua presença. Que não importa sua estatura ou idade, haverá um colo e dois braços onde se abrigar. Talvez eu não tenha conselhos sábios ou as respostas para todas as questões da humanidade, mas eu vou tentar acompanhá-la numa dança.</p>
<p>Já faz alguns dias, estávamos chegando numa festa de aniversário e ela ainda dormia em meu colo. Ficou um tempo naquele estado confuso, ainda acordando e eu, meio sem jeito, segui cumprimentando as pessoas. Um sujeito veio até mim, estendeu a mão educadamente e em seguida resolveu fazer um gracejo:</p>
<p>- Ei, mocinha, você não acha que já está grande demais para ficar no colo?</p>
<p>Sonolenta, ela só meneou a cabeça. Eu nada disse, apenas sorri, olhei para o homem e desejei no íntimo: “Espero que não&#8230; tomara que nunca esteja.”</p>
<p>Eu espero. Sento-me no sofá, no mesmo canto de sempre, de onde assisto TV, leio sob a luz e olho a cidade pela janela. No silêncio, eu alimento minha expectativa, eu aguardo o barulho dos passos, tento ouvir sua voz de menina ao fundo e ver surgir pelo corredor os saltos da minha bailarina.</p>
<p>Que tenha música, que seja com festa, que Deus a preencha e o amor a inspire em cada pequeno passo. Que a vida a contemple.</p>
<p>&#8211;<br />
(Esse texto faz parte da série <a href="http://missaovirtual.com/series/amor-de-pai/">Paternidade</a>)</p>
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		<title>Cenas domésticas &#8211; Em nome do pai</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 15:49:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Brincando no quarto: - Então, mocinha, como é seu nome mesmo? - Nina. - Hmm. Mas e o meu nome, você sabe? - Sei, é Loizenrique! - Hahah, isso aí. Mas são dois nomes, filha: Luiz e Henrique. Tem gente &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2011/02/08/cenas-domesticas-em-nome-do-pai/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1453&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Brincando no quarto:</p>
<p>- Então, mocinha, como é seu nome mesmo?<br />
- Nina.<br />
- Hmm. Mas e o meu nome, você sabe?<br />
- Sei, é Loizenrique!<br />
- Hahah, isso aí. Mas são dois nomes, filha: Luiz e Henrique. Tem gente que me chama de Luiz, tem gente que chama Henrique, outros chamam de Rique&#8230;<br />
- E tem gente que te chama de papai!</p>
<br />Filed under: <a href='http://missaovirtual.com/category/cronicas/'>Crônicas</a>, <a href='http://missaovirtual.com/category/paternidade/'>Paternidade</a> Tagged: <a href='http://missaovirtual.com/tag/amor/'>amor</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/cenas-domesticas/'>cenas domésticas</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/familia/'>família</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/frases-de-criancas/'>frases de crianças</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/paternidade/'>Paternidade</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/versos-infantis/'>versos infantis</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/1453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/1453/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1453&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Caminhada</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 01:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Nas últimas semanas tenho vivido uma experiência que não experimentava há muito tempo: caminhar. Não falo de caminhadas como atividades físicas – que, a propósito, também não faço com a assiduidade que deveria – mas como &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2010/11/29/caminhada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1417&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Nas últimas semanas tenho vivido uma experiência que não experimentava há muito tempo: caminhar. Não falo de caminhadas como atividades físicas – que, a propósito, também não faço com a assiduidade que deveria – mas como meio de locomoção básico e fundamental entre minha casa e o escritório.</p>
<p>Devo dizer que não tem sido um ato voluntário. Meu carro está na oficina e meio que aproveitando a situação atípica, resolvi que faria todo trajeto que fosse possível andando.</p>
<p>No fim, noto que tem sido bom. Tirando um ou outro desconforto com o qual eu já não estava habituado – tipo dores nas panturrilhas, pessoas me apertando no trem e a multiplicidade de odores se misturando no ambiente – tenho gostado desses momentos. Em 20 dias a pé, já notei algum avanço físico. Venho me pesando com freqüência e, pelas contas, perdi cerca de 300 gramas. É praticamente a porção de queijo prato fatiado que compro na padaria.</p>
<p>Eu poderia arriscar aqui uma seqüência de metáforas entre a caminhada e a vida (é incrível como é frutífero pensar nesses clichês, posso imaginar uma série deles), mas isso seria muito lugar-comum e acho que vou te poupar disso. Acho.</p>
<p>O que tem sido interessante, principalmente, é a oportunidade de ficar em silêncio e poder me concentrar em uma única atividade durante um tempo. É fato que o período da caminhada não pode ser abreviado, existe uma distância a ser percorrida, eu tenho um limite de velocidade na minha passada e então não há muito que se possa fazer senão ligar a música, colocar um pé na frente do outro e seguir em frente.</p>
<p>Bom, parece meio idiota, mas para alguém que passa a maior parte do dia entretido com uma dezena de atividades simultâneas, isso é um bom exercício de foco. No mais, o que me resta é gastar esses minutos pensando e observando o cenário ao redor.</p>
<p>E acho que posso dividir as coisas dessa forma:</p>
<p>Um: Pensar</p>
<p>O que poderia ser um exercício de auto-conhecimento está sendo, na verdade, a parte menos produtiva da história toda. Eu costumava acreditar que teria oportunidade para meditar e refletir sobre a vida. Pensei que faria minhas orações e tomaria decisões importantes nesse tempo de quietude. Mas tem sido um tanto frustrante por esse ponto. Eu mal começo a considerar alguma situação específica e numa fração de tempo minha mente entra num vazio completo. Quando desperto desse estado, não faço a menor idéia do que se passou, penso em três milhões de coisas e nada que possa reter, é como se o cérebro entrasse em hibernação.</p>
<p>Comecei a ficar preocupado. Até que peguei um livro do escritor Haruki Murakami em que ele comenta sobre o que se passa em sua mente enquanto treina corrida: nada. Ele chama isso de vácuo. E saber que alguém também sofre do mesmo mal é algum consolo, principalmente porque ele é japonês e esses caras japoneses costumam ser bem focados. Mas, por outro lado, ele tem 60 anos, corre 10 quilômetros e nada 1500 metros todos os dias. Nem que eu fosse o Secretário Geral das Nações Unidas acho que conseguiria pensar em coisas produtivas por tanto tempo.</p>
<p>Dois: Observar</p>
<p>Se a reflexão tem sido frustrante, acho que um hábito meio vergonhoso que adquiri tem uma parte de responsabilidade nisso: é a mania de ficar olhando para as pessoas e tentar imaginar a vida que levam. Entenda, não é nenhum julgamento preconceituoso. É que nas ruas, você cruza com todo tipo de gente, fica perto de uma porção de desconhecidos e acaba sendo inevitável ceder à curiosidade de criar personagens a partir desse tipo de suposição.</p>
<p>Se me permite&#8230;</p>
<p>Tem um homem, ele trabalha como gari e varre a calçada de uma avenida por onde passa gente e carro sem parar. Eu o vejo quase todos os dias, tem a pele escura, um ou dois dentes faltando no sorriso, bigode ralo, vassoura nas mãos e o uniforme de cor laranja berrante. Ele é nordestino. Fico tentando imaginar as circunstâncias que o trouxeram para o Sudeste. O que será que ele pensa sobre o próprio ofício? Entenda, varrer o pó de uma avenida em São Paulo é algo como enxugar gelo na praia e ele faz isso por oito horas, diariamente. Penso então que quando acaba o expediente, ele toma um banho, troca de roupa e segue para sua casa onde deve ser o herói de alguns garotos. A esposa e os filhos estão esperando em casa pelo pai que chega, já à noite, cansado do dia na rua. Faz sua refeição, checa a lição de casa do mais velho, assiste a novela com a patroa e dorme em paz num quarto bem pequeno. Esse homem deve jogar um futebol com seus meninos no sábado a tarde. Pode ser que ele ligue para os parentes em sua cidade natal de vez em quando, pode ser que sonhe ganhar a vida na cidade para juntar algum dinheiro e voltar para sua terra um dia.</p>
<p>Teve um casal. Ambos desajeitados, brancos, extremamente altos e um pouco obesos. Andavam bem rápido. Eu os vi descendo a rua desde lá de cima, com as mãos dadas e dedos entrelaçados, conversavam animadamente e a toda hora os olhares se cruzavam e sorriam. Deviam namorar há poucas semanas. Pareciam tímidos. E pensei que possivelmente estiveram apaixonados por um tempo antes de se declararem. Deviam trabalhar no mesmo escritório, mas não tinham coragem de se convidar para um café, até que um dia ele mandou o MP3 de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KDZmMkQgYXA">uma canção do Elvis Costello</a> para ela por e-mail e foi aí que as coisas começaram. Estavam apressados para ir ao cinema ver qualquer filme em cartaz. Eles ficarão noivos daqui um tempo, farão uma viagem pela Irlanda quando casarem, demorarão para ter filhos, mas quando vierem, ela vai largar o trabalho para se dedicar à casa.</p>
<p>E tinha também uma mulher e sua filha. Eu as vi sentadas num vagão de trem meio vazio numa manhã de terça-feira. A menina de cabelo cacheado, comportada, bonita, banho recém tomado. Tinha aquele olhar inocente, devia ter sete ou oito anos. Carregava sua boneca num braço e a própria mochila sobre o colo, porque a mãe já levava uma carga pesada demais. As sacolas de compras, uma mala, as blusas para caso esfriasse, um guarda-chuva. Ela tinha o olhar cansado, olhava ao redor procurando uma resposta. Queria entender porquê tudo isso com ela, porquê ele foi embora depois de tantas promessas, sempre queria, mas já havia se conformado. Aquela era a vida, que a menina aprendesse e não precisasse passar pelo mesmo. Era assim que ela demonstrava seu afeto. Essa era sua luta diária, sua esperança e sua busca. Ela queria acreditar que tinha um destino naquele trajeto.</p>
<p>É assim que eu gasto meu tempo. Meu rico tempo que deveria ser rico e cheio de meditações, veja você. Mas por favor, entenda, não quero fazer julgamentos e nem acho que esteja em posição para isso. Por isso, me constranjo. Fico encabulado porque acho que é bem possível que alguém pense esse tipo de coisa de mim também. Tenho isso como algo certo. E, sabe, se as pessoas tiverem essa mesma mania, eu devo ser um alvo bem estranho. Eu penso um pouco nisso. Se alguém fica curioso olhando para um sujeito como eu, o que deve pensar? Aí começam as neuras todas.</p>
<p>Geralmente, quando minha mente chega nesse ponto, é o momento em que percebo o quão improdutivo é o tal do estado de vazio em que me afundo. Esse é o limite. E eu penso: sério mesmo, Henrique? Com tantos problemas para resolver e tanta coisa importante em que se concentrar, você está mesmo pensando nisso agora? E aí então o ciclo recomeça.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Tem sido assim em todos esses dias. Na ida e na volta do trabalho, nos deslocamentos até um comércio ou a oficina para acompanhar o conserto do carro. Vou andando. Minha rotina foi sensivelmente alterada e isso tem tido algum efeito benéfico sobre mim.</p>
<p>O trecho mais longo da caminhada é na volta para casa. Desço numa estação de trem das proximidades e caminho por pouco mais de 40 minutos até abrir a porta da sala. Dou de cara com as duas expressões risonhas e os beijos capazes de restaurar o cansaço da maratona. É nesse instante exato que o tal vazio da mente se preenche com a razão da existência do homem – esse homem, pelo menos. Em um minuto assim, um minuto que qualquer sujeito vive, pensei certo dia que se alguém com quem cruzei pela rua fizesse mesmo de mim algum julgamento, se quisesse encontrar um adjetivo para me definir, poderia ter uma palavra em mente: afortunado.</p>
<p>É uma boa palavra. É a minha riqueza. É um lugar-comum, eu sei. Mas é um bom caminho para se percorrer todos os dias.</p>
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		<title>Reunião de pais</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2010 03:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Na semana passada, fui à minha primeira reunião de pais como pai. É bem estranho isso. Já sou pai há um tempo, mas ainda parece que a reunião de pais e mestres é algo em que &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2010/11/09/reuniao-de-pais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1401&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/11/1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1402" style="border:3px solid black;" title="stephen_michael_king" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/11/1.jpg?w=584" alt=""   /></a></p>
<p>Na semana passada, fui à minha primeira reunião de pais como pai. É bem estranho isso. Já sou pai há um tempo, mas ainda parece que a reunião de pais e mestres é algo em que minha mãe deveria comparecer e não eu. E por motivos que não vem ao caso agora, eu costumava ter um pouco de medo desses eventos quando era garoto.</p>
<p>Mas agora as coisas são diferentes. No mês que vem eu faço 30 anos e preciso amadurecer. Eu lembro do meu pai quando ele tinha essa idade. Já tínhamos uma casa, um carro bacana e ele usava um bigode igual ao do Magnum. No meu aniversário, acho que vou deixar crescer o bigode.</p>
<p>Naquela manhã, a Manú tinha um compromisso importante e acabou que fui até a escola, me fazendo de desinteressado, mas curioso até as últimas para saber o que a Tia Mariza iria me contar sobre a Nina.</p>
<p>Gastei menos de uma meia-hora na sala de aula, sentado numa cadeirinha de uns 10 centímetros de altura, preenchendo formulários e vendo os trabalhos da classe. Até que a professora me chamou. Eu achei que ouviria uma porção de novidades sobre minha filha e que finalmente descobriria o que os professores tanto falam para os pais nessas reuniões bimestrais, mas não tinha nada demais. Por esse ponto, foi meio decepcionante. Nenhuma confidência, nada de conspirações ou planos arquitetados. No fim, a reunião de pais e mestres é só uma reunião entre pais e mestres.</p>
<p>E a única coisa que ouvi sobre minha filha é que ela é sociável, gosta de cantar e dançar, de ouvir histórias e gasta um tempão desenhando, concentrada nas cores e no papel. “É essa coisa da imaginação, da mente do artista que as crianças tem”, definiu a Tia Mariza.</p>
<p>Saí de lá sem novidades pra contar. Nossa Nina é na escola exatamente como é em casa.</p>
<p>Nem digo como isso é algo confortável de se ouvir. Entenda, o período que minha filha passa no colégio é o único tempo em que ela está fora do meu “controle”. Não que ela esteja, de fato, em algum minuto, mas você sabe o que eu quero dizer. Ali, longe do meu olhar, ela é livre para não ser como eu peço que seja quando está ao meu lado. Distante das asas que os cobrem, filhos podem ser como bem entenderem. E o que são, suas atitudes livres, define de certa forma o seu caráter.</p>
<p>São princípios, como costumo insistir em outras conversas. O que o filho aprende do pai, pratica na vida.</p>
<p>Quando a Manú estava grávida, nos matriculamos num curso de educação de filhos. É verdade que hoje não me lembro de muita coisa do que aprendemos ali, mas foi importante na ocasião. Lembro de uma aula em especial, quando o professor nos disse que “os filhos são como uma folha em branco e cabe aos pais preencher esse espaço com as verdades em que acreditam para a formação do caráter da criança”. Não bastasse isso já ser apavorante o suficiente, ele ainda completou: “o espaço que vocês não preencherem, o mundo preencherá”. E eu tenho perdido algumas horas de sono com esse negócio desde então.</p>
<p>Minha filha, uma folha em branco, um lápis na mão e fiquei imaginando que ela seria uma história que a Manú e eu precisaríamos escrever. Pelo menos as primeiras linhas, pelo menos algo que registre os princípios e tenha algo bom para contar, um estilo, estrutura, forma, conteúdo&#8230; Mas não, eu não consigo. Não tenho o direito de determinar o que será sua vida. Acho que posso ajudá-la a descobrir. Talvez apontar um caminho, contar algumas experiências, mas é ela, essencialmente, quem vai escolher que direção tomar.</p>
<p>“Você pode pegar as obras de arte da Nina e levar, está bem? Olha aquela ali que bonita”. A professora apontou para os desenhos fixados na parede. Procurei pelas pinturas que tinham o nome dela assinado, recolhi uma a uma, juntei num envelope grande e, meio sem jeito, coloquei na mochila.</p>
<p>Caminhei da escola até a estação de trem e, no caminho, pensava nessa história toda e mantinha a postura e os passos alinhados, com medo de que qualquer tropeço ou distração pudesse pôr em risco aquelas cartolinas desenhadas. Eu ia carregando os desenhos como um troféu, exibia as pontas das folhas coloridas que ficaram pra fora da bolsa como medalhas, uma jóia, me sentindo o Frodo levando o anel precioso.</p>
<p>Não os criamos para nós mesmos, isso é bem difícil de admitir. E acredito que parte da beleza da criação e da escolha de Deus em nos fazer como somos, seja justamente essa liberdade assustadora que às vezes faz a gente querer correr por aí só para sentir o vento no rosto e, em outras horas, voltar rápido para o aconchego dos braços do nosso Pai. Sabe, essas coisas. Precisamos do Pai para nos dar direções, mas acho que seu amor é tão grande que ele não se mete nas nossas decisões sem ser consultado. Ele confia que vamos fazer as escolhas certas com aquilo que aprendemos por caminhar ao seu lado.</p>
<p>Os filhos refletem o caráter daquele que os criou. O que vemos em casa, define em muito o que somos. Daí a importância de se ter para onde voltar. Daí a importância de se ler menos esses manuais de educação de filhos e um pouco mais as histórias que os encantam.</p>
<p>Eu queria ser um pouco assim para minha filha. Isso eu tento aprender. Eu queria ser um filho que faz as coisas certas para ser um pai decente para a Nina. Percorro de volta essa distância para tentar espelhar sabedoria e caráter. Eu costumo pedir a Deus que, se possível, sejam corrigidos os traços imperfeitos que tenho e que ele me deixe apresentável para minha família, para ser um bom pai, para ser divertido, para ser o seu par numa brincadeira, num baile, na entrada da igreja, na caminhada até Cristo. Até que se abra uma trilha que ela percorra sozinha, nos passos que determinar para si, mas lembrando sempre – aí eu torço – o caminho de volta sempre que for preciso. Eu estarei aqui.</p>
<p>Não tem muito que eu possa fazer, a tal da folha em branco. Não é tanto o que faço, mas quem eu sou que vai influenciá-la. Só espero que ela não use um bigode.</p>
<p>Pode ser que eu faça alguns traços, pode ser que eu registre um pequeno conto ou pinte um desenho para ela se lembrar. Pode ser que eu escreva textos assim. Mas serão sempre coisas bem pequenas, discretas mesmo. Eu quero é deixar espaço para que Deus reflita nela a sua beleza, a inspire e ela trace, a seu modo, a história que quiser contar.</p>
<p>&#8211;<br />
Esse texto faz parte da série <a href="http://missaovirtual.com/series/amor-de-pai/" target="_blank">Paternidade</a>.</p>
<p>A ilustração foi tirada do livro &#8220;O homem que amava caixas&#8221; de <a href="http://stephenmichaelking.com/index.htm" target="_blank">Stephen Michael King</a>.</p>
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		<title>Reinos, princesas e castelos de Lego</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 02:11:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/10/dsc03481.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1383" title="nina" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/10/dsc03481.jpg?w=922&#038;h=691" alt="" width="922" height="691" /></a></p>
<p>Outra noite, fiquei sozinho em casa com a Nina. Comemos juntos, dei banho nela, pus o pijama e brincamos um pouco sentados no chão da sala – só um pouco mesmo, até eu perceber que existem dois ossinhos nos quadris que não pareciam estar ali até pouco tempo. Na hora de dormir, como de costume, eu contaria algumas histórias. E para a Nina, esse costuma ser o ápice do dia.</p>
<p>Mas para marcar nosso tempo de pai e filha, confabulei uma idéia, dessas que a gente só tem quando sabe que não tem ninguém por perto para repreender: “Filha, já sei! Vamos colocar um colchão aqui na sala e montar sua barraquinha&#8230; aí depois a gente trás as cobertas, travesseiros e dormimos lá dentro. Que tal?”</p>
<p>É engraçado como crianças gostam dessas idéias fantasiosas. Para ela, aquilo não era só uma bagunça autorizada na sala, nós estávamos mesmo construindo um castelo. Entre lápis de cor, livros e peças de Lego espalhadas, edificamos o nosso pequeno reino, definimos as regras e vivemos uma aventura.</p>
<p>E o projeto até que correu bem. A exceção se deu por minha tentativa de entrar, deitar e me manter minimamente confortável numa barraca cor-de-rosa de um metro quadrado. Puxa, eu torcia para ela dormir logo e eu poder evitar os sérios danos que aquilo estava causando à minha coluna. Onde eu estava com a cabeça?</p>
<p>Ela gostou, mas na hora de dormir, se mexia de um lado pro outro, virava, chutava as paredes do castelo, me deu uma cotovelada, até que: “Papai, eu não quero dormir aqui! Eu quero ir pro meu quarto e dormir na minha caminha e tomar um leitinho e pôr o cobertor quentinho!”.</p>
<p>E assim, percebendo que minha filha herdou de alguém aqui de casa o temperamento minuciosamente sistemático, vi morrer a idéia mirabolante que eu havia planejado passo a passo e calculado em cada detalhe.</p>
<p>* * *</p>
<p>Se você ainda não é pai, deixe-me dar uma dica: uma coisa boa de se ter filhos é que a gente sempre pode saciar a vontade de brincar, desenhar com giz de cera e correr pela casa fazendo barulhos esquisitos sem que alguém nos julgue por isso. Aliás, pelo contrário, quanto mais estranho você se faz passar para que seus filhos se divirtam, mais as pessoas vão te elogiar e dizer que é um pai presente, amigão e cuidadoso. Mal sabem.</p>
<p>Às vezes, eu fico pensando na minha filha, observo ela concentrada desenhando alguma coisa e percebo que é dessa pureza que Jesus fala quando repreende seus discípulos e diz que “o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas”.</p>
<p>No fundo, a história toda não é sobre ser infantil, é sobre ser puro. A questão da vida eterna ao lado de Deus, não diz respeito sobre o quanto deixamos de errar ou o quão eficientes somos em seguir rigidamente as regras todas, mas tem a ver com o nosso coração e a busca sincera em tentar viver de acordo com o que o Pai nos aconselha.</p>
<p>Crianças acreditam em milagres, acreditam em promessas feitas por pais apressados, acreditam em príncipes e contos de fadas, confiam na fidelidade eterna dos amigos, elas acreditam que podem voar. Mas tem gente – os adultos e suas leis – que trata a fantasia como bobagem, colocam freios na imaginação infantil e acabam por matar a beleza da vida com sua visão pragmática dos fatos. Puxa, “visão pragmática dos fatos” já é, em si, uma expressão que mata muita coisa.</p>
<p>O que eu sinto, é que não preciso ensinar um conjunto de leis para minha filha. Eu preciso lhe ensinar bons princípios. E então os caminhos e a vida toda dela será de acordo com esse bom ensino. Uma a uma, suas decisões serão certas, não porque ela obedeceu cegamente ao que ordenei, mas porque soube escolher conforme suas próprias convicções e interpretação do mundo.</p>
<p>Tá, tá legal, eu sei que esse é o tipo de conselho que aparece em qualquer manual para pais de primeira viagem. Não que eu tenha lido algum livro desses – não li – mas é de se imaginar que conste esse tipo de afirmação. Mas o que eu quero dizer (ou tentar entender) é: quem disse que o mundo é do jeito que eu acho que é?</p>
<p>A Nina acha que é uma bailarina e dança em frente à TV até na trilha de abertura da novela das sete – de preferência usando um vestido florido, que roda suspenso no ar enquanto ela gira em torno do próprio corpo. Ela acha que cobrir os olhos com uma almofada a faz desaparecer. Ela ouve as histórias que contamos sobre reinos, reis e heroínas e arregala os olhinhos brilhantes imaginando tudo aquilo acontecendo de verdade, talvez ali na esquina ou no apartamento de baixo.</p>
<p>Crianças acreditam em coisas impossíveis. E pode até ser que o grande valor disso seja porque também acreditam, piamente, nas coisas possíveis. Em todas elas. Para elas, ainda não há mentira no mundo, não existe essa falsidade que a gente vê por aí e o mundo pode ser, de verdade, aquilo que lhes alimenta os sonhos. E isso basta.</p>
<p>* * *</p>
<p>Há alguns dias, eu dirigia pela cidade e parei meu carro num semáforo. Tinha ali um menino, com seus seis ou sete anos, que possivelmente estaria me pedindo algum trocado. Mas ele se distraiu. Estávamos num cruzamento, carros passavam por todos os lados, a cidade gritava com buzinas e motores, fumaça, pessoas cruzando pelas ruas como manadas e motoristas isolados em suas bolhas. E um garoto pobre, sozinho, sem a mãe ou o pai por perto para protegê-lo de tudo aquilo, estava agachado no canteiro gramado, sentado sobre os calcanhares, brincando com um carrinho quebrado, minúsculo, fazendo barulho de motor com os lábios e a imaginação vagando longe, no mundo que ele construía.</p>
<p>Jesus nos pede para acreditar em coisas impossíveis. Ele diz que devemos amar nossos inimigos, que não precisamos nos preocupar com o que vamos comer ou vestir, ele fala que os pobres, os que choram, os humildes, os pacificadores, que toda essa gente sem rumo aos olhos da nossa sociedade são, na verdade, os felizes e bem-aventurados. Jesus diz que crianças são um modelo de vida.</p>
<p>Elas acreditariam nele se tudo isso lhes fosse contado. E talvez até construíssem algo baseado nessa instrução. Um mundo inteiro, quem sabe. Não dá pra duvidar das crianças, porque elas tem dessas coisas, elas confiam, imaginam e, ao seu jeito, obedecem. Crianças brincam e sonham nos cenários mais improváveis. É bonito de ver. É até um aprendizado talvez.</p>
<p>“Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele.” (Lucas 18:17).</p>
<p>Bom, veja bem, é possível que a coisa toda do aprendizado seja, no fim das contas, eu me converter à visão da minha filha. Seu coração infantil, a pureza nos gestos, a fantasia, o olhar fixo no pai procurando uma direção.</p>
<p>Eu sei que é contraditório. Pode ser um pouco de fantasia, como isso de acreditar que Deus nos chama a todos de filhos, ama o mundo inteiro e pensa coisas boas sobre nós. Aí sim faz mesmo algum sentido que o olhar de todas as pessoas do mundo estejam fixos numa única direção, que exista um caminho bom.</p>
<p>Ali, guardada sob as cobertas, de pijama, na cama em que dorme todas as noites, antes de fechar os olhos, a Nina ainda me chamou uma última vez, só pra oferecer algum consolo: “Papai, outro dia a gente faz cabaninha e eu durmo lá, tá bom?”. Essas coisas acabam comigo.</p>
<p>Eu queria saber com o que ela sonha.</p>
<p>E nessa caminhada, eu só espero não atrapalhar a espontaneidade das coisas com meu jeito sistemático, sabe? Eu fico aqui reclamando e sentindo essa melancolia toda só porque eu já não brinco mais de Playmobill, mas eu prefiro mesmo é que ela cresça com sua própria visão do mundo e de Deus, criando com ele algo tão diferente e tão belo que, em algum ponto, ela acredite que é possível edificar a verdade nessa terra, que dá mesmo para as coisas serem diferentes se ela se conservar menina e que pode, com seu canto, sua dança, sua fé, um vestido florido e boas escolhas, construir o Reino de Deus, com peças de Lego e castelos cor-de-rosa.</p>
<p>&#8211;<br />
(Esse texto faz parte da série <a href="http://missaovirtual.com/series/amor-de-pai/">&#8220;Paternidade&#8221;</a>)</p>
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		<title>Cenas domésticas: aula de finanças pessoais</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2010/09/15/cenas-domesticas-aula-de-financas-pessoais/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 17:13:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<description><![CDATA[Nina Patinhas numa aula prática de finanças pessoais. <a href="http://missaovirtual.com/2010/09/15/cenas-domesticas-aula-de-financas-pessoais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1344&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Olha ali, Nina, tem umas crianças brincando no parque.<br />
- Depois a gente vai lá, né pai? Depois da casa da vovó.<br />
- Vamos sim.<br />
- Pai, mas pra ir lá brincar você tem que ficar aqui comigo sempre.<br />
- Mas e meu trabalho?<br />
- Não, pai, não pode ir trabalhar lá longe, tem que ficar aqui o dia todinho.<br />
- Entendi. Mas, filha, se o papai não trabalhar, como é que a gente<br />
faz pra comprar comida?<br />
- Já tem comida em casa.<br />
- Mas tem que comprar sempre. E quando acabar a comida? O papai tem que ir ganhar dinheiro.<br />
- Pai, eu compro.<br />
- Você?<br />
- É, eu tenho um dinheirinho.<br />
- Ah, tem é?<br />
- Ahãm.<br />
- E com seu dinheiro dá pra comprar comida e roupas?<br />
- Dá. E balinha também.<br />
- &#8230;<br />
- E uns doces. Tudo, muitas coisas, pai.<br />
- Mas, Nina&#8230;<br />
- Hum?<br />
- E quando acabar o dinheiro?<br />
- Ah, pai, a gente compra mais, ué!</p>
<p>&#8211;<br />
(post para o blog filial <a href="http://www.frasesdecriancas.com/" target="_self">Frases de Crianças</a>)</p>
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		<title>O enxugador de lágrimas</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2010/09/10/o-enxugador-de-lagrimas/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 04:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[riso]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[É engraçado notar como os pais tem um efeito calmante sobre os filhos. A situação pode ser a mais desesperadora – algo como bater a cabeça na quina da mesa ou o fato de a roupa de passeio ser só “rosa branco” e não “rosa pink”, que nas definições da minha filha, tem pesos e gravidades idênticos – e o toque, a voz e o consolo paterno fazem com que tudo fique bem outra vez.

E a paz reina. E os brinquedos se acomodam, os amigos dividem as coisas, a comida fica saborosa, a hora do banho passa a fazer sentido, a TV pode ser desligada sem maiores traumas e garotos com crises crônicas de bronquite durante a madrugada conseguem dormir em paz porque uma mão está repousada sobre seu rosto fazendo algum tipo de carinho e dizendo que tudo vai ficar bem. <a href="http://missaovirtual.com/2010/09/10/o-enxugador-de-lagrimas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1333&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Aconteceu uma tragédia em nosso aprazível e pacífico lar. Tudo era calmaria quando, num instante, sem que percebêssemos, a fúria dos mares, os ventos do sul, trovões ensurdecedores e todas as forças da natureza se levantaram para promover a pior e mais temível tempestade em copo d’água da história dessa família. Eu mal tive tempo de correr até o fim do corredor que liga a sala ao quarto, guiando-me pelo som do choro desesperado e então encontrar, desamparada, a Nina derramando rios de lágrimas.</p>
<p>-	Que foi, filha? O que aconteceu?<br />
-	Doeu, pai.<br />
-	Doeu o quê, Nina?<br />
-	Meu dedo. Snif! Ó, tem uma pelinha.<br />
-	Calma. Vem cá, eu tiro pra você &#8211; e dei aquela mordida com a ponta do dente pra tirar a pele.<br />
-	Humf&#8230;<br />
-	Pronto. Viu? Não tem mais nada.<br />
-	E uma picada, pai, de pernilongo.<br />
-	Onde?<br />
-	Aqui.<br />
-	Vou fazer um carinho e já sara. Olha bem&#8230;<br />
-	Sarou, papai.<br />
-	Pois é. Tá vendo, não precisa chorar. Vem cá, deixa eu enxugar seu rosto.<br />
-	O enxugador de lágrimas?<br />
-	É isso aí.</p>
<p>Lembro-me de quando era criança e ganhamos o Shake, nosso primeiro vira-latas. Um dia ele saiu para dar uma volta e se machucou feio numa briga de rua (ah, rapaz, você não conheceu o Shake&#8230;). Quando voltou, além de dormir pra burro, ele passava o tempo todo lambendo suas feridas. Eu achava aquilo meio esquisito, até que meu irmão mais velho, cheio da sua sabedoria de Manual do Escoteiro Mirim, disse que a saliva tem um efeito cicatrizante nos animais, que as lambidas são como massagem para os cães e que, também por isso, as mães lambem suas crias quando pequenas. Se isso tudo é verdade, juro que não sei, mas ele é mais velho e quando se tem 10 ou 11 anos, a gente acaba respeitando esse tipo de autoridade.</p>
<p>É engraçado notar como os pais tem um efeito calmante sobre os filhos. A situação pode ser a mais desesperadora – algo como bater a cabeça na quina da mesa ou o fato de a roupa de passeio ser só “rosa branco” e não “rosa pink”, que nas definições da minha filha, tem pesos e gravidades idênticos – e o toque, a voz e o consolo paterno fazem com que tudo fique bem outra vez.</p>
<p>E a paz reina. E os brinquedos se acomodam, os amigos dividem as coisas, a comida fica saborosa, a hora do banho passa a fazer sentido, a TV pode ser desligada sem maiores traumas e garotos com crises crônicas de bronquite durante a madrugada conseguem dormir em paz porque uma mão está repousada sobre seu rosto fazendo algum tipo de carinho e dizendo que tudo vai ficar bem.</p>
<p>Filhos acreditam nos pais.</p>
<p>Para nós, adultos, é divertido observar como situações tão banais adquirem proporções gigantescas no universo (i)limitado de uma criança. E também chega a ser invejável a facilidade com que a dor logo passa, como tudo se resolve e a próxima brincadeira toma forma em instantes.</p>
<p>Talvez seja verdade mesmo que as preocupações nos sobrevém à medida que os anos se acumulam. Ou talvez, a medida que os anos passam, vamos ficando um tanto mais experientes nessa habilidade inata ao ser humano que é tornar complicadas as coisas mais simples. E choramos.</p>
<p>Antes eu dormia como uma pedra, agora eu perco o sono. E eu noto que, a cada dia, vou ficando um pouco menos paciente e menos tolerante em relação a acontecimentos que antes não me incomodavam – peles soltas nos cantos dos dedos e picadas de pernilongo certamente estão entre elas.</p>
<p>A gente fica só um pouco mais velho e já vai perdendo a graça. Perdemos a irreverência da infância e acumulamos a amargura dessas circunstâncias que nos afetam. Olhamos no espelho uma vez e ainda achamos que somos os mesmos meninos. Olhamos uma outra e, num minuto, os anos correm diante dos olhos, que agora precisam fazer alguma força para enxergar direito. Fica no ar o cheiro de menta do creme dental de todas as manhãs e o desejo de ter de volta um pingo daquela inocência. Eu queria bem é resmungar um pouco, abrir o berreiro, e logo vir alguém para resolver tudo com uma voz mansa e cheia de sabedoria, dizendo que tudo vai ficar bem, que eu posso dormir em paz.</p>
<p>E pensar que isso tudo é tão pequeno&#8230;</p>
<p>E eu fico refletindo que se tem uma coisa que é real, é que a vida é tão ampla, o mundo todo é tão cheio de opções, com tantos caminhos possíveis, que é estranho imaginar que na maior parte do tempo, queimamos nossos neurônios preocupados com coisas que, no fim das contas, cabem no nosso umbigo – para onde concentramos nossos olhares e esforços a maior parte do tempo.</p>
<p>E, bem, Deus é tão grande. Eu acredito mesmo. Ele é bom, amável, e quando penso que posso simplesmente me dirigir a ele para falar dos meus problemas e contar o que se passa, às vezes deixo de fazer por constrangimento. É estranho pensar que posso ter acesso ao criador do Universo se tão simplesmente aceitar isso como fato – ou, talvez, deixar de resistir. Posso ser dirigido pelo divino em cada um dos passos tortos que teimo dar na caminhada. Posso chamar o autor da vida de “pai” e ele vai achar isso bom.</p>
<p>Então, num pequeno passo, nessa escolha, meus problemas de proporções gigantescas finalmente se resumem à insignificância que têm de fato. E a tempestade dá lugar a calmaria. O oceano revolto era um copo d’água. Os olhos se abrem e, com eles, tantas novas possibilidades. Eu tenho um porto onde ancorar. Deus.</p>
<p>O enxugador de lágrimas.</p>
<p>Lembrei de João, o pescador, que ainda menino, viu passar por sua terra um homem que se dizia o Messias e, tão irresistível era o seu ensino, que ele e o irmão largaram tudo para segui-lo. E João viu morrer seu mestre. Aos pés da cruz, viu Jesus balbuciar a dor, bradar seu amor pela humanidade e dar o último suspiro. Logo depois, João viu morrer ao fio da espada seu irmão Tiago, vítima de um rei ganancioso. Passaram-se os anos e João ainda se despediu de cada um dos amigos de toda sua vida. E ao final dela, com sua missão cumprida, o velho João não esperava pelas visões que teve e registrou.</p>
<p>Das suas notas, de todas as cartas, um trecho em especial me toca.</p>
<p>Confesso que não sei como serão as coisas depois que eu morrer – eu mal sei do meu próximo passo e já me preocupo mais do que deveria – e também não faço muita idéia do fim do mundo, do último dia e tudo isso do Paraíso. Mas, se eu me apego a uma coisa quando penso em Deus, no amor, na minha família e na humanidade, acho que o futuro tem a ver com isso:</p>
<p>“Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede.<br />
Não os afligirá o sol, nem qualquer calor abrasador,<br />
pois o Cordeiro que está no centro do trono será o seu Pastor;<br />
ele os guiará às fontes de água viva.<br />
E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”.<br />
(Apocalipse 7:16-17)</p>
<p>Filhos acreditam nos pais.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>(Esse texto faz parte da série <a href="http://missaovirtual.com/series/amor-de-pai/">Paternidade</a>)</p>
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		<title>O tempo, o amor e um Chevette 1982</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2010/07/30/o-tempo-o-amor-e-um-chevette-1982/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 04:06:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/07/chevette1982.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1291" title="chevette1982" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2010/07/chevette1982.jpg?w=583&#038;h=426" alt="" width="583" height="426" /></a></p>
<p>Ela agora me liga no meio do dia para pedir coisas. Estou no escritório, toca o telefone, percebo que é o número de casa e acho que é assunto sério. Então uma voz fina do outro lado derrete minha postura de profissional empenhado, pedindo para que eu leve algum doce no fim do dia, perguntando se pode ir brincar na casa da avó ou querendo assistir um DVD diferente.</p>
<p>Não reclamo, eu gosto. Apesar do constrangimento em falar com uma criança no telefone diante de uma audiência concentrada no trabalho, atender as ligações da minha filha ou esposa durante o dia é como fazer uma visita instantânea até em casa.</p>
<p>Outro dia, tocou o telefone e era ela outra vez.</p>
<p>- Alô?<br />
- Papai&#8230;<br />
- Oi, filha?<br />
- Eu quero você aqui.<br />
- O quê?<br />
- Eu quero você aqui em casa agora.</p>
<p>Crianças&#8230;</p>
<p>Ela não quer saber se vivemos em uma mansão ou numa quitinete, se dirijo o carro do ano ou um Chevette 1982. Para ela pouco importa o cargo que ocupo, a marca da roupa estampada em sua camiseta suja de chocolate, a quantidade de prêmios que ganhei – e não ganhei nenhum, se quer saber – ou qualquer dessas coisas que nos parecem fundamentais em grande parte do tempo.</p>
<p>Ela não se importa com o valor dos presentes que ganha. Aliás, ela nem se importa com presentes. Ela é feliz quando os recebe e também é quando nada acontece. Basta a brincadeira, uma nova história e pessoas ao seu lado.</p>
<p>A cada mês, minha menina deixa de ser aquele serzinho dependente e começa a revelar um pouco de sua personalidade. Ela tem olhos bons. Quando sorri, eles ficam apertados entre as bochechas e as sobrancelhas. De uns tempos pra cá, os cachos já encostam nos ombros, seu rostinho já não está tão fofo e o português vai se ajustando num vocabulário correto e claro nas idéias que quer expressar. Se em algum momento eu achei que tinha qualquer controle sobre as coisas, já não me iludo.</p>
<p>E aos poucos, limitado como sou, vou percebendo que longe de objetos e artifícios de que lanço mão para mostrar o bom pai que pretendo ser, ela prefere que eu lhe dê algo mais simples: tempo.</p>
<p>E ela não está interessada em recompensas, não espera que eu retribua o seu carinho, ela só me quer por perto. Ela quer alguém para viajar junto em sua imaginação, quer jogar qualquer coisa, brincar do que der na telha, quer um leite fresquinho quando acorda e um braço pra se apoiar enquanto a Dora, a Aventureira, resgata algum animal perdido na floresta.</p>
<p>Nada do que ela me pede, nada, me custa mais do que um mísero centavo. A verdade é que as crianças tem um tipo de amor que eu não entendo e não expresso. Um amor desinteressado, gratuito, livre de coisas, que não exige condições, que aceita um pedido de desculpas quando a gente deixa de brincar e que espera o dia inteiro, às vezes bem longo, só para ganhar um colo e ouvir uma nova história antes de dormir.</p>
<p>- Nina, as princesas dormem sozinhas em suas próprias camas, sabia?<br />
- Mas, pai, a princesa quer ficar aqui, perto do príncipe.</p>
<p>Ela me acha bonito.</p>
<p>Às vezes eu me pego pensando no dia em que ela vai descobrir que eu não sou “o” cara. De príncipe, herói e marido exemplar, um dia minha menina vai me achar careta, fraco e pedir para que eu estacione a 300 metros da escola para que os amigos não a vejam entrar no carro comigo. Mas até que isso aconteça, deixo as preocupações para a hora apropriada. Enquanto ela ainda se sente suprida simplesmente por eu sentar ao seu lado no sofá, eu desfruto.</p>
<p>Eu me regozijo em sua inocência, no pensamento puro, nos contos de fadas, nas palavras mal faladas e no cheiro de xampu de neném que ainda perfuma uma parte da casa.</p>
<p>- Pai&#8230;<br />
- Oi, Nina.</p>
<p>Ela me mostra a mão espalmada.</p>
<p>- Você fica&#8230; você fica só mais assim, ó. Fica só mais cinco minutos comigo?<br />
- Claro, querida. Como não?</p>
<p>Sorri.</p>
<p>- Tá. Então senta, pai.</p>
<p>Ela não me cobra se estou acima do peso, não quer saber serei um sujeito careca daqui um tempo e também não liga se não me visto segundo o catálogo da Armani. Ela só quer que eu esteja ali.</p>
<p>Pais são assim. Às vezes, depois que passamos da infância e, num instante crescemos, pode acontecer de o assunto acabar. Pode ser que o encanto se quebre. Pode até ser que filhos e pais, em função do tempo e das circunstâncias, deixem de ter a afinidade natural, aquela amizade que parecia instransponível lá atrás. Mas inexplicavelmente, a gente sabe o quanto precisa deles. Bem, às vezes nem sabemos, mas notamos que em determinados momentos, precisamos daquele colo, daquele cheiro, sentimos falta de estar perto, gastando um tempo que parece à toa, mas que preenche um vazio que só esse tipo amor pode completar.</p>
<p>O primeiro amor, aquele desinteressado, que tudo sofria e suportava, que acreditava e esperava, de repente parece cheio de condições, cercado de regras, empoeirado, espremido entre tantas lembranças naquele baú esquecido no sótão. E a gente sente saudades mas não sabe como voltar.</p>
<p>Nesses momentos, numa fagulha, filhos se distanciam, amigos se perdem, casais se separam e o homem, ao longo da história, se afasta do seu Criador.</p>
<p>O filho perde de vista o Pai, que nunca deixou de esperar pela volta de sua criança, ansioso, aguardando por mais uns minutinhos. E Deus tenta dizer que ele não quer súditos ou empregados que o sirvam com sacrifício, ele quer seus filhos invadindo a cozinha, cansados de correr no quintal, pedindo por uma história, contando sobre o novo amigo e precisando de um copo de água para saciar sua sede.</p>
<p>E como em qualquer relacionamento, um e outro não esperavam mais do que presença, nada além daquele amor simples, o respeito, carinho&#8230; nada que se represente em coisas, nenhuma grande fortuna. Talvez uma aventura frustrada a bordo de um Chevette, uma história para contar juntos, talvez uma conversa franca de vez em quando.</p>
<p>No amor, não se dá nada que custe mais do que um mísero centavo.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>(Esse texto faz parte da série <a href="http://missaovirtual.com/series/amor-de-pai/">Paternidade</a>)</p>
<br />Filed under: <a href='http://missaovirtual.com/category/cronicas/'>Crônicas</a>, <a href='http://missaovirtual.com/category/paternidade/'>Paternidade</a> Tagged: <a href='http://missaovirtual.com/tag/amor/'>amor</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/amor-paterno/'>amor paterno</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/chevette/'>chevette</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/deus/'>deus</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/familia/'>família</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/historia/'>historia</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/jesus/'>jesus</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/paternidade/'>Paternidade</a>, <a href='http://missaovirtual.com/tag/relacionamento/'>relacionamento</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/1290/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/1290/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=1290&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Presente de aniversário</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 09:47:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem foi meu aniversário e ao chegar em casa, além de um excelente presente dado por minha esposa e filha, recebi também um carta, assinada pelas duas, com o criminoso conteúdo abaixo: 02/12/09 Filha, hoje é aniversário do papai. Fala &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/12/03/presente-de-aniversario/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=858&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem foi meu aniversário e ao chegar em casa, além de um excelente <a href="http://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=235&amp;busca=" target="_blank">presente</a> dado por minha esposa e filha, recebi também um carta, assinada pelas duas, com o criminoso conteúdo abaixo:</p>
<p><em>02/12/09</em></p>
<p><em>Filha, hoje é aniversário do papai. Fala o que você deseja para ele e eu escrevo aqui nessa cartinha.</em></p>
<p><em>- Bolo… vela… hmmm sorvete… não, sorvete não, sorvete é ruim… não, sorvete sim, põe aí mãe… e presente.</em></p>
<p><em>Isso é o que ela deseja para você!</em></p>
<p><em>Mas eu também perguntei:</em></p>
<p><em>- Filha, você gosta do papai?<br />
- Ahâm<br />
- Ele é divertido?<br />
- Ele não é divertido, ele é papai… feliz aniversário pra ele. Vou fazer um desenho.</em></p>
<p><em>Esperamos que goste.</em></p>
<p><em>Bjs,<br />
Mamãe e Nina</em></p>
<p><em>Amamos você!</em></p>
<p>Entre os rabiscos que ela própria fez, havia o desenho (com a devida legenda, evidentemente) de um bolo e uma vela.</p>
<p>Não se deveria deixar pais emotivos receberem esse tipo de coisa. Mas a vida tem dessas peças. Foi a melhor coisa do dia.</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: família, filhos, Paternidade <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/858/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=858&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Transportando tesouros e atropelando cachorros – os heróis da vida pequena</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/10/25/transportando-tesouros-e-atropelando-cachorros-%e2%80%93-os-herois-da-vida-pequena/</link>
		<comments>http://missaovirtual.com/2009/10/25/transportando-tesouros-e-atropelando-cachorros-%e2%80%93-os-herois-da-vida-pequena/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 18:49:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor de pai]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Atropelei um cachorro na estrada. Foi tudo tão rápido, estava escuro, ele correu para o meio da pista e parou diante do carro, uns cinco metros à frente. Eu nem consegui pisar no freio. Lembro do &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/10/25/transportando-tesouros-e-atropelando-cachorros-%e2%80%93-os-herois-da-vida-pequena/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=830&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Atropelei um cachorro na estrada. Foi tudo tão rápido, estava escuro, ele correu para o meio da pista e parou diante do carro, uns cinco metros à frente. Eu nem consegui pisar no freio. Lembro do olhar estático do pobre animal paralisado pela luz alta do farol e em seguida o impacto seco no pára-choque. Vi, depois, a sombra escura e morta no asfalto pelo retrovisor, cada vez mais distante, pequena, até sumir. Sem nada que pudesse fazer, chorei e segui viagem.</p>
<p>Voltávamos do interior do estado, onde visitamos alguns familiares e eu dirigia por uma estrada paralela enquanto as duas dormiam no banco de trás.</p>
<p>E pensando no momento que acabava de viver, me preocupei com algo mais que pudesse nos acontecer. Viajamos por essas estradas tantas vezes e, é bem verdade, não tenho noção real dos riscos que corremos. Olhei de relance para as duas, mãe e filha, que dormiam desconfortáveis e temi pela responsabilidade de levá-las para casa em segurança.</p>
<p>Eu carregava um tesouro precioso. Confiadas à minha direção, estavam as coisas mais importantes que tenho nessa terra e, bem, eu peno em admitir, mas não sou dos melhores motoristas que conheço – e isso já é um auto-elogio – o que torna o desafio um tanto maior.</p>
<p>Exagerando outra vez nas analogias, eu me sinto como um daqueles guerreiros de histórias épicas que saem em cruzadas pela terra com a missão de transportar algum tesouro precioso para o rei. Levam consigo uma carta de recomendação, viajam em nome da coroa e estão dispostos a abrir mão da própria vida em favor de algo que não lhes pertence mas pelo qual, não se sabe a razão, são apaixonados.</p>
<p>Mas, peno em dizer, eu não sou um guerreiro habilidoso. Não manejo bem uma espada, não sei montar cavalos e meu reflexo não é apurado. O fato é que às vezes eu falho nessa missão. Piso feio na bola. Deixo cair, desprotejo, penso mais em mim mesmo do que nelas. Mas, apesar de minhas limitações, a carta do rei sempre me faz lembrar a que vim. Seu olhar não me deixa esquecer que são suas filhas que estão sob minha responsabilidade.</p>
<p>Não, não pense que isso é um desabafo arrependido. Pelo justo contrário, eis aqui meu voto de fidelidade, minha alegria, o reconhecimento, afinal, do que entendo por realização.</p>
<p>Descobri que longe de ser um fardo, essa missão consiste em minha grande alegria. E não é que a minha visão seja limitada ou que me falte ambição, eu só notei que tenho em casa o tesouro mais nobre que jamais poderia sonhar conquistar. E empenhar a própria vida em favor desse prêmio, talvez seja o mais heróico dos gestos que poderei ostentar.</p>
<p>O herói da vida pequena. A refeição em casa. As férias em família. O tempo juntos sentados no sofá da sala vendo o mesmo desenho pela trigésima vez. As brincadeiras simples na rua. O cineminha com pipoca de sexta à noite com a eterna namorada. Deus, a família, os amigos. As melhores coisas da vida não nos custam sequer um centavo.</p>
<p>Que feito pode ser mais nobre do que dar vida a um ser humano, guiar seus primeiros passos e conduzi-lo em sua existência para que um dia seja alguém melhor do que eu jamais sonhei ser? O que pode ser melhor do que amar uma linda mulher e empenhar a vida em protegê-la, sustentá-la e lhe ser fiel? Que massagem no ego pode ser melhor do que descobrir que duas lindas garotas te acham o cara mais bonito, forte e bacana do planeta, apesar da barriga proeminente, da barba por fazer e da toalha molhada largada sobre a cama (tá bom, eu admito que exagerei no bonito, forte e bacana)? Que honra maior em ver multiplicar o fruto desse amor (leia-se netos) e acompanhá-los crescendo saudáveis, santos, unidos e correndo pelo quintal da nossa casa?</p>
<p>Bom, parece simples, mas não é simplório. Parece pouco nobre, talvez porque seja tão comum a todos. Parece não dar nenhuma fama e reconhecimento público, e realmente não dá mesmo. Mas eu acredito sinceramente que nada pode fazer um homem mais feliz.</p>
<p>Penso nisso tudo agora, seguindo de volta pra casa, para que um dia eu não precise ver as coisas importantes que deixei para trás. Para que a vida que eu sempre quis não seja atropelada pelas escolhas erradas que fiz, como uma sombra na escuridão, pequena e distante no retrovisor.</p>
<p>Eu sigo viagem. Eu, meu cavalo, a carta do Rei me incumbindo da nobre tarefa de ser pai e um tesouro incalculável em meus braços. Sim, essa é a grande missão do guerreiro. Habilidoso ou não, sigo satisfeito em saber que já carrego comigo o grande prêmio da vida.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Essa crônica faz parte da série &#8220;Paternidade&#8221;:</p>
<p>1. <a href="http://missaovirtual.com/2006/07/25/a-explosao-da-vida/">A explosão da vida<br />
</a>2. <a href="http://missaovirtual.com/2006/08/21/versos-infantis-dessa-minha-felicidade/">Versos infantis dessa minha felicidade<br />
</a>3. <a href="http://missaovirtual.com/2006/10/23/as-grandes-conquistas-do-homem/">As grandes conquistas do homem<br />
</a>4. <a href="http://missaovirtual.com/2007/02/28/as-cegonhas-nao-existem/">As cegonhas não existem<br />
</a>5. <a href="http://missaovirtual.com/2007/03/25/o-amor-um-calcao-e-gestos-primitivos-cinco-minutos-antes-de-minha-vida-mudar/">O amor, um calção e gestos primitivos (cinco minutos antes de minha vida mudar)<br />
</a>6. <a href="http://missaovirtual.com/2007/05/31/colos-colicas-chavoes-e-uma-cronica-de-continuacao-2/">Colos, cólicas, chavões e uma crônica de continuação<br />
</a>7. <a href="http://missaovirtual.com/2007/08/21/na-falta-do-que-dizer/">Na falta do que dizer<br />
</a>8. <a href="http://missaovirtual.com/2007/09/13/pequenas-licoes/">Pequenas lições<br />
</a>9. <a href="http://missaovirtual.com/2008/02/29/doentes-curando-doentes/">Doentes curando doentes<br />
</a>10. <a href="http://missaovirtual.com/2008/03/17/primeiros-passos/">Primeiros passos<br />
</a>11. <a href="http://missaovirtual.com/2008/05/09/sobre-a-velhice-rotinas-e-prioridades/">Sobre a velhice, rotinas e prioridades<br />
</a>12. <a href="http://missaovirtual.com/2008/06/21/musica-para-os-meus-ouvidos/">Música para os meus ouvidos<br />
</a>13. <a href="http://missaovirtual.com/2009/04/09/e-o-futuro-a-quem-pertence/">E o futuro, a quem pertence?<br />
</a>14. <a href="http://missaovirtual.com/2009/05/20/versos-infantis-2-%E2%80%93-alegria-tristeza-e-distracao/">Versos infantis 2 &#8211; alegria, tristeza e distração<br />
</a>15. <a href="http://missaovirtual.com/2009/06/08/de-maos-dadas/">De mãos dadas<br />
</a>16. <a href="http://missaovirtual.com/2009/08/10/sobre-ser-pai-no-dia-dos-pais/">Sobre ser pai no Dia dos Pais<br />
</a>17. <a href="http://missaovirtual.com/2009/08/11/a-doce-presenca/">A doce presença</a></p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: amor de pai, cristianismo, deus, família, jesus, Paternidade <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/830/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/830/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=830&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas: Na sala do presidente</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/10/19/cenas-domesticas-na-sala-do-presidente/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 16:42:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[trapalhadas]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos - Filha, você quer ir trabalhar com o papai hoje? Tive que levar a Nina pro escritório. Além da grandiosa, epopéica, dificílima e quase impossível tarefa de pegá-la na escola, levar pra casa, dar o almoço &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/10/19/cenas-domesticas-na-sala-do-presidente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=827&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:luizhenrique@gmail.com" target="_blank">Luiz Henrique Matos</a></p>
<p>- Filha, você quer ir trabalhar com o papai hoje?</p>
<p>Tive que levar a Nina pro escritório. Além da grandiosa, epopéica, dificílima e quase impossível tarefa de pegá-la na escola, levar pra casa, dar o almoço e trocar de roupa, ainda me restava o desafio de carregar minha filha para o trabalho num dia em que minha esposa estaria presa em reuniões e não poderia estar em casa mais cedo.</p>
<p>Confesso que eu tinha medo de como ela reagiria ao ambiente, mas, eu não imaginava, o primeiro martírio foi meu e não dela. É constrangedor notar como você passa a ser o foco número um de olhares estranhos te seguindo os passos ao entrar de mãos dadas com um serzinho cor-de-rosa e menos de um metro de altura no seu ambiente de trabalho.</p>
<p>Vencida a barreira dos olhares e comentários, chegamos à minha mesa, tirei os badulaques, brinquedos e.</p>
<p>Passada a via-crúcis paterna, tudo ótimo. Minha filha me enchia de orgulho desenhando com seu super-lápis-de-cor no verso de alguns relatórios confidenciais que eu tinha que analisar. Ganhou mimos, saiu com uma colega para ganhar presentes na redação de revistas infantis, voltou feliz da vida com seu “kit das princesas” e perdeu um pouco a inibição do início de já conversava abertamente com as pessoas.</p>
<p>Até que&#8230;</p>
<p>Até que, o presidente da empresa entrou em nossa sala. Peraí, você leu direito isso aí? Eu disse: até que o PRESIDENTE da empresa entrou na sala! E minha filha ficou olhando aquela figura engravatada caminhar na nossa direção.</p>
<p>- Opa! Quem é essa aí? – ele disse sorrindo (bom, o fato de seu super-chefe sorrir não alivia em nada a tensão do momento).</p>
<p>- É a chefe nova – eu disse e, em seguida, já me arrependi (bom, o fato de você fazer uma brincadeira sem graça enquanto está diante do seu super-chefe demonstra que você nunca pode confiar em si mesmo diante de situações constrangedoras).</p>
<p>- Oi mocinha! Como você chama?</p>
<p>- Nina – ufa, ela respondeu!</p>
<p>- Que bonitinha&#8230;</p>
<p>Então ela olhou para as mãos dele, fitou nos olhos e soltou:</p>
<p>- Que isso aí na sua mão?</p>
<p>Eu já nem respirava mais.</p>
<p>- O quê? Ahh, você gosta de gibis? Esse aqui é o Pernalonga, conhece? – bem, antes que você pense que presidentes de grandes empresas andam com revistas em quadrinhos pelos corredores ao invés de relatórios e planilhas complexas, acho importante dizer que eu trabalho numa editora.</p>
<p>- Deixa eu ver?</p>
<p>- Olha aqui ó – ele ainda sorria (e um filme com a retrospectiva da minha carreira passava em minha mente em alta velocidade).</p>
<p>Então ele perguntou:</p>
<p>- Nina, você gosta de balas?</p>
<p>Ela, como filha educada que é, olhou para mim e ficou esperando a resposta. Ele, em sei lá qual condição, também me olhou e esperava uma resposta. E então, pela primeira e última vez na minha vida eu me vi dando alguma autorização para o presidente.</p>
<p>- Sim, pode dar – eu disse num misto de pavor e um pingo de satisfação.</p>
<p>- Vem comigo, Nina. Dá a mão pro tio.</p>
<p>Ela saiu pelo corredor de mãos dadas com ele. O tempo passava e eu não conseguia pensar em nada enquanto olhava fixamente pela porta por onde ela saiu.</p>
<p>Cinco, dez, 20 ou 190 minutos depois ela voltou. Da sala do presidente, ela chegou com as mãos cheias de balas 7Belo:</p>
<p>- Papai, papai! Olha!</p>
<p>- Eu falei pra ela pegar a balinha e ela me perguntou se “pode pegar duas”. Aí eu mandei ela encher a mão – ele me disse, ainda sorrindo (e isso já começava a me aliviar) – vai lá, Nina. Vai lá com seu pai.</p>
<p>- Puxa, obrigado Sr. Fulano&#8230; e, filha, agradeça o tio.</p>
<p>- Bligada!</p>
<p>- Ô, que nada. Tchau.</p>
<p>Eu me recuperava de um quase infarto e ela já enchia boca com duas balas ao mesmo tempo. Eu sei que ela nem tem dimensão da experiência que teve e é isso que mais me apaixona nas crianças. A ousadia livre de não ter sua opinião abalada pela posição das pessoas e apenas aceitá-las sem barreiras se elas lhe parecem sinceras e amigáveis (é claro que um pacotinho de 7Belo influencia muito nessa reciprocidade).</p>
<p>Minutos depois, um conference call acontecia na mesa ao lado e ela, já totalmente amiga de todo mundo, falava pelos cotovelos.</p>
<p>- Nina, shhhhiu&#8230; silêncio, filha!</p>
<p>Ela olhou para os lados, sondou as pessoas e perguntou sussurrando:</p>
<p>- Quem ali tá durmindo?</p>
<p>Meu telefone tocou. Era minha chefe. Eu, numa ligação mega-ultra-hiper-urgente tentava assimilar as decisões que ela me pedia para tomar enquanto prestava atenção na minha filha fugindo pelo escritório em direção à saída.</p>
<p>Um homem vinha pelo corredor e a pegou no colo. Primeira sensação: alívio (ela estava a salvo e eu poderia me concentrar no telefonema). Segunda sensação: dúvida (quem era o cara, afinal?). Terceira sensação: desespero (era o diretor de RH!).</p>
<p>O foco necessário na conversa telefônica me impede de analisar o que a Nina e ele conversaram naqueles minutos, mas eu confesso que ainda prefiro não saber o que se passou.</p>
<p>Antes de encerrar a ligação, o diretor já havia saído do local, a Nina estava sentada outra vez, de volta aos desenhos e às Princesas.</p>
<p>Terminei o que precisava fazer, enviei alguns últimos emails e desliguei o computador. Recolhi as coisinhas multicoloridas que enfeitavam minha mesa e enquanto a Nina se aprontava (e chupava a oitava balinha 7Belo), fiquei pensando nas duas novas amizades da minha filha, na visita a sós na sala do presidente, no cafuné recebido pelo diretor de RH e o agrado geral causado com a equipe.</p>
<p>- É, filha, em três horas por aqui você conquistou o que seu pai nunca conseguiu em sete anos de empresa.</p>
<p>(crônica para o <a href="http://frasesdecriancas.com" target="_blank">Frases de Crianças</a>)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: filhos, Paternidade, trabalho, trapalhadas <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/827/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=827&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas: trapalhadas paternas</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/10/16/cenas-domesticas-trapalhadas-paternas/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 18:06:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[frases de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Hoje minha esposa precisou sair mais cedo de casa e eu fiquei com a incumbência de acordar, vestir, dar o Nescau e levar a Nina para a escola &#8211; bem, é evidente que ela deixou cada &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/10/16/cenas-domesticas-trapalhadas-paternas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=824&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Hoje minha esposa precisou sair mais cedo de casa e eu fiquei com a incumbência de acordar, vestir, dar o Nescau e levar a Nina para a escola &#8211; bem, é evidente que ela deixou cada peça de roupa devidamente separada e o lanchinho pronto sobre a pia, para eu não esquecer.</p>
<p>- Henrique&#8230; Henrique? Henrique!?<br />
- Ahn? Oi&#8230;<br />
- Amor, estou saindo pro trabalho mais cedo. Acorde e preste bem atenção.<br />
- Tá.</p>
<p>E até agora uma sucessão de palavras fora de ordem e tarefas desconexas ainda tentam encontrar algum sentido na minha mente.</p>
<p>Acordei atrasado, me aprontei, ajeitei as coisas, me atrapalhei, acordei a Nina, segui o passo-a-passo matinal e fiquei tentando convencer minha filha de dois anos de que ir à escola é mais legal do que parquinho, desenho na TV, casa da vovó e brincadeira com o priminho.</p>
<p>Finalmente, convencida e com a mochila nas costas, saímos do apartamento e esperávamos pelo elevador quando ela se deu conta de que alguma coisa estava diferente na rotina dela:</p>
<p>- Cadê a mamãe?<br />
- A mamãe já foi para o trabalho, filha. Hoje ela tinha que ir mais cedo.</p>
<p>Ela pensou, olhou para o elevador, para a porta e, espantada, exclamou:</p>
<p>- Nóis tá sozinho!?</p>
<p>Pois é, querida, seu pai conseguiu&#8230;</p>
<p>(post para o <a href="http://frasesdecriancas.com" target="_blank">Frases de crianças</a>)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: frases de crianças, Paternidade, versos, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/824/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/824/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=824&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Cenas domésticas: sensibilidade paterna</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/08/17/cenas-domesticas-sensibilidade-paterna/</link>
		<comments>http://missaovirtual.com/2009/08/17/cenas-domesticas-sensibilidade-paterna/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 15:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[frases]]></category>
		<category><![CDATA[frases de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Deitei com a Nina para ver um desenho na tv. Ela ali, encolhida, com a cabecinha recostada no meu peito. Momento de plena satisfação paterna e eu acreditando que, afinal, é das pequenas coisas que se &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/08/17/cenas-domesticas-sensibilidade-paterna/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=772&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Deitei com a Nina para ver um desenho na tv. Ela ali, encolhida, com a cabecinha recostada no meu peito. Momento de plena satisfação paterna e eu acreditando que, afinal, é das pequenas coisas que se fazem a vida e tal e tal.</p>
<p>- Filha? &#8211; falei sem tirar os olhos da tv.</p>
<p>Ela só me olhou com o canto dos olhos, sorrindo.</p>
<p>- Papai ama muito você, viu?</p>
<p>- Tá bom!</p>
<p>Não satisfeito, tocado pelo momento, emendei.</p>
<p>- O papai gosta muito de ficar aqui brincando com você, sabia?</p>
<p>Ela me olhou de novo, sorriu, voltou os olhos pra tv e comentou:</p>
<p>- Tá, papai. Mas não chola, tá?</p>
<p>&#8211;</p>
<p>(postado originalmente no <a href="http://frasesdecriancas.blogspot.com" target="_blank">Frases de Crianças</a>)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: frases, frases de crianças, Paternidade, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/772/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/772/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=772&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A doce presença</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 14:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Deus pai]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Ela tem a capacidade sobre-humana de fazer desaparecer todo problema. Do alto de seus 80 centímetros ela torna pequenos todos os meus grandes assombros. Sua voz fina e miúda e o olhar vivo são capazes de &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/08/11/a-doce-presenca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=729&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Ela tem a capacidade sobre-humana de fazer desaparecer todo problema.</p>
<p>Do alto de seus 80 centímetros ela torna pequenos todos os meus grandes assombros. Sua voz fina e miúda e o olhar vivo são capazes de curar algumas dores.</p>
<p>Estou deitado no sofá-cama do quarto de hóspedes aqui de casa. Quer dizer, era pra ser um quarto de hóspedes, mas as caixas amontoadas, livros e revistas pelos cantos dão conta da bagunça. Mudamos recentemente e, como em toda mudança, algumas coisas ainda precisam de ajustes. O que deveria ser um quarto, por razões evidentes, ainda não é.</p>
<p>Eu também. Deveria ser uma coisa, seguindo um plano bem arquitetado, mas a bagunça e ausência – ou excesso – de certos valores me descaracterizam. Deitei-me e calei. Quieto. Não é um dia bom.</p>
<p>De repente ela aparece na porta. Pára, olha, sorri e entra correndo (ela corre o tempo todo, saltita, mesmo quando quer ser sorrateira). Observo. E esqueço de tudo por um instante e desfruto o momento de cumplicidade, sem que nada precise ser dito. Nessa hora, ela, assim como eu, não exigimos nada um do outro. Simplesmente nos acomodamos em paz. E o estar é suficiente.</p>
<p>Algo nela me faz perceber quão pequeno eu sou tantas vezes.</p>
<p>E como era antes? Como era a vida sem ela? Já nem sei mais. Sei que toda a existência ganhou um sentido especial, único e enobrecedor com um bebê habitando nossa casa. Mas, peraí, mas não era ela quem deveria depender de mim?</p>
<p>Às vezes eu me pergunto o porquê dessa relação. Qual a razão desse amor? Entenda, esse não é o tipo de amor que se escolhe, ele é instintivo. Filhos não são o tipo de gente que você vá conseguir moldar para incluir no seu padrão de preferências. Eles simplesmente chegam, se impõem em nossas vida e tomam um espaço maior do que poderíamos imaginar que eles deveriam ocupar. E nós os amamos incondicionalmente, sem achar que nos devem alguma coisa por isso (mesmo pensando no valor absurdo da parcela da escola e naqueles brinquedinhos do Mcdonalds que são descartados na mesma tarde).</p>
<p>Tenho repetido de maneira até cansativa que ser pai tem me ajudado a ser um filho melhor para Deus. Bem, eu não diria melhor, mas talvez um pouco mais consciente do sentimento dele e de suas decisões ao longo da história – dentro, é claro, das minhas limitações.</p>
<p>Mas, observar esse relacionamento, me faz pensar nas razões que motivaram o Deus Altíssimo, o Todo Poderoso, o Senhor do Universo – e todas esses substantivos e atributos que escrevemos em letras maiúsculas em sinal de respeito e reverência – a criar o homem, esse ser tão fraco, confuso, falível e imperfeito.</p>
<p>Eu sei o quanto erro na maioria das minhas escolhas, reflito sobre minhas dúvidas e também sobre o quanto ele tem todas as respostas e fico pensando: porquê eu? Porque ele decidiu me amar? Porque ele se faz pequeno e restrito para que possamos compreendê-lo e não se irrita pelo fato de usarmos essa condição para questioná-lo e restringi-lo à nossa pequenez? Porque criamos religiões e costumes formais quando ele só queria que estivéssemos por perto, ao alcance de seu cuidado?</p>
<p>Bem, minhas questões existencialistas não passam pelo meu relacionamento com a Nina e eu sei bem que esse texto já tomou um rumo pouco agradável. Mas no fim, o que estou tentando compreender e expor é que Deus, podendo criar qualquer coisa que desejasse, concebeu o homem e, em nós, escolheu imprimir sua imagem e semelhança. Nos deu um espírito, nos fez conscientes de nossos atos, pôs um coração pulsante de vida e sentimento em nosso peito.</p>
<p>Eu sei que jamais entenderei suas razões, mas sou grato em pensar que ele nos fez para acabar com a solidão e o vazio do mundo. Fico feliz e um tanto intrigado ao pensar que é possível que Deus não quisesse estar só ou não sentisse que simplesmente ser Deus fosse suficiente para si e desejou criar-nos para extravasar esse amor, para que pudéssemos entender a essência do que ele é quando sentíssemos uma parcela do que ele sente.</p>
<p>Talvez as coisas sejam mais simples do que pensamos. Geralmente são.</p>
<p>Deus é amor. E quando amamos, nós o entendemos. Quando amamos plenamente, nele estamos. E é esse amor absurdo, que não se explica, não se escolhe, que chega e se impõe, que ocupa um lugar no peito sem que possamos determinar sua parcela. É como a minha própria criação invadindo meu quarto bagunçado, acabando com o silêncio e a solidão. É como o fruto do meu amor, me olhando nos olhos, trazendo alegria para esse dia cinzento, tendo em si a capacidade sobrenatural de acabar com tristeza&#8230;</p>
<p>É um filho desinteressado entregando-se nos braços do pai.</p>
<p>&#8211;</p>
<p><strong>Leia também:</strong><a href="http://missaovirtual.wordpress.com/2009/06/08/de-maos-dadas/" target="_blank"><br />
De mãos dadas</a><br />
<a href="http://missaovirtual.wordpress.com/2009/05/20/versos-infantis-2-%E2%80%93-alegria-tristeza-e-distracao/" target="_blank">Versos infantis 2 &#8211; Alegria, tristeza e distração</a></p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: amor de Deus, Deus pai, jesus, Paternidade <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/729/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=729&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre ser pai no dia dos pais</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:19:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor de pai]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos O melhor do dia dos pais não é estrear no clube dos adultos &#8211; bem, ao menos na minha visão conservadora, ainda acho que os pais deveriam ser adultos &#8211; mas, descubro meio sem querer, é &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/08/10/sobre-ser-pai-no-dia-dos-pais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=717&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>O melhor do dia dos pais não é estrear no clube dos adultos &#8211; bem, ao menos na minha visão conservadora, ainda acho que os pais deveriam ser adultos &#8211; mas, descubro meio sem querer, é a chance de ser criança sem que ninguém te cobre diferente.</p>
<p>Dia dos pais é dia de ser brega, de ganhar presente e de usar pantufa, de grudar na geladeira uma folha de papel com algum desenho rabiscado em guache, de ser paparicado no almoço, de ficar à toa em casa com a prole, de brincar com a filha e a esposa. É o domingo ideal. Dia dos pais é o dia de sentir-se o &#8220;patriarca&#8221;,  ainda que esse sentimento se dê pelo fato simples de jogar bola com sua filha de dois anos, de determinar o time que a pequena vai torcer e poder escolher a sobremesa do almoço.</p>
<p>Grande dia!</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: amor de pai, dia dos pais, Paternidade <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/717/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=717&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas: hora de nanar</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/07/29/cenas-domesticas-hora-de-nanar/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 20:32:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[cenas domésticas]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Era noite, todos cansados, a família toda deitada na cama de casal, as luzes apagadas e uma fresta da janela aberta mostrava o céu escuro com as poucas estrelas que a cidade grande permite ver. A &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/07/29/cenas-domesticas-hora-de-nanar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=709&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Era noite, todos cansados, a família toda deitada na cama de casal, as luzes apagadas e uma fresta da janela aberta mostrava o céu escuro com as poucas estrelas que a cidade grande permite ver. A Nina, como sempre, estava deitada no &#8220;meínho&#8221; (como gosta de dizer) e, contrariando o desejo dos pais, teimava em não dormir. Depois da bronca derradeira, ela silenciou por um instante e tentou o último diálogo:</p>
<p>- Mamãe?<br />
- O que é, Nina?<br />
- Tá esculo?<br />
- Tá&#8230;<br />
- Tá noite?<br />
- Tá&#8230;<br />
- O céu já tá dumindo?!</p>
<p>Quem resiste?</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: cenas domésticas, família, frases infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/709/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/709/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=709&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Cenas domésticas: Sesta</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/06/29/cenas-domesticas-sesta/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 17:47:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[frases]]></category>
		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Depois do almoço, a Nina estava descaradamente com sono. - Papai, quero o DVD da Lola&#8230; - A Lola e o Charlie foram dormir um pouco, filha. - Quero o Barney. - O Barney também está &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/06/29/cenas-domesticas-sesta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=629&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Depois do almoço, a Nina estava descaradamente com sono.</p>
<p>- Papai, quero o DVD da Lola&#8230;<br />
- A Lola e o Charlie foram dormir um pouco, filha.<br />
- Quero o Barney.<br />
- O Barney também está cochilando.<br />
- Ahnf! – contrariada, esfregando os olhos.<br />
- Nina, você sabe o que tooodas as criancinhas fazem, quietinhas, deitadas, logo depois do almoço?<br />
- Arrãm.<br />
- Ah, sabe? O que elas fazem?</p>
<p>Ela pensou um pouco.</p>
<p>- Bagunça!</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: frases, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/629/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/629/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=629&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>De mãos dadas</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/06/08/de-maos-dadas/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 15:58:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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		<description><![CDATA[É irônico, certamente, depois de alguns anos de convivência mais íntima, saber que o meu Pai, o Deus da minha vida, perfeito e soberano, tem justamente no amor a sua fraqueza. E sensibilizado pelos corações quebrantados, pelas atitudes rebeldes, pelo choro desesperado, pela rendição cega e confiante dos filhos, ele se move, ele se rende, se entrega, encarna, perdoa, carrega, refaz. Ele estende a mão. <a href="http://missaovirtual.com/2009/06/08/de-maos-dadas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=585&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<div id="attachment_586" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/06/maos_dadas_2.jpg"><img class="size-full wp-image-586 " title="maos_dadas" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/06/maos_dadas_2.jpg?w=584" alt="De mãos dadas"   /></a><p class="wp-caption-text">De mãos dadas</p></div>
<p>Se tem algo que eu gosto é segurar a sua mão. Não importa a ocasião, ao atravessar a rua, sentados nos sofá, ajudando a fazer força enquanto ela usa o banheiro ou simplesmente para dirigi-la em alguma situação. Aquela mãozinha envolvida na minha me ajuda a ter a dimensão da sua dependência – e o meu desejo de sempre garantir que ela saiba disso. Os dedos finos, a pele delicada, a palma da mão morna e úmida de suor, a minha certeza de ter o que é meu por herança.</p>
<p>Por uma mão ela arrasta uma boneca, um copo de leite, um lápis de cor com a ponta gasta. Por outra ela se arrasta, segue cegamente os passos daquele em quem confia e lhe dirigirá os passos.</p>
<p>Não preciso dizer que ela tem crescido mais rápido do que eu gostaria. Daqui a pouco ela será maior do que eu, mais inteligente, independente e, apesar de mais magra – isso não é nada difícil dado o meu último indicador na balança da farmácia – eu já não conseguirei carregá-la no colo.Mas não importa o quanto ela cresça, acho que sempre terei a sensação de que sua mão cabe dentro da minha e que, desse jeito, continuarei sendo o “papá” a quem ela recorre quando precisa de algo, quando deseja brincar, quando quer descansar.</p>
<p>Gosto de não precisar ouvi-la dizer nada e apenas erguer os braços com a mão espalmada tendo a certeza de que eu retribuirei. Gosto de sentir os dedinhos se entrelaçando aos meus, me dando a sensação tátil do mesmo sangue que somos. Não gosto de vê-la com medo, chorando, mas corro e me precipito em segurá-la, mãos erguidas em minha direção, para que saiba que sempre, sempre estarei ali para ampará-la. Faço tudo para estar.</p>
<p>Imaginar minha cria sozinha, abandonada à sorte, provas e desafios que esse mundo descarrega sobre nós não é dos sentimentos mais agradáveis. Chego a pensar que gostaria de tê-la nos braços o tempo todo. Mas sei que não é possível e, por hora, imagino também que não é o mais apropriado. Ela precisa viver, vai precisar aprender, vai ter que se virar sozinha. O coração debate com a razão e preciso aprender, eu, que o melhor a ser feito é o que é melhor pra ela. Dura realidade.</p>
<p>Ela já toma algumas decisões sozinha. Já fala por si. Ela já sabe andar em alguns lugares que antes lhe pareciam difíceis. Agora ela pedala o velotrol e já não depende de mim para empurrá-la. Eu estufo peito, coruja, ela tem aprendido coisas comigo – e eu ainda não me toquei que “velotrol” é uma palavra que morreu na minha infância e muito provavelmente ela nunca usará na vida!</p>
<p>Mas ainda tenho coisas a ensinar e minha alegria é estar com ela para isso. Caminhando de mãos dadas, fico feliz em poder andar devagar, no seu ritmo e limitações, para lhe mostrar o caminho que eu vejo à frente. Falo da forma mais simples possível para garantir que ela me entenda. Conto histórias e imagino coisas para que o conhecimento lhe seja algo claro.</p>
<p>Quero percorrer ao seu lado as trilhas que já conheço. Quero que sua infância seja recheada das brincadeiras, da ingenuidade e da inocência que eu acho que teve a minha. Quero que saiba que ao contrario do que argumenta um dos seus tios, torcer para o São Paulo é definitivamente uma boa escolha. Quero que ela conheça o Deus amoroso que eu conheço e o ame mais do que eu. Quero aprender tabuada, logaritmos, pi, raiz quadrada e alguma coisa de física – que nunca me entraram na mente – para poder ajudá-la a estudar nas provas do colégio. Quero, a contragosto e sem a mínima pressa (fique isso bem claro e documentado), poder conduzi-la até o altar ao encontro do homem de sua vida e que se realizem, que descubram juntos o amor e a razão do que os dois nasceram para ser: um. Quero repartir minhas experiências e aprendizados para poupar-lhe esforço e sofrimento, mesmo sabendo que, assim como eu fiz um dia, ela vai me achar um tolo antiquado e ignorar a maioria desses conselhos – e eu não me sentirei vingado quando, depois de se dar conta, ela falar que eu tinha razão. Quero mesmo que ela tenha mais razão do que eu, porque isso também mostrará que foi mais longe do que o pai.</p>
<p>E só quero ainda, assim de forma egoísta mesmo, que ela saiba de tudo isso e quando afinal descobrir que não sou tão grande, forte, inteligente quanto pensou a vida toda e então souber que o herói de sua infância é um pobre homem falível e cheio de pecados, que ainda assim se sinta orgulhosa em me chamar de pai. E que eu estarei sempre ali.</p>
<p>É irônico, talvez, saber que um filho não conhece a fraqueza de seu pai até que os anos passem e finalmente os corações se encarem e tudo venha a tona.</p>
<p>É irônico, certamente, depois de alguns anos de convivência mais íntima, saber que o meu Pai, o Deus da minha vida, perfeito e soberano, tem justamente no amor a sua fraqueza. E sensibilizado pelos corações quebrantados, pelas atitudes rebeldes, pelo choro desesperado, pela rendição cega e confiante dos filhos, ele se move, ele se rende, se entrega, encarna, perdoa, carrega, refaz. Ele estende a mão.</p>
<p>O Deus amor é Pai.</p>
<p>E, bem, talvez ele não seja são-paulino, talvez nunca me explique pra que raios servem os logaritmos, talvez tenha me deixado só por um tempo para eu aprender a andar sozinho. Mas, quando estendo minha mão espalmada, morna e úmida de suor para o alto e diante dele estou&#8230; arrependido, dependente, grato, resignado, com medo ou simplesmente estou, posso sentir a sua mão, forte e também delicada, e os dedos entrelaçados aos meus me dando a segurança de sua presença e a afirmação eterna de que sou filho, fruto do seu sangue.</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: amor, deus, jesus, maos dadas, Paternidade <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/585/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/585/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=585&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domesticas: Co-piloto</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/06/04/cenas-domesticas-co-piloto/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 05:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Já era tarde. Quase dez. Hora de criança estar na cama, já diriam várias pessoas. Mas nós ainda estávamos na rua, no carro, a família toda voltando do shopping. Adultos na frente, em silêncio, acreditando no &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/06/04/cenas-domesticas-co-piloto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=567&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Já era tarde. Quase dez. Hora de criança estar na cama, já diriam várias pessoas. Mas nós ainda estávamos na rua, no carro, a família toda voltando do shopping. Adultos na frente, em silêncio, acreditando no sobrenatural poder sonífero que os automóveis exercem sobre as crianças e desejando que a nossa já estivesse dormindo para ainda tentar ver um filme qualquer no DVD (é incrível como nosso critério de filme bom muda depois da paternidade – até o Van Damme vira um clássico, raridade mesmo).</p>
<p>Finalmente, já na garagem do prédio, duas ou três curvas feitas suavemente e estacionamos o carro. Música desligada, freio de mão puxado, cintos soltos correndo de volta para o buraco-negro dos cintos de segurança e lá de trás uma voz desponta no silêncio:</p>
<p>- Ahh, cheguei!</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: amor, crianças, Paternidade, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/567/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=567&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas – Mestre-cuca</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/05/27/cenas-domesticas-%e2%80%93-mestre-cuca/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 17:56:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[frases de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos No parquinho, ela brincava na casinha de plástico. Abre daqui, fecha dali e, de repente, uma revoada de crianças barulhentas (acho que isso é redundância, não sei não) passa correndo pelo lugar. Ela observa pela janela &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/05/27/cenas-domesticas-%e2%80%93-mestre-cuca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=562&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>No parquinho, ela brincava na casinha de plástico. Abre daqui, fecha dali e, de repente, uma revoada de crianças barulhentas (acho que isso é redundância, não sei não) passa correndo pelo lugar. Ela observa pela janela da barraca, atenta, séria, entretida aos movimentos da molecada. E quando a turma ameaça correr em direção à saída, ela pára na porta e grita:</p>
<p>- Ei, venham papá, crianças!</p>
<p>:)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: Crônicas, frases de crianças, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/562/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=562&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Versos infantis 2 – Alegria, tristeza e distração</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/05/20/versos-infantis-2-%e2%80%93-alegria-tristeza-e-distracao/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 19:26:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[versos infancia alegria tristeza distracao]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Eu sou um distraído. Esqueço das coisas quase sempre. Por isso anoto tudo, por isso me organizo excessivamente. Esqueço carteira, reuniões, chaves, blusa e crachás – só não esqueço nomes, sabe lá por que, mas não &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/05/20/versos-infantis-2-%e2%80%93-alegria-tristeza-e-distracao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=546&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/05/090424_e.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-547" title="090424_e" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/05/090424_e.jpg?w=584" alt="090424_e"   /></a></p>
<p>Eu sou um distraído. Esqueço das coisas quase sempre. Por isso anoto tudo, por isso me organizo excessivamente.</p>
<p>Esqueço carteira, reuniões, chaves, blusa e crachás – só não esqueço nomes, sabe lá por que, mas não vem ao caso. Às vezes, esqueço até dos sentimentos. Às vezes eu esqueço a tristeza. Estou triste e de repente me distraio. E, não sei não, acho que às vezes a tristeza faz parte. É como a dor. Não faz bem esquecer a dor. Dor nas costas, por exemplo, que fica ali quietinha, confortável. Mas aí, se de repente você se mexe do jeito errado&#8230; aiii!</p>
<p>Agora, da alegria eu não esqueço. Da alegria eu não me perco, fico nela concentrado, empenhado, distraído. Alegria é distração. E a alegria, a minha, tem cara, tem jeito, tem gosto. Tem a cara da Nina sorrindo, tem o jeito de Deus me mimando, tem o gosto do beijo da minha Manú.</p>
<p>Mas aí, de vez em quando, vem a tristeza e sua teimosia e, nessas horas, se você mexe do jeito errado&#8230; aiii! E aí eu já nem me esforço em me concentrar. Eu fico ali, ansioso por uma alegria pra me distrair.</p>
<p>E ela aparece, e sorri, como agora.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>(Notas para eu não esquecer: anotação do dia 16/5/9, por volta de oito da noite; o crédito da foto é do blog <a href="http://www.interludio.net/" target="_blank">Interlúdio</a>)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: versos infancia alegria tristeza distracao <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/546/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/546/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=546&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>E o futuro, a quem pertence?</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/04/09/e-o-futuro-a-quem-pertence/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 12:16:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Estava pensando na minha filha ainda há pouco. Pela manhã eu olhei o tamanho que ela já está, os dois anos que passaram tão rápido e essas coisas de todo pai. A preocupação bateu quando tentei &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/04/09/e-o-futuro-a-quem-pertence/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=466&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p><a href="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/04/430716741_ba4c7afa52.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-467" title="Sementes (crédito: pictoscribe)" src="http://missaovirtual.files.wordpress.com/2009/04/430716741_ba4c7afa52.jpg?w=584" alt="Sementes (crédito: pictoscribe)"   /></a></p>
<p>Estava pensando na minha filha ainda há pouco. Pela manhã eu olhei o tamanho que ela já está, os dois anos que passaram tão rápido e essas coisas de todo pai. A preocupação bateu quando tentei imaginar essa menininha já adulta, daqui alguns anos, construindo sua família e tudo mais.</p>
<p>E somado a isso, andei pensando também nessa coisa toda de aquecimento global, corrupção, violência, fome e pobreza. O mundo anda cada vez mais complicado. Parece-me que à medida que se amplia o acesso às informações sobre o caos em que estamos vivendo, cresce também a voracidade com que essa desigualdade se agrava.</p>
<p>E eu pensei na Nina outra vez. Que será do mundo quando ela já for adulta? Vai saber&#8230; Eu fico com um certo receio em pensar no tipo de prato que meus netos comerão à mesa, do ar que vão respirar, o tipo de proteção métodos de segurança que precisarão seguir antes de sair na rua. Tanta coisa.</p>
<p>Geralmente quando penso no legado que poderei deixar para meus filhos e netos, me vem à mente experiências, aventuras, princípios, erros e acertos que eu tanto gostaria de que se lembrassem. Penso também nos recursos materiais que me esforço para guardar e que poderão lhe garantir algum conforto. Mas esqueço do mundo.</p>
<p>Quer dizer, eu lembro de ensinar a Nina que ela precisa dividir seus brinquedos, ser “boazinha” e doar o que não usa. Eu procuro dar o exemplo fazendo alguma coisa. Mas é pouco, muito pouco.</p>
<p>O mundo, termo que generaliza pessoas – que é termo que generaliza o José, o Mohamed, o John, o Akira, o Makelele e cada ser humano que respira nesse planeta. Pois bem, o mundo precisa de algo mais de mim. Eu preciso fazer mais por ele, por todos.</p>
<p>Coisas simples. Se me foi dada uma condição de vida melhor que de meus semelhantes, então eu posso doar mais. Se eu aprendi a fazer algo que pode ajudar outros a se desenvolverem, então eu posso ensinar. Se&#8230; pois é, existem várias alternativas em minha mente, mas o gesto mais simples de estender a mão ao próximo é um passo que precisa ser dado. Como diz a sabedoria popular:  comece limpando a sua calçada.</p>
<p>Sou cristão. Não digo isso porque acho que esse fato me garanta alguma condição especial. Pelo contrário, acho que minha crença me obriga a seguir um exemplo e alguns mandamentos a respeito de amor, generosidade, hospitalidade, doação, serviço, compaixão e entrega, que constam de forma enfática nos livros sagrados.</p>
<p>Há algum tempo, um amigo me falava sobre essa questão de plantar e colher. Está na Bíblia, mas é basicamente a velha regra natural da agricultura: o que você planta hoje, colhe amanhã. Às vezes o amanhã não é literal, às vezes quem vai colher o fruto dessa semente que lançamos não somos nós, mas outra pessoa, outra geração. Isso vale para gestos, coisas, investimentos – e plantas, evidentemente.</p>
<p>Até poucos meses, nosso mundo vinha passando por um período de bonança que há muito tempo não se via. Abundância de recursos, dinheiro, crédito, todo mundo esbanjando e aproveitando sua prosperidade. Tudo, segundo essa conversa com meu amigo, fruto de boas sementes plantadas lá atrás.</p>
<p>Pois é, mas acontece que nossa colheita também produz coisas. A maneira como arrancamos tais “frutos”, sem deixar a terra pronta para receber novas sementes, sem regar um pouco, pode impedir o novo plantio. Ficamos tão afobados em aproveitar a boa onda que deixamos de lado nossa obrigação em preservar para o futuro.</p>
<p>E a Nina, o que ela vai colher? Bom, tudo depende do que eu decidir plantar hoje.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>(crédito da foto: flickr de <a href="http://www.flickr.com/photos/pictoscribe/" target="_blank">pictoscribe</a>)</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/466/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=466&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas &#8211; Herbalife</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/03/25/cenas-domesticas-herbalife/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 12:41:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[frases]]></category>
		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Centro de São Paulo, rua lotada, multidões de pessoas se empilhando por todo lado e ambulantes vociferando suas ofertas de produtos piratas. Nesse embaraço, o pai a carrega no colo já há quase uma hora. O &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/03/25/cenas-domesticas-herbalife/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=435&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Centro de São Paulo, rua lotada, multidões de pessoas se empilhando por todo lado e ambulantes vociferando suas ofertas de produtos piratas.</p>
<p>Nesse embaraço, o pai a carrega no colo já há quase uma hora. O braço cansado, a coluna pendente, as pernas fracas, o suor em bicas. Ela já tem dois anos. Ela já tem quase 15 quilos. Ela sorri. Está tudo bem.</p>
<p>Ela para de olhar a rua por um segundo, sonda o rosto do pai, o fixa nos olhos, passa os dedos pela barba e com os dedinhos juntos aperta-lhe as bochechas enquanto exclama sorridente:</p>
<p>- Gordinho!</p>
<p>Era só o que me faltava.</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: crianças, frases, Paternidade, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/435/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=435&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas domésticas &#8211; Aniversário</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2009/03/11/cenas-domesticas/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 12:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<category><![CDATA[versos infantis]]></category>

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		<description><![CDATA[Da série &#8220;Coisas lá de casa&#8221;&#8230; Mãe: Nina, fala pra mamãe: quantos aninhos a Nina vai fazer?!? Nina: Deeeeeezzzz! Mãe: Não, filha, são dois&#8230; assim ó, com dois dedinhos. Conta junto com a mamãe. Depois do número 1 vem o&#8230; &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2009/03/11/cenas-domesticas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=390&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da série &#8220;Coisas lá de casa&#8221;&#8230;</p>
<p>Mãe: Nina, fala pra mamãe: quantos aninhos a Nina vai fazer?!?<br />
Nina: Deeeeeezzzz!<br />
Mãe: Não, filha, são dois&#8230; assim ó, com dois dedinhos. Conta junto com a mamãe. Depois do número 1 vem o&#8230;<br />
Nina: Dooooooiissss<br />
Mãe (empolgada): Isso, bebê!!! Que linda! Agora fale&#8230; quantos aninhos a Nina vai fazer?!?<br />
Nina: Deeeeeezzzzz!!</p>
<br />Publicado em Crônicas, Paternidade Tagged: crianças, frases, Paternidade, versos infantis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/390/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=390&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Música para os meus ouvidos</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2008/06/21/musica-para-os-meus-ouvidos/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 04:40:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[jesus cristo]]></category>
		<category><![CDATA[louvor]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Ela tem dois olhos bem redondos, castanhos e quase sempre animados enquanto se concentram em alguma atividade. São esses olhinhos, muitas vezes, a primeira coisa que vejo no dia, bem de perto, quando acordo e ela &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2008/06/21/musica-para-os-meus-ouvidos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=233&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:luizhenrique@gmail.com" target="_blank">Luiz Henrique Matos</a></p>
<p><img style="vertical-align:middle;" src="http://www.rci.rutgers.edu/~yannis/snoopy-piano.jpg" alt="" width="300" height="177" /></p>
<p>Ela tem dois olhos bem redondos, castanhos e quase sempre animados enquanto se concentram em alguma atividade. São esses olhinhos, muitas vezes, a primeira coisa que vejo no dia, bem de perto, quando acordo e ela já está ali na cama, quietinha, esperando. E abre um sorriso, com seus cinco dentes na boca, os olhinhos ainda inchados, as bochechas coradas e os dedos que me cutucam os olhos quando eu ouso fechá-los na tentativa de dormir mais um pouco, uns cinco minutos. Mas não dá, é irresistível. Ela está ali, com a testa colada na minha, respirando no meu rosto, me encarando, animada para começar o dia.</p>
<p>São os olhos espertos que me sondam pelo espelho, enquanto faço a barba no banheiro (“ué, que negócio é esse na cara dele?”, acho que ela pensa). Olhos atentos que me enxergam de longe no supermercado e eu a vejo estender a mão, me chamando para perto. São os olhos vagos semi-cerrados que pedem colo, lá pelas tantas da noite, quando ela já não resiste ao sono. Os mesmos que, cheios de lágrimas, pedem socorro depois do seu fracasso (leia-se: tombo) na tentativa de escalar algum móvel na sala. É o olhar brilhante, vivo, rodeado por aqueles cilhos compridos, o rosto gorducho e a boquinha rosada. É a sensação incrível de ver aquela pessoinha correr estabanada na minha direção ao me ver chegar em casa.</p>
<p>Fiquei mal acostumado. Eu diria: bem acostumado. Minha esposa iria falar que eu sou é carente mesmo. Mas o fato é que todos os dias espero por isso. Chego do escritório e, enquanto subo pelo elevador do prédio, já ajeito os papéis sob o braço e a alça da pasta sobre o ombro para abrir a porta de casa e esperar que ela venha.</p>
<p>Essa é das coisas mais rotineiras, eu bem sei. Sempre achei um clichê, gesto enfadonho, momentos estereotipados nos comerciais, a cena do pai ajoelhado, gravata frouxa no colarinho, sorriso estampado no rosto e braços abertos, esperando o filho que corre para se achegar em seus braços. O fato é que é exatamente assim que acontece. E eu me rendo ao rótulo que se quiser dar a isso e digo, a bem da verdade, é dos momentos que mais espero no dia.</p>
<p>E numa dessas “feiras” das quais se fazem os dias não ociosos da semana aconteceu, como sempre. Todo o ritual se repetiu, do elevador à porta de casa, do tilintar da chave na fechadura aos ruídos dela se movimentando na sala, do ranger da dobradiça enquanto a porta se abria (que agora lembrei ainda não cuidei de arrumar) aos primeiros sons da sola do meu sapato pisando no corredor da sala, do “quem chegô?” dito pela minha esposa ao afrouxar da gravata no colarinho. E foi ali, ao topar de frente com minha menininha correndo que ouvi:</p>
<p>- Papa!</p>
<p>Ela falou!</p>
<p>Saiu em disparada do sofá, as bochechinhas tremendo, os passos concentrados na minha direção. Em disparada, meu peito acelerava na sensação única de ver meu fruto me olhar nos olhos e dizer meu nome – ou a palavra mais simples que signifique essa condição paterna.</p>
<p>- Papapapapapapa&#8230; papa!</p>
<p>- Oi Nina!</p>
<p>Ela falou para mim. E se me pedisse o mundo naquela hora eu lhe daria (sabe como é, financiamentos bancários já não são tão difíceis de se conseguir ultimamente).</p>
<p>Eu olhava para aquela coisinha, que ainda precisa de mim para qualquer de suas necessidades básicas de sobrevivência e tinha consciência de que, naquele instante, ela era dona do meu coração. Seus olhinhos redondos brilhavam e o rosto sorridente me perseguia.</p>
<p>Duas silabas elementares no vocabulário de qualquer ser humano com mais de 6 anos, mas que a julgar de onde vinham, tornavam todas as outras coisas menos importantes por um momento. Era o melhor dos elogios que eu podia ter ouvido nesses dias.</p>
<p>Sim – respondendo a uma pergunta que talvez você não tenha feito –, ela já havia falado outras coisas antes. Disse “mamã” para chamar aquela que é justa merecedora da primeira fala. E disse “kissss”, para chamar a nada merecedora cachorrinha no quintal da casa da minha sogra, enquanto fingia estalar os dedos.</p>
<p>(Eu estava em terceiro lugar nessa fila, mas quem se importa com o detalhe de que antes de me chamar ela tenha aprendido a correr atrás de uma poodle que não lhe dá a menor atenção e que ela só vê uma vez por mês? Quem liga? Hein? E estalar os dedos! Hein?!?)</p>
<p>E aquela voz admirada se dirigindo a mim soava como expressão de louvor. Era ela, minha cria, aprendendo uma coisa nova e se expressando para mim. Orgulho, corujice, satisfação, amor, coração mole, euforia, puro exagero. Sim, a mãe dela tem razão, sou meio carente.</p>
<p>Aquela voz, o resmungo, o chorinho pelo qual eu largo tudo e lhe volto minha atenção. Deixo trabalho, abandono um livro aberto sobre a mesa, largo as tarefas por fazer, deixo o feijão esfriar no prato, desligo o futebolzinho na TV. Abandono a mais importante das prioridades, porque meu pequeno fruto precisa de mim. Eu nunca imaginei que seria assim, mas o coração de pai renuncia de si em favor do seu sangue que corre naquelas frágeis veias.</p>
<p>E ainda agora, alguns meses depois, aquela vozinha mínima me chamando ainda é capaz de me mover. E fico pensando que vai ser assim a vida toda. Se ela chama, eu vou. Se estou deitado, me levanto. Se ela diz algo, respondo. Se ela chora, eu acordo. Se ela pede, invariavelmente, eu dou.</p>
<p>Ela é filha, eu sou pai. E quando ouvimos a voz da nossa própria carne nos chamando, que pai não pára e se curva para ouvir, responder, atender ao pedido de um filho?</p>
<p>Quem resiste?</p>
<p>Nenhum pai. Nem o Pai.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/233/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/233/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/233/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=233&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre a velhice, rotinas e prioridades</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2008 20:50:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Eu nem posso dizer que não haviam me avisado. As frases-feitas me passam pela mente como verdades nas quais eu não quis acreditar. &#8220;O tempo voa&#8221;, &#8220;vixe, passa rápido&#8221;, &#8220;aproveite agora&#8221;, &#8220;você vai ver como cresce &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2008/05/09/sobre-a-velhice-rotinas-e-prioridades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=187&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Eu nem posso dizer que não haviam me avisado. As frases-feitas me passam pela mente como verdades nas quais eu não quis acreditar. &#8220;O tempo voa&#8221;, &#8220;vixe, passa rápido&#8221;, &#8220;aproveite agora&#8221;, &#8220;você vai ver como cresce rapidinho&#8221;… eles tinham razão.</p>
<p>No mês passado ela fez um ano. Já fez um ano! Corre para todo lado, balbucia as primeiras palavras, arrasta os brinquedos pela sala, faz as manhas de todo neném quando quer algo e engorda e cresce em ritmo de gado novo. O que eu posso fazer? Nada, nem sei por que pergunto. Os cabelinhos encaracolados, a pele branca, bochechas gordas, a boquinha rosa&#8230; Nina, meu neném, até há pouco tempo totalmente dependente, agora é uma pessoinha cheia de vontades, uma menina, criança, que daqui a pouco cresce e cresce mais. E assim vai. Quando se vê, já foi.</p>
<p>Passa rápido demais. E percebo que tem coisas dos últimos anos que se misturaram na memória. Vi-me mais uma vítima de outra verdade, a de que depois dos dezoito os anos já quase não se contam. E ficam esparsos, cada vez mais, os momentos memoráveis do dia-a-dia. A praga da rotina.</p>
<p>Não, não reclamo da vida. Ela é boa demais da conta. Tenho esposa, uma filha, trabalho. Tenho Deus, meu Senhor e Pai. Minha família e meus amigos. O que paro pra pensar é na rotina – sempre ela – e nos dias que insistem a passar, na parte da vida que se contam nas horas, que observo já vivida, lá atrás, através do retrovisor do carro que dirijo em primeira marcha no trânsito caótico dessas nossas avenidas.</p>
<p>Também não vou me iludir, o auto-engano é frustrante demais. Sei que as coisas continuarão como são e assim sempre serão. Mas eu não. Quero fazer diferente.</p>
<p>E isso passa pelos momentos memoráveis, daqueles mais simples, de um dia de boas risadas, boa comida, de descompromisso.</p>
<p>É o que eu quero. Estar com minha família e aproveitar. Lembrar que os recursos mais valiosos são aqueles para os quais dedico mais tempo. Jesus disse: “onde estiver o seu coração, ali estará o seu tesouro”. Falta agora um pouco dessa ordem em mim.</p>
<p>Deus, família, trabalho, igreja&#8230; tudo tem sua ordem, seu tempo, valor. Mas mais do que uma fração de minutos ou dias, importa a qualidade e não a quantidade que se emprega.</p>
<p>Para entender esse valor, recordo das boas marcas e lembranças. São essas coisas que quero viver mais. Em casa, à mesa, na rua, no chão, na estrada, à mesa, de mãos dadas. Sei que sou mais do que o acaso. Sei, em Deus, que existe um propósito para a vida. E eu gostaria de envelhecer e saber que cumpri com integridade minha jornada, o bom caminho. Mas não só. Se for assim não tem graça. Bom será saber que o fiz ao lado daqueles a quem amo.</p>
<p>Todos lá sentados num gramado de verde quase escuro, numa tarde de sol brando e céu azul, ao lado do pomar, em frente à casa de madeira clara, o cão correndo pelo jardim, as crianças brincando na terra, os adultos brincando na terra, uma boa rede estendida, a mesa posta com toalha branca embaixo da árvore cujo galho serve de sustento para o balanço de pneu de caminhão, o suco fresco servido gelado, a moça grávida sonhando com os dias da nova vida que carrega no ventre ao lado do marido que lhe acaricia os cabelos, o cheiro de café coado e recém fervido no bule invadindo o ar&#8230; e a certeza de que isso não nos custa mais do que um bom sonho.</p>
<p>Salomão sabia das coisas. Já idoso, no fim da vida, tratou de registrar o que observou para que pudéssemos aprender alguma coisa.</p>
<p>“Portanto, vá, como com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo. Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol. O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.” (Eclesiastes 9:7-10).</p>
<p>E penso, decido agora, que não vou eu esperar o fim da vida para chegar às mesmas conclusões que o sábio rei. Posso e vou fazer agora, aquilo que de fato tem valor. Quero ser o homem rico, cheio do tesouro que realmente interessa e vale a pena acumular.</p>
<p>Meu coração está no meu tesouro.</p>
<p>E confesso que às vezes eu queria mesmo é que o tempo não passasse assim de forma tão brusca. Que minha menina pudesse caber em meus braços para sempre. Que eu conseguisse me manter o humor do garoto que conquistou o coração da moça mais bonita, que um dia me disse o “sim” definitivo num altar. Tanta coisa. É bobagem minha, tempo gasto à toa. Importante é o que posso fazer desde agora.</p>
<p>Deus não faz um só dia igual ao anterior. Não tem amanhã que possa ser previsto e também não existe ontem que possa ser vivido outra vez. E acho mesmo que para o amor, hoje é nosso melhor momento. O que faço agora é o semear do fruto que colherei daqui a pouco e também lá na frente. E minhas prioridades revelam meus valores, me revelam.</p>
<p>O resto, Salomão me ensinou, é correr atrás do vento.</p>
<p>“Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial par ao homem.” (Eclesiastes 12:13).</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/187/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/187/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/187/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=187&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Primeiros passos</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Mar 2008 20:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor de pai]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos    Soltei minha pasta no chão, larguei o paletó sobre a mesa, afrouxei o nó da gravata e arregacei as mangas da camisa. Eu acabara de ouvir a novidade e não podia acreditar que estava acontecendo. &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2008/03/17/primeiros-passos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=176&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos </p>
<p> <img border="0" align="middle" width="500" src="http://farm3.static.flickr.com/2237/2341542182_6e1be59910.jpg" height="375" /></p>
<p>Soltei minha pasta no chão, larguei o paletó sobre a mesa, afrouxei o nó da gravata e arregacei as mangas da camisa. Eu acabara de ouvir a novidade e não podia acreditar que estava acontecendo. Bem, quer dizer, podia sim, já havia imaginado centenas de vezes como seria esse momento. Mas nada se parecia com aquilo.</p>
<p>Ajoelhei, abri os braços e fiz o convite:</p>
<p>- Vem, filha. Vem aqui com o papai.</p>
<p>Ela riu. Sempre ri. Soltou seu apoio no encosto da cadeira e deu o primeiro passo, cambaleou, tentou se equilibrar, ôôô, caiu sentada. Sem problemas, a fralda amortece a queda. Pronto, vamos recomeçar. Em pé. Um passinho, dois, outro, mais um, vários, vários passos. Ela vinha atravessando a sala em minha direção, com aquela insegurança típica da inauguração dos momentos importantes da vida, com um sorriso de conquista naquela boquinha banguela, seus olhos alternando entre o chão logo à frente e o meu olhar concentrado, orgulhoso, paterno, protetor, satisfeito, radiante, coruja.</p>
<p>- Que belezinha! Minha princesinha já está andando! Parabéns, filha. Que linda! Agora ninguém te segura&#8230; Amor, vai tirando tudo o que é de vidro aí de cima do móvel. Amor, você viu isso?! Preciso filmar! Amor, cadê a câmera?</p>
<p>Ela andou. E agora sai descontrolada pela sala, quartos, banheiros, cozinha, corredor, shopping center e ruas. Ela vai a toda, cambaleando, tropeçando, caindo e confiante. Independente.</p>
<p>Será que ainda vai precisar de mim para alguma coisa?</p>
<p>Até ontem só andava mesmo de mãos dadas, com aquela mãozinha suada apertando o meu dedo indicador e um pedaço de pão preso na boca. De mãos dadas com o pai, seus passos são mais largos, ela se sente mais segura. Eu era seu ponto de equilíbrio. E ainda pedia colo para qualquer coisa.</p>
<p>O tempo vai passando. Não me cabe julgar a velocidade das coisas, é o tempo, e pronto. Mas com o passar dos dias consigo enxergar um pouco do meu papel como pai se cumprindo, uma porção do trabalho finalmente frutificando.</p>
<p>Às vezes (cada vez menos) é possível perceber sua insegurança. Ela olha os cinco metros à sua frente – que a visão em miniatura deve transformar em cinco quilômetros – e fica com medo, ameaça sentar, pede colo. Vencendo os instintos super-protetores (são muitos, acredite), eu mantenho distância, estendo os braços e a incentivo a seguir sozinha.</p>
<p>Lembro que Deus já fez isso comigo. Não faz muito tempo, eu nem sabia andar. Levantou-me, estendeu o dedão para que eu me apoiasse e soltou minha mão no momento certo. Na outra ponta, de olhos esbugalhados e braços abertos, estava lá, coruja, orgulhoso de ver sua cria caminhando pela primeira vez com as próprias pernas. Cambaleante, mas vitorioso. Era eu.</p>
<p>Deus me fez para aprender a andar sozinho.</p>
<p>Apesar de já andar sozinha pela casa, a Nina ainda me pede colo. Quando está cansada, quando cai e começa a chorar, quando precisa de alguma coisa ou, nos mais deliciosos instantes, quando corre para um abraço.</p>
<p>Eu nem ligo, eu gosto, é minha filha.</p>
<p>Às vezes eu peço colo.</p>
<p>(Crônica escrita para o <a target="_blank" href="http://www.comunidadecarisma.net">Comunidade Carisma.net</a>)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/176/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/176/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/176/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=176&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Doentes curando doentes</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2008/02/29/doentes-curando-doentes/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 13:47:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Ela estava gripada, dava dó. O olho inchado, a ponta do nariz vermelha, a respiração de boca aberta, ofegante, tadinha. De madrugada, lá do outro quarto, dava para ouvir os espirros, meio abafados pelo travesseiro. Dava &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2008/02/29/doentes-curando-doentes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=162&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Ela estava gripada, dava dó. O olho inchado, a ponta do nariz vermelha, a respiração de boca aberta, ofegante, tadinha. De madrugada, lá do outro quarto, dava para ouvir os espirros, meio abafados pelo travesseiro. Dava para ouvir o ruído do nariz entupido, que escorria durante todo o dia. Dava para ficar preocupado. Ela nem tinha 70 centímetros de comprimento.</p>
<p>Minhas orações se intercalavam e contradiziam ao mesmo ritmo em que eu a balançava no colo. Pai, eu te peço que cure minha filha dessa doença. E eu ouvia um gemido, um chorinho, a voz rouquinha. Ai, Deus&#8230; passe essa dor para mim, mas não deixe que ela sofra. Os remédios, a dosagem, a inalação, o médico. Ué, cadê o telefone do doutor? A gente precisa ligar pra saber o que fazer. Tentava imaginar o que mais poderia ser feito para melhorar aquela situação. Senhor, cuide da minha menina&#8230;</p>
<p>E entre preocupações e tentativas, me surpreendia em atitudes curiosas. Naquela noite, ela estava deitada na cama, estirada, corpo dolorido e cansada. Eu dosava pelo conta-gotas um pouco de soro fisiológico em cada uma daquelas narinas minúsculas. Passei a massagear levemente a parte superior do nariz para que a entrada do soro fosse facilitada, apoiei sua cabecinha sobre um travesseiro mais alto, tirei as mantas e bichinhos de pelúcia que pudessem fazê-la espirrar ou acumular poeira. Isso fez com que ela respirasse com mais facilidade. Passou a descansar melhor. Dormiu.</p>
<p>Aí tentei lembrar de onde eu tirei tais instintos. Será que vinham no pacote da paternidade? Hum, não, acho que não. Recordei minha infância, a chateação de uma rinite alérgica que me prejudica o olfato até hoje (acredite, às vezes posso confundir cheiro de perfume com tempero de comida). E me vieram à mente as noites da nariz travado, as madrugadas em que a mãe trazia o travesseiro mais alto para eu dormir, da vez em que os carpetes de casa foram tirados e da revolucionária substituição dos cobertores de lã Parahyba por moderníssimos edredons. Lembrei que, um dia, eu mesmo precisei passar pelo que, agora, fazia pela minha filha.</p>
<p>Doentes curam doentes.</p>
<p>Confesso que aquilo estava longe do meu ideal de paternidade e muito, mas muito distante do tipo de conhecimento que imaginei transmitir para minha prole. Mas aprendi que as dores, sofrimentos momentâneos e tempestades pelas quais passo, devem servir – e servirão – para que eu ajude outras pessoas que porventura estejam lutando o combate que em algum momento já venci. Depois de passar a enxergar, devo guiar o cego na escuridão. Deus espera isso de mim. De nós.</p>
<p>Naquela noite ali no quarto, eu a segurava no colo, pedindo ao Pai que a curasse e aliviasse sua dor. E percebi em meu coração que ele observava, desejando embalar em seus braços a menina que criou para chamar de filha. Ela é dele. Dele, o Deus que se entrega, e cuida daqueles que ama.</p>
<p>E aí aprendo outra vez, na dor e na alegria, que a paternidade me aperfeiçoa como filho.</p>
<p>“Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate. Por acaso algum de vocês, que é pai, será capaz de dar uma pedra seu filho, quando ele pede pão? Ou lhe dará uma cobra, quando ele pede um peixe? Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai de vocês, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mateus 7: 8-11).</p>
<p>(Crônica escrita para o <a href="http://www.comunidadecarisma.net" target="_blank">ComunidadeCarisma.Net</a>)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/162/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/162/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/162/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=162&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pequenas lições</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2007/09/13/pequenas-licoes/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2007 17:57:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Até outro dia ela cabia no meu antebraço, seu tamanho exato. Hoje, eu mal consigo segura-la nos braços. Poucos meses se passaram mas muita coisa mudou. Na essência, é um ser humano em evolução tão intensa &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2007/09/13/pequenas-licoes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=151&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Até outro dia ela cabia no meu antebraço, seu tamanho exato. Hoje, eu mal consigo segura-la nos braços. Poucos meses se passaram mas muita coisa mudou. Na essência, é um ser humano em evolução tão intensa e mais rápida do que eu posso assimilar.</p>
<p>Hoje mesmo, durante o café da manhã eu a observava brincando no chão da sala, deitada de costas sobre o edredom, assistindo pela qüinquagésima vez aos clipes do “Cocoricó” (cuja trilha, confesso, canto entusiasmado entre o barbear e um nó torto na gravata).</p>
<p>- Como cresce rápido, não é mesmo dona?</p>
<p>- Poizé. Num instante eles cresce. Igual a vida. Quando a gente vê, rapidim, tudo já passô (sic).</p>
<p>Sotaque mineiro, analfabeta, cheia de razão, recolhia a louça de ontem espalhada sobre a mesa. Falou, é verdade, aquilo que todo mundo já sabe. Mas com o peso de setenta anos nas costas, filhos adultos, netos, um bebê adotado, viúva&#8230; imagino que suas histórias e lutas sejam interessantes. As dos antigos sempre são. Imagino que suas afirmações tenham sempre um peso maior de verdade e sabedoria do que essas conclusões da minha imaturidade.</p>
<p>Fugaz. O tempo voa, a vida passa e o que, de verdade, é importante fazer? Seria o desafio melancólico da auto-ajuda que questiona onde estão empenhados nosso tempo, dinheiro e esforços? Ou o melhor mesmo é viver despreocupado e deixar que as coisas aconteçam por si só?</p>
<p>Não sei dizer. Ou, prefiro não decidir isso agora. Em ambos os casos, não dá para seguir sozinho.</p>
<p>Ela passa por trás da mesa, percebo que calça o par Havaianas antigas da minha esposa. E volta então para a cozinha, onde lava, passa, prepara a comida que fará no almoço.</p>
<p>E percebo, entre uma mordida no pão sovado e um gole na xícara de leite frio com chocolate, que a sabedoria não é privilégio da “gente letrada”, mas dos que observam, e vivem, e seguem com dignidade a vida que nos absorve.</p>
<p>&#8220;Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo. Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol. O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.” (Salomão, homem que observou, já velho, em Eclesiastes 9:7-10).</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/151/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/151/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/151/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=151&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Na falta do que dizer&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 18:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor de pai]]></category>
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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Faz umas quatro horas que estou tentando escrever algo aqui nessa tela. Já comecei quatro textos diferentes, esse é o quinto. Acho que agora vai. Acho. O último eu parei duas vezes. Na primeira, para dar &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2007/08/21/na-falta-do-que-dizer/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=148&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="2">por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Faz umas quatro horas que estou tentando escrever algo aqui nessa tela. Já comecei quatro textos diferentes, esse é o quinto. Acho que agora vai. Acho.</p>
<p>O último eu parei duas vezes. Na primeira, para dar a mamadeira para a Nina, que chorou lá do berço pedindo seu leitinho. Altíssima prioridade. Na segunda, também pela Nina, que resmungava os primeiros gemidos dando sinal de acordaria em breve.</p>
<p>Pensei em deixa-la ali no berço, afinal já passam das onze e é hora de bebê estar dormindo. Mas não resisti. Olhei aquele rostinho, aquele olhar de quem acorda e ainda dorme me sondando, o sorriso banguela se construindo no rosto e a mãozinha vindo na direção das minhas bochechas. Ela me aperta. Mão macia. Mas precisa cortar as unhas. Ela pede colo. Peguei-a e vim para a sala brincar. Isso sim, mais importante do que qualquer palavra mal escrita numa tela de computador.</p>
<p>Me veio à mente então uma pérola: mais importante do que as coisas passageiras que depois podem ser feitas, é dar valor ao que passa rápido e quando vê já não se pode mais fazer (éca, ficou péssimo isso).</p>
<p>Ela só tem cinco meses, mas sinto que a cada hora longe de casa, perco um novo sinal de seu crescimento. Ela já tem cinco meses.</p>
<p>Enquanto escrevo, ela me sonda por cima da tela. Sentada na cadeirinha de balanço (que preferiu, preterindo meu colo), olha insistentemente para mim enquanto narro em voz alta as palavras que despejo nesse teclado. Ela gosta. Ela ri timidamente. Ela não está com sono, definitivamente.</p>
<p>Que valor tem o tempo, afinal? Que prioridade tem as coisas tão urgentes, perto do que é mais importante? Quero saber, um dia lá na frente, que fiz a coisa certa. Que as escolhas, as mais simples, foram as que causaram impacto e tornaram nobre e valioso o viver. Que o olhar apaixonante e curioso de um bebê é, no fim das contas, maior do que o prazo das tarefas no escritório, maior do que o sono, melhor do que o melhor clássico de futebol na tv.</p>
<p>Falando em clássico, a música de Ravel toca ao fundo, completada pela trilha sonora do ritmo da chupeta colorida que estala naquela boquinha vermelha.</p>
<p>Ela me olha fundo nos olhos. Como faz a mãe dela, quando quer me dizer algo sem precisar abrir a boca. E vejo nesse olhar sua inocência, vejo minha filha, me vejo, sangue do meu sangue, vejo um bebê, vejo a mulher que um dia virá a ser (e aí já não quero mais ver nada porque isso vai longe demais pro meu gosto).</p>
<p>Agora ela observa a própria mão, abrindo e fechando. Ela raspa as pontas dos dedos no estofado para saber a textura que tem. Aprende algo novo. Ela tenta alcançar algo que está pendurado no arco da cadeira e arrancar dali a todo custo. Ela se revira toda para saber como ficar, cair, não&#8230; ixi, peraí, preciso arrumar&#8230; ufa, foi por um triz! Ela tenta engolir um brinquedo maior do que sua cabeça. Ela baba pra caramba.</p>
<p>Pensando bem no primeiro parágrafo dessa história, acho que o texto não dará em nada, senão nesse despejar de palavras e sentimentos que, a bem da verdade, não dizem muita coisa para o cristianismo de alguém. Talvez até digam ou sirvam para tratar de prioridades, para pregar uma vida mais simples e despretensiosa, para dizer que as coisas realmente valiosas </font><font size="2" face="Courier New">–</font><font size="2"> e divertidas também </font><font size="2" face="Courier New">–</font><font size="2"> não estão em nossa conta bancária (ah, mas não mesmo, dirão os endividados </font><font size="2" face="Courier New">–</font><font size="2"> mas você entende do que estou falando).</font><font size="2">Acho que ela é destra. Puxou o pai?</p>
<p>Pensando bem, acho que o melhor a fazer é abandonar esse computador e voltar a brincar com minha princesinha. É, filhos nos dão essa vantagem, podemos voltar a ver desenho animado e brincar de ser criança sem que os outros adultos nos julguem idiotas. Pelo contrario, até acham bonito, nobre, pedagógico, estimula o sei-lá-o-quê da criança. Eu só sei de uma coisa: é bem legal.</p>
<p>Ela tem cosquinhas. Ela gosta do meu colo&#8230; (ou talvez não tenha muita opção). Ela gosta de cheirar um paninho, igual aquele personagem do Snoopy. Puxou a mãe? Opa, ela pediu colo. Agora está aqui deitada nos meus braços e com a cabeça recostada sobre meu peito. Nada paga essa sensação. Volto a um raciocínio antigo, mas que me visita toda semana: Deus nos dá a chance de ter filhos para que possamos, numa minúscula fração, entender o que ele sente como pai.</p>
<p>Ela não fala nada </font><font size="2" face="Courier New">–</font><font size="2"> às vezes acho que ela acha que fala </font><font size="2" face="Courier New">–</font><font size="2">, só sorri, chora e resmunga de vez em quando. Mas nem precisa, você sabe bem disso. É que&#8230; ahn, aqueles olhinhos, aquelas mãozinhas, aquele sorrisinho&#8230; bem, isso não tem nada de diminutivo. Na falta do que dizer, o momento diz tudo.</font><font size="2">Talvez, voltando ao raciocínio do parágrafo aí de cima, talvez isso também seja a grande lição da paternidade divina. Ele contempla, ele prioriza, se enche de orgulho, sofre, ele sabe&#8230; sim, sempre sabe e ama sob qualquer condição.</p>
<p>Pensando&#8230; bem, agüenta firme aí que eu vou curtir minha cria.</p>
<p></font></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/148/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/148/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/148/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=148&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Colos, cólicas, chavões e uma crônica de continuação</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2007/05/31/colos-colicas-chavoes-e-uma-cronica-de-continuacao-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 May 2007 16:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos (Continuação da carta anterior) - Amor, vem cá! Aconteceu uma coisa estranha&#8230; Eram os primeiros minutos do dia 19 de março de 2007, madrugada de domingo para segunda-feira. Eu acabara de fechar a tela do computador &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2007/05/31/colos-colicas-chavoes-e-uma-cronica-de-continuacao-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=143&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos<br />
(Continuação da carta anterior)</p>
<p>- Amor, vem cá! Aconteceu uma coisa estranha&#8230;</p>
<p>Eram os primeiros minutos do dia 19 de março de 2007, madrugada de domingo para segunda-feira. Eu acabara de fechar a tela do computador onde escrevia minha última mensagem, falando sobre minha esposa, a beleza da gravidez e as pequenas surpresas que Deus nos faz. Já calçava os chinelos e me preparava para ir para a cama quando ouvi sua voz vindo lá do banheiro. &#8220;Coisa estranha&#8221;, que raios seria isso? Corri para checar.</p>
<p>A bem da verdade, estranho era ouvi-la falar assim. Vindo do banheiro, chamados mais comuns diziam respeito a &#8220;Amor, me traz a toalha?&#8221;, &#8220;Por que você não abaixa a bendita tampa do vaso?&#8221; ou, tão comuns quanto, desesperos hitchcockianos que berravam &#8220;Henrique-corraqui-pelamordedeus-porque-tem-uma-mariposa-enorme-no-box!&#8221;.</p>
<p>Cheguei no banheiro, ela estava de pé em frente ao vaso, uma expressão curiosa naquele rosto meigo e o dedo apontando para algumas gotas avermelhadas no tapete. Olhei para ela, olhei para o tapete, olhei para ela:</p>
<p>- É, neguinha, das duas uma: ou estourou sua bolsa ou sua bexiga está frouxa&#8230;<br />
- Bobo.</p>
<p>Alguns telefonemas e uma hora depois, preparávamos as malas para seguir até a maternidade. Nada garantia que a hora do parto havia chegado, mas nada também nos fazia acreditar no contrário. Nove meses se passaram e aquele me parecia o primeiro momento real dessa gravidez.</p>
<p>Malas nas mãos, chaves no bolso, caminhávamos pelo corredor rumo a porta da sala quando nos entreolhamos. Olhamos para a casa que deixávamos e concordamos:</p>
<p>- Quando voltarmos&#8230; seremos três.</p>
<p>Chuva. Escuridão na rua. Vai devagar! Hospital vazio. Acabou a energia, subiremos de escada. Enfermeira com sono. Boa noite. Exames estranhos. Telefonemas para a médica. Vai nascer. Ai, ai, ai! Cadastros infindáveis na recepção. Minha esposa saindo pelo corredor em uma maca. Elevador parado, mais escadas. Eu recebendo uma trouxa com roupas. Vestiário médico. Touca, máscara, protetores. Centro cirúrgico. Nossa amiga Amanda na sala de cirurgia. É bom ter um rosto conhecido por perto. Olá, essa é a equipe médica. Como vão, tudo bem? Ar-condicionado gelado. Cadê o fotógrafo? Oi amor, você está bem? Está nascendo! São três e vinte da manhã. Estava com o cordão enrolado no pescoço. Tire as fotos! Esqueça as fotos, quero vê-la nascer. Nascendo, nascendo, está saindo&#8230; Olha a Nina, que bebezão! Linda, maravilhosa! Vão cortar o cordão. Um beijo na Manú. Parabéns, agora você é mãe. Te amo. Eu também, muito. A enfermeira vindo. Olhe mamãe, sua filha! Que linda. Veja papai, sua filha. Posso pegar? Só se for rápido, ela precisa ir para o&#8230; Tá bom, é rapidinho.</p>
<p>Eu a tomo nos braços, o tempo pára, ela aquieta, meu coração acelera, a respiração ofegante, aquele rostinho, eu a observo estático, meus olhos marejam, lacrimejam, se fecham, eu choro e choro. É verdade, eu sou pai. Meu Deus, obrigado! Ela é sua, meu Pai, ela é toda sua. Obrigado.</p>
<p>- Oi Nina, minha filha, eu sou seu pai, seja bem vinda! – e eu contente por ter dito o que planejei.</p>
<p>As horas que se seguiram foram de algum sentimento que até agora não sei dizer. Vivenciei todos os chavões que uma canção romântica poderia expressar. “Uma sensação indescritível”, “sentimento único”, “amor que rasga o peito”&#8230; tantos que quase me via num balbuciar sertanejo. Num transe abobado, eu conversava animadamente com enfermeiras, seguranças, manobristas e comigo mesmo.</p>
<p>Enquanto minhas mulheres não vinham, sentei sozinho naquele quarto escuro. Eram quase seis da manhã quando abri meu bloco de notas e tentei escrever os detalhes sobre as últimas horas que vivi. Não consegui. Desde então, venho pensando em uma forma de registrar os momentos, as emoções, os passos daquela noite para que minha memória fraca não falhe ao tentar lembrar de um dos dias mais incríveis da minha vida.</p>
<p>Foram 39 horas ininterruptas, acordado e vendo minha vida mudar. Amigos, familiares, gente querida nos cercando, o telefone tocando. E depois desse dia, já passaram-se mais de dois meses. E vemos que as semanas seguem e nos levam aos passos inevitáveis de todos os pais, com os choros indecifráveis, colos, cólicas, listas de dúvidas para o pediatra, leite a cada três horas, corridas desesperadas para o hospital, livros de orientação, uma vontade de ter aquele bebê grudado em nós para não deixá-la desprotegida.</p>
<p>Eu, na verdade, queria poder carregar as duas no meu colo e permitir que elas se sentissem seguras. Mas não tenho bíceps e capacidade para tanto. Aliás, nem mesmo tenho a segurança que gostaria. Isso não está em mim, apesar da pose. Isso sim, eu sei, encontro no bom Pai que, nesses dias, está nos ensinando a ser pais.</p>
<p>E eu queria também escrever uma carta. Duas, na verdade. Uma para a nova mãe que vi nascer naquela noite. Outra, para a filha que verei crescer sob meus olhos atentos. Para minha esposa, pensava em registrar todo sentimento, amor, respeito, carinho, apoio, dedicação e tanto mais de coisas que gostaria que ela soubesse que eu sinto e quero viver ao seu lado. Para minha filha, pretendia deixar os grandes conselhos e princípios que, imagino, ela deverá ter, e assinar de próprio punho tudo o que sinto, penso e sonho para sua vida. Mas não consigo.</p>
<p>Foram dias de rabiscos mentais e tentativas vãs. Frustrado, demorei a aceitar a falta de inspiração, quando era justamente essa que não me faltava. Me vi então diante de uma única resposta possível para esse momento. Não, não foi num versículo bíblico como era de se esperar, tão pouco foi em uma frase devastadora de Shakespeare e ainda menos em um verso derradeiro nalgum poema de Fernando Pessoa. Foi sim, outra vez, num velho chavão, que encontrei orientação: “essa história não se escreve, essa história se constrói”. Ora, detesto chavões. Mas são eles mesmos, como diria um pensador, “uma verdade desgastada”.</p>
<p>Pois é, para minhas amadas, espero um dia ter mais do que verdades gastas para declarar. Espero e me esforço por um poema na ponta da pena para poder lhes escrever. Ao longo da vida juntos, nos gestos da rotina, nos presentes, nas flores enviadas de surpresa, nos passeios de fim de tarde, nas orações feitas à mesa, nos clássicos momentos no sofá, na corrida cotidiana que insiste em acelerar, enquanto trago o leite, o pão e o jornal do domingo de manhã, enquanto vejo o futebol na TV, o programa infantil ou a novela das oito. Nos nossos dias, às minhas queridas espero poder escrever e renovar minha declaração apaixonada.</p>
<p>Continuo acreditando no que agora testifico. E sigo também, na observação contemplativa daquele pequeno tesouro dormindo no berço e imaginando que o Criador fez uma vida nova brotar no ventre de minha Manú. A Nina que nasceu há dois meses e que não tem mais fim, é eterna, é assim, ora bolas, a eternidade divina frutificando do nosso amor.</p>
<p>E encontro novamente paz, em uma verdade nada desgastada, que proclama: “Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.” (Salmo 139:14-16).</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/143/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/143/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=143&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O amor, um calção e gestos primitivos (cinco minutos antes de minha vida mudar)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 00:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Lá fora na rua, um grupo festeja. Não sei o motivo, mas aqui quieto na sala de casa, dou risada ao imaginar que essa gente deve ser engraçada. Ouço as risadas, as palmas, a gritaria alegre &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2007/03/25/o-amor-um-calcao-e-gestos-primitivos-cinco-minutos-antes-de-minha-vida-mudar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=141&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Lá fora na rua, um grupo festeja. Não sei o motivo, mas aqui quieto na sala de casa, dou risada ao imaginar que essa gente deve ser engraçada. Ouço as risadas, as palmas, a gritaria alegre de algumas pessoas reunidas e fico pensando que Deus tem uma pureza engraçada. Ele nos dá as melhores experiências e lições de vida justamente quando estamos desprovidos daquilo que tanto perseguimos para ser felizes.</p>
<p>Afinal, quem é que precisa de mais do que uma gargalhada para entender uma porção da felicidade? Quem é que precisa de mais do que um escorregão para encontrar ensinamentos a respeito da vida?</p>
<p>E percebo por essas, que o que mais atrai nas pessoas são justamente os gestos primitivos e tão naturais a nós. E percebo por outras, que necessidades vitais também estão na capacidade de rir, cantar, brincar um pouco, abraçar os amigos, comer à mesa com a família. Nos pequenos momentos que nos distraem daquilo que julgamos ser o que de fato importa, nem vemos que, ora bolas, o que importa de verdade está ali ao alcance de um gesto, uma palavra, um olhar, às vezes até de um silêncio.</p>
<p>Gestos humanos, primitivos. São condições à própria vida. Me parecem os tipos de valores e sentimentos que nos formam, independentemente das épocas, da história, desde o princípio. É o que nos faz o que somos, criaturas moldadas à imagem e semelhança de um Deus admirável.</p>
<p>* * *</p>
<p>Aqui dentro, mudo de assunto mas não de conclusão. Observo por um instante, deitada num colchão no chão da sala, a mulher da minha vida. Que cochila. A sutileza de seus gestos, a respiração leve, os cabelos soltos meio bagunçados sobre a fronha de estampa verde xadrez. Uma almofadinha sob a barriga para sustentar os nove meses de gestação. Ela espera por nossa filha. “Puxa, amanhã pode ser o dia em que seremos pais!”. Ela veste meu calção branco – sei lá eu o porquê de ela fazer isso, mas estou certo de que ela o veste da maneira mais charmosa e honrosa que aquele calção velho jamais poderia desejar (partindo do pressuposto, evidente, de que os calções são dotados de algum desejo, honra ou vaidade).</p>
<p>E aqui, apaixonado outra vez mais, acho curioso esse sentimento que nos leva a acreditar e desejar ter uma vida inteira ao lado de outra pessoa. Eu sinto isso. Quero passar ao lado dessa menina todos os meus dias, minhas alegrias e dores, minhas dúvidas e conquistas, meus sonhos e falhas, minhas noites de sono repartidas em uma cama. Cumprirei meu voto de “felizes para sempre” e, sem esperar que chegue o sempre, seremos felizes todos os dias.</p>
<p>Lembro, por um pouco, de alguns retratos de infância que víamos juntos há alguns dias e penso então num belíssimo futuro, no tempo que envelheceremos lado a lado, de mãos dadas, dois heróis da vida simples sentados juntos à mesa. Mas não qualquer mesa. Será uma mesa grande e velha, de madeira já gasta, posta com comida farta, doce de leite e suco de frutas, à espera dos filhos e netos para um almoço no domingo.</p>
<p>Bom, vou dizer uma outra bobagem, mas acho até que é desses detalhes que se preenche o amor. Talvez eu esteja mesmo tendo algumas variações, mas penso aqui que um sentimento precisa de mais do que um significado e um dicionário para ser real. Para ser real ele tem que ser vivido. E o que se vive não são palavras ditas, não ditas, malditas ou escritas, é a vida. Coisas do cotidiano, vitórias extraordinárias, derrotas nem tanto (bem, assim se espera sempre com otimismo). É de tudo que se compõe a vida.</p>
<p>Ela respira fundo, me olha sonolenta. “Sobre o que você tá escrevendo?”. Eu olho para ela, olho para a tela. “Sobre a vida, sobre Deus, família&#8230; essas coisas”. Vira de lado, dolorida, coitada, a barriga pesa. Cochila outra vez.</p>
<p>Não, não é uma brincadeira essa história de casar e construir uma família. Isso é um gesto de honra. Honra, reforço a expressão, outra palavra cujo significado pouco se vive nesses nossos dias de relações casuais, convicções hedonistas, falsas verdades e calções brancos dotados de sentimentos.</p>
<p>Enquanto escrevo, vejo o pedaço de metal dourado que me enlaça um dos dedos – o anular, cujo nome sempre me esqueço – e penso que, outra vez, uma coisa tão pequena e arcaica, me faz lembrar dos sentimentos, os sonhos, os planos, a entrega e a decisão de uma vida inteira que estão empenhados nessa aliança.</p>
<p>Sim, honra e amor, Deus e o homem, as amizades e risos, os sonhos e nossos sentimentos primitivos&#8230; Sim, o eterno é a promessa de uma aliança.</p>
<p>* * *</p>
<p>PS.: Escrevo agora, depois de seis dias, para a última revisão desse texto. Foi que, nem cinco minutos depois do ponto final dessa carta, nos primeiros instantes do dia seguinte, ouvi minha esposa chamando, agora lá no quarto. Sua bolsa amniótica havia rompido. Deixei o computador como estava e corremos para o hospital, para ver, dali três horas, nossa pequena Nina surgir nesse mundo. Era real, seríamos pais no dia seguinte. Continua.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/141/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/141/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/141/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=141&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As cegonhas não existem</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2007 18:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos - Os pais morrem de aflição quando se fala na limpeza do umbigo do bebê, mas é simples. Você deve segurar o pequeno pedaço do cordão e com uma haste de algodão embebida em álcool a &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2007/02/28/as-cegonhas-nao-existem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=140&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>- Os pais morrem de aflição quando se fala na limpeza do umbigo do bebê, mas é simples. Você deve segurar o pequeno pedaço do cordão e com uma haste de algodão embebida em álcool a 70%, limpar a base do umbigo fazendo um movimento circular e também ao redor num raio de dois centímetros&#8230;</p>
<p>“Será que serei um bom pai?”, era o pensamento que me ocorria. Enquanto ela falava, eu anotava, tentava absorver tanta informação quanto me fosse possível, mas minha mente não conseguia fugir desse questionamento sem resposta. “Foco Henrique, foco!”.</p>
<p>- O leite materno é fundamental. É incrível, a mãe produz um leite específico para nossa espécie. Nesse alimento estão todas as vitaminas que a criança vai precisar nos seis primeiros meses de vida. Por isso, mamães, é preciso estimular a produção de leite. O aleitamento é importantíssimo. Mas tudo funciona como uma fábrica, se acabar a demanda, acaba também a produção, o estoque seca.</p>
<p>“Demanda, fábrica, produção&#8230; empresa. Vou conseguir sustentar minha casa, dar o melhor para minha família? E se um dia eu perder o emprego? Preciso fazer as contas. Não quero que falte nada para elas”. Fulana, Sicrana, Beltrana&#8230; as professoras entravam e saíam daquela sala apertada no curso de gestantes, o ar-condicionado fazia um apito inconveniente, eu brigava com aquela persiana que não fechava direito e minha mente teimava em outras perguntas fora de contexto.</p>
<p>Lá em casa, o quartinho já está pronto, como um ninho montado cuidadosamente para abrigar um filhote. Olho para aqueles móveis, vejo aquelas roupas em miniatura penduradas no varal, aquele perfume inconfundível. “Por que demora tanto pra nascer?”.</p>
<p>- Muito bem, agora os maridos peguem esse bastão e passem nas costas de suas esposas. Façam massagem nos ombros, desçam pela lateral&#8230; iiiissso, passem também na região lombar. Lembrem-se, homens, elas estão carregando um peso, é importante que fiquem relaxaaadas&#8230;</p>
<p>“O que está passando pelo coração dela? Acho que vai ser uma mãe excelente. Tanto amor, cuidado, tanto carinho, a determinação&#8230; ela tem valores que eu não tenho, tomara que prevaleçam nessa educação. Ai, tomara que não sinta muita dor. O parto vai ser bom, ah será”. Eu pressionava o massageador sobre seu corpo, com receio por não machuca-la, eu a tocava querendo que sentisse meu carinho, meu amor, minha vontade de mostrar que estou presente, na mesma passada, de mãos dadas, desejando sustentar aquele peso no lugar dela.</p>
<p>- Peguem a boneca, tirem o macacãozinho e a fralda. Segurem de barriga para baixo, apoiando o bebê na palma de suas mãos e no braço. Suavemente, joguem a água morna com sabão sobre o bebê. Muito cuidado com os olhos e ouvidos. Sim, pode molhar o umbigo que não tem problema. Vistam com cuidado, a fralda não pode ficar muito folgada, não precisa esquentar tanto o bebê, a pomada, o cotonete, o sabonete glicerinado&#8230; agora troquem tudo de novo.</p>
<p>“É de verdade&#8230; Não é uma brincadeira de casinha, é de verdade! Que boneca que nada, tem uma pessoazinha nova dentro daquela barriga. Não vai simplesmente esvaziar e voltar ao que era. Em poucos dias teremos uma filha nos braços, uma criança dentro de nossa casa para o resto da vida, um bebê. Ai que frio na barriga, que coisa!, que vontade de chorar&#8230;”.</p>
<p>* * *</p>
<p>Minha filha nasce daqui alguns dias – talvez hoje, se assim resolver – e, como eu bem previa desde o início, os nove meses findam e eu não tenho a menor idéia do que é ser pai. “Serei um bom pai?” é o que fico encucando enquanto uma avalanche de sentimentos, novos e velhos, me atropelam.</p>
<p>Estou com medo. Estou feliz. Estou ansioso. Entusiasmado. Estou apreensivo. O que é mesmo “apreensivo”? Estou tranqüilo. Curioso. Estou pronto. Estou nada. Ah, acho que estou. Inseguro. Confiante. Alegre. Apaixonado. Estou marido. Estou me tornando um pai.</p>
<p>Ai caramba, pai!?</p>
<p>E quem é que vai me dizer o que fazer? Alguém aí tem um manual de instruções?</p>
<p>Bem, da maneira mais tola imaginável, tenho aprendido que nessas horas em que nenhuma das direções para onde olho me aponta um caminho, acabo mesmo apelando para o alto. Não, eu não busco um super-herói (essa tentativa já foi em vão). Como diria um rei antigo chamado Josafá: “Meus olhos estão em Deus”.</p>
<p>Sim, em Deus sempre há uma resposta. Um novo fôlego me enche os pulmões, a alma, o espírito. Percebo que apesar de mim mesmo, a revelação da verdade eterna se faz presente nesse ponto culminante.</p>
<p>Estou em paz.</p>
<p>É consolador saber que tenho um Pai que me guia por esse caminho desconhecido. Um Pai satisfeito em ensinar. Sua lealdade inabalável. Carinhoso e presente. É algo sobrenatural pensar que Ele também é o Pai dessa criaturinha, uma vida nova que nasceu como fruto do amor entre minha esposa e eu. É assustador pensar que Ele está nos comissionando para conduzir uma pessoa diante de uma vida inteira, num mundo que parece perecer a cada velho novo dia. Caberá a nós guia-la no caminho. Caminho?</p>
<p>Estou perdido.</p>
<p>Mas que caminho é esse? Que credibilidade eu tenho se sou eu mesmo quem tantas vezes tateio na escuridão tentando encontrar uma luz por onde seguir? Que verdades, que princípios, que sementes lançarei nessa terra fértil e pura? Que pai serei?</p>
<p>Fico tendo desses devaneios. Em meu coração, eu só queria que ela soubesse que já a amo, que já está em minhas orações há anos. Que nunca nos vimos, mas já faço hoje qualquer sacrifício por ela e pela mãe. E penso a todo instante no momento em que nossos olhos se encontrarão pela primeira vez e, bobo que sou, direi: “Oi Nina, seja bem-vinda ao mundo. Muito prazer, eu sou o seu pai”. Teremos muito o que conversar.</p>
<p>Estou sonhando.</p>
<p>Quero que ela saiba tomar suas próprias decisões, fazer escolhas boas. Que ela seja boa. Sonho que ela tenha um caráter irrepreensível, seja bonita, que se firme em princípios eternos, seja meiga e de olhos brilhantes, que ame a Jesus Cristo, que use vestidinhos com detalhes floridos. Sonho que ela ame as pessoas, que goste de brincar comigo e de deitar sobre meu peito enquanto vejo a TV. Sonho que ela mude a sociedade em que viverá, que ela corra na minha direção e se jogue nos meus braços quando eu chegar em casa à noite. Sonho que ela tenha grandes sonhos! E espero que durma bem a noite inteira para eu continuar sonhando. Sonho um novo mundo para minha família, com passeios e viagens perto da natureza. Quero uma família grande, mais filhos, uma casa ensolarada – como essas dos comerciais de margarina – e minha esposa e eu sentados juntos na varanda enquanto as crianças brincam no jardim.</p>
<p>Sim, eu sonho e creio que ensinaremos coisas boas a ela. Será uma pequena menina, uma grande mulher. Eu quero, sim meu Deus, ah como quero, que ela seja uma pessoa melhor do que eu!</p>
<p>Meu Pai, será que serei um bom pai?</p>
<p>Estou em dúvida.</p>
<p>Acredito que nunca saberei. Dizem os antigos que saberei sim, quando vierem os netos. Mas isso é coisa distante, nisso eu nem penso agora. O que percebo é uma renovação nos meus sentimentos empoeirados de fé, esperança, vida. Talvez brote daí essa confiança maior do que eu mesmo. Nessa hora em que eu forço a visão para que o foco esteja correto, imito aquele rei e volto meus olhos inteiramente para Deus. Acreditando ser perfeitamente possível, penso lá no fundo: “Pai, vá na frente, eu vou te seguindo”.</p>
<p>Estou grato. Tenho aprendido que a felicidade tem muitas faces.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/140/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/140/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=140&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As grandes conquistas do homem</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2006/10/23/as-grandes-conquistas-do-homem/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Oct 2006 14:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Desde criança, sempre acreditei que um dia eu faria algo que marcasse e mudasse a história das pessoas. Inventaria algo que fosse um divisor de águas na humanidade, uma salvação para os povos. Nunca soube direito &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2006/10/23/as-grandes-conquistas-do-homem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=128&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Desde criança, sempre acreditei que um dia eu faria algo que marcasse e mudasse a história das pessoas. Inventaria algo que fosse um divisor de águas na humanidade, uma salvação para os povos. Nunca soube direito o que seria, mas era um pensamento megalomaníaco qualquer.</p>
<p>Bem, preciso ser honesto antes de continuar essa confissão vergonhosa&#8230; pensamentos assim ainda me assaltam a mente. Sonhos impossíveis. Mas não são por vaidade, tão menos por orgulho. Esse sonho infantil, passava e passa por grandes feitos que tragam alegria para as pessoas. Eu diria então que é uma megalomania altruísta.</p>
<p>Quem sabe não seria um livro publicado mundialmente? Talvez um projeto de erradicação da fome. Uma canção tocante (ainda que eu seja inteiramente desprovido de ritmo e afinação). Ou, não seria eu um atleta nas Olimpíadas trazendo orgulho para minha pátria? Um grande artista? O vencedor de um Oscar para melhor documentário? Um prêmio Nobel da paz? Um líder político, um explorador espacial, um super-herói (por razões racionais esse último já não me vem tanto à mente)?</p>
<p>Bem, os amigos mais próximos são testemunhas de que nenhuma das opções acima fazem parte de meu acervo de dons e possibilidades. Mas foram e são sonhos, agora devidamente confessados. E só não me envergonho mais em escrevê-los nessa carta porque sei muito bem que você também pensa essas bobagens enquanto vive o ócio da vida comum, durante suas tarefas rotineiras, ao comer um pão com manteiga ou escovar os dentes em frente ao espelho.</p>
<p>A verdade é que nenhum de nós quer passar despercebido pela vida. Nós sonhamos! Queremos fazer algo que marque a geração em que vivemos. Desejamos ter a nossa saga particular e deixar uma lembrança para nossa descendência.</p>
<p>E foi há pouco, vendo um programa bobo de TV, que percebi que há algumas semanas eu estou sim, de maneira inimaginável, começando a escrever algo na história.</p>
<p>Serei pai. E daqui cinco meses uma garotinha (as chances são de 80%) sairá de dentro da minha esposa. Uma vida totalmente nova, inédita, um ser humano a mais no planeta. Uma pessoazinha de algumas gramas e centímetros&#8230;</p>
<p><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4880/67/1600/baby.jpg"><img border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4880/67/320/baby.jpg" style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" /></a></p>
<p>E isso é muito mais do que uma estatística demográfica para o mundo, é o resultado da soma do que minha esposa e eu somos. É como se o amor que sentimos um pelo outro pudesse ser medido e se transformasse em algo que podemos tocar. Sim, amor tem tamanho e ela é a prova viva disso.</p>
<p>É a prova de que o amor cresce, engorda e se desenvolve. Ela será a nossa marca, uma assinatura que deixaremos no mundo. Uma ovelha no rebanho do bom Pastor. Daremos a ela um nome e nossos sobrenomes. Com os olhos em Deus, daremos a ela o melhor que tivermos e que não tivermos também. Na verdade, se necessário, deixaremos de ter para que nada lhe falte.</p>
<p>Eu sei muito bem que essa não é a história que estará nas prateleiras das livrarias. Não passará em horário nobre e dublado no canal de televisão de alguma emissora no norte europeu. Não será noticiada em primeira página. Também não a lerão as pessoas que não conhecemos, não ganharemos medalhas, prêmios ou condecorações por isso.</p>
<p>Mas quem se importa? Seremos pais e essa é a glória – que talvez venha ainda acompanhada de uma camiseta de “Super Pai” pintada a dedo na 2a Série, uma caneca feita de barro por aquelas mãozinhas finas ou mesmo um beijo melado na bochecha quando eu chegar do trabalho para jantar. Isso importa.</p>
<p>Valores importam porque são o que nos moldam. São nossa família. E aquilo que somos e vivemos, eu sei, refletirá nessa vidinha que hoje pulsa, se prepara e surgirá em nossa casa e inverterá as nossas vidas sem pedir licença.</p>
<p>Quando casamos, iniciamos nossa família. Mas agora sinto que estamos começando a história daquilo que realmente somos. E ainda teremos mais filhos, que nos darão netos e bisnetos e talvez até alguns tataranetos (quem sabe o que ciência não há de preparar até lá?).</p>
<p>E quando estivermos velhinhos, sentados em nossas cadeiras de balanço, tomando um chá com biscoitos (bem, acho que ainda gostarei muito mais de um Toddynho do que dos chás), esses pequenos resultados de nosso amor, virão nos visitar num fim de tarde ensolarado. E então, entre uma brincadeira e outra, contarei a eles sobre os grandes feitos que seu avô realizou.</p>
<p>Sim, poderão haver aventuras, viagens, expedições inter-espaciais. Poderei ostentar livros premiados, ações humanitárias e conquistas materiais. Curiosamente ou não, não tenho a mesma fé em relação a música e a carreira como atleta.</p>
<p>Poderei ser ali, nesse futuro imaginado, um homem marcante para as pessoas. Mas hoje, percebo e acredito, que a grande obra de minha vida será a mais simples delas. Uma vida vivida com amor, a Deus e à minha família. Os filhos como frutos desse amor simples e tão comum. Eles serão o símbolo da história, do nome. Será essa, afinal, a mais nobre das obras, a melhor das conquistas, o grande triunfo. E me alegrarei, realizado em saber (ah, como creio!), que eles foram muito além de nós nessa jornada.</p>
<p>Hoje, oro e espero fazer direito. Espero honrar a confiança de Deus Pai em mim e na minha Manú, porque Ele nos dará a chance – e o amor, a vontade e o desafio – de escrever a nossa história, de escolher como e por o quê seremos lembrados um dia.</p>
<p>“Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão dum homem valente, assim os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta.” (Salmos 127: 3-5).</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/128/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/128/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/128/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=128&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Versos infantis dessa minha felicidade</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2006/08/21/versos-infantis-dessa-minha-felicidade/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Aug 2006 13:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Henrique Matos Felicidade eu tenho, Deitada ao meu lado, Suspirando em paz, Descansando em sonhos, A repousar Cabelos soltos sobre cama, Como solta ela está, Entregue, inocente, Renovando a vida e o dia, A repousar Felicidade eu sinto, &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2006/08/21/versos-infantis-dessa-minha-felicidade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=126&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiz Henrique Matos</p>
<p>Felicidade eu tenho,<br />
Deitada ao meu lado,<br />
Suspirando em paz,<br />
Descansando em sonhos,<br />
A repousar</p>
<p>Cabelos soltos sobre cama,<br />
Como solta ela está,<br />
Entregue, inocente,<br />
Renovando a vida e o dia,<br />
A repousar</p>
<p>Felicidade eu sinto,<br />
Realizado nesse leito,<br />
Enquanto leio, paro e olho,<br />
A admiro e assisto,<br />
A repousar</p>
<p>E sonho, ah, eu sonho acordado,<br />
Com o filho que ela tem em seu ventre,<br />
O futuro que seremos, dois eternos,<br />
Ah, felicidade!<br />
Ah, repousar!</p>
<p>Crescerá a criança,<br />
De todo amor será cheia, de Deus,<br />
E lançada como a flecha voará,<br />
Subirá como águia, além irá pela vida,<br />
Até pousar.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/126/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/126/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/126/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=126&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A explosão da vida</title>
		<link>http://missaovirtual.com/2006/07/25/a-explosao-da-vida/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Jul 2006 04:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Henrique Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[por Henrique Matos Vou ser pai. Minha esposa me fez ontem essa boa surpresa. Isso quer dizer que estamos afinal sendo presenteados com uma alegria que, admito, ainda não tem medida nesse meu coração mole. É incrível pensar que dentro &#8230; <a href="http://missaovirtual.com/2006/07/25/a-explosao-da-vida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=125&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Henrique Matos</p>
<p><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4880/67/1600/cegonha.jpg"><img border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4880/67/400/cegonha.jpg" style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" /></a></p>
<p>Vou ser pai. Minha esposa me fez ontem essa boa surpresa. Isso quer dizer que estamos afinal sendo presenteados com uma alegria que, admito, ainda não tem medida nesse meu coração mole.</p>
<p>É incrível pensar que dentro daquela barriga já existe uma pessoazinha, com menos de um centímetro, é verdade, mas com um coraçãozinho batendo. Existe uma vida ali e nada me faz duvidar de que essa explosão milagrosa não seja ação de um Deus perfeito e amoroso.</p>
<p>É igualmente maravilhoso – e até meio assustador – pensar que Deus confiará em nossas mãos a responsabilidade de criar um filho seu. Coisas assim que me fazem ter certeza de que a vida não é fruto do acaso, que cada ser humano é especialmente moldado em todas as suas características, que todos temos uma identidade única que nos diferencia e torna tão especiais.</p>
<p>Nesse instante existe um ser humano, ainda que uma coisinha sem forma, sendo moldado pelas mãos de Deus. E ele nascerá de minha esposa todo enrugado e mesmo assim vou acha-lo a coisa mais linda do mundo e já procurar algo em que tenha puxado o pai. E dormirá em um berço sob meu teto e me acordará de madrugada com um choro muito mais alto do que sua estatura mínima pode fazer acreditar. Quebrará boa parte dos cristais que preservamos por anos num móvel da sala e nos fará manter um estoque de copos de plástico mesmo para as refeições mais nobres. Me pedirá um vídeo-game de presente quando eu sonho em deixar uma coleção de livros. Me obrigará a trocar o canal da TV no meio de um decisivo jogo do tricolor para assistir algum desenho animado ultra-moderno que eu vou criticar e lamentar dizendo que na minha infância tudo era diferente. E ele consumirá mais fraldas do que jamais pensei existir numa prateleira de supermercado, terá mais brinquedos do que julgo necessário, perderá mais roupas do que o tempo que levam para gastar, trará uma bagunça desmedida para essa minha vida tão metódica&#8230; e, meu Deus, como estou grato por isso!</p>
<p>Bem, talvez essa seja mais uma experiência dessas que todos precisamos passar na vida. É possível – eu creio nisso de fato – que a paternidade seja a melhor das lições de Deus para que entendamos um pouco do sentimento que ele tem, como Pai, por seus filhos. Toda expectativa, os sonhos, a imaginação que voa longe tentando saber como e quem será esse indivíduo que é parte de nós. Gosto de imaginar – e acho que ele também – que essa nova vida terá seus próprios dons, personalidade, talentos, decisões e um propósito especial a cumprir.</p>
<p>Não, não acho que será fácil (e ninguém disse que seria), mas sei, de todo coração, que é o que mais desejamos nessa vida e que nossa esperança está nessa fé. E é nesse momento, tentando entender quais são as expectativas de Deus para essa criança, que voltamos a ser só um par de filhos necessitados, buscamos o colo do nosso Pai e pedimos um conselho diário para que nos ajude a ser o exemplo de caráter e vida que ele espera que sejamos.</p>
<p>Viver essa verdade com alegria, obedecer, ser e partilhar esse amor&#8230; com certeza, a única forma de podermos ensinar isso tudo da maneira certa.</p>
<p>“Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido com nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.” (Salmo 139: 13-16).</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/missaovirtual.wordpress.com/125/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/missaovirtual.wordpress.com/125/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/missaovirtual.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/missaovirtual.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=missaovirtual.com&amp;blog=1056589&amp;post=125&amp;subd=missaovirtual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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