10 anos de blog

Esperei quase um ano por esse post e finalmente, quando chegou a data de escrevê-lo, tive um lapso e me esqueci. Então, aqui estou, quatro dias atrasado para minha tão esperada mensagem de auto congratulação.

Nessa exata semana, em 24 de fevereiro, esse blog completou 10 anos de vida. “E já tinha blog em 2003?” perguntou-me um amigo hoje pela manhã. Tinha blog, movido a lenha, mas tinha. Ainda não tinha Facebook, Twitter, YouTube, Orkut, Gmail e essas coisas. Não tinha iPhone também. Eu escrevi os primeiros textos num PC 486 no laboratório de informática da faculdade.

Muitas outras coisas aconteceram nesses 10 anos. Eu me casei com a Manú (um mês depois de o blog ter ido ao ar), compramos uma casa, tivemos a Nina, viajamos, construímos uma etapa da nossa nova vida como família. E tal como muda a vida, mudam também as crenças. Perdi algumas convicções que pareciam tão sacramentadas e passei a defender sanguineamente outras tantas que hoje me parecem claras.

Cheguei a pensar, em virtude dessas bodas, em mudar tudo por aqui. Porque a verdade é que já não acredito – até me envergonho – nas coisas que escrevi em 2003. Pobre rapaz, como eu podia pensar daquele jeito? Outro fato é que já desde o começo notei que o nome Missão Virtual não significa nada e estampá-lo no topo dessa página junto com meu nome seria algo como ter montado uma banda na adolescência e ter que lembrar, décadas mais tarde, que Paralamas do Sucesso não quer dizer muita coisa.

Pensei então em fazer um blog novo, com nome novo, design novo e essas coisas que aspirantes se empenham em fazer em suas páginas. Mas desisti. Desisti porque daqui outros 10 anos é bem provável que eu queira jogar no lixo os textos de agora e é perfeitamente possível que eu condene qualquer novo nome que esse blog venha a ter.

A boa verdade é que os anos passam, nós amadurecemos (assim se espera), mudamos e adquirimos perspectiva. Reler as crônicas que registrei por aqui uma década atrás me faz perceber que todo o deslumbramento com a fé tão recente e a novidade da transformação que isso causava em mim eram apenas o primeiro passo de uma jornada que vem se revelando mais interessante, complexa e transformadora a cada dia.

Então, deixe tudo aí, para que eu me envergonhe e também me lembre. Para que existam testemunhas, para que a caminhada tenha sua trilha. E se esses 10 anos são uma história a ser contada, ela precisa ter algum registro.

Bom, pelo menos até que eu mude de ideia.

Não sei em que fase dessa caminhada você chegou por aqui, mas quero agradecer a boa companhia. Vamos em frente, por outros anos mais.

Um abraço sincero,

Henrique

PS: Aproveitando as “festividades”, criei uma página para o blog no Facebook. Dá para acompanhar os posts daqui e outras coisas mais rotineiras nesse link: https://facebook.com/missaovirtual.

Se você não acredita no céu

Vamos supor que, como querem acreditar tantos, não exista céu ou inferno. Suponhamos que não tenha nada sobrenatural, de fato, que o mundo espiritual seja um estado fictício, uma fuga da mente humana para não sucumbir à dor do incerto e da perda. Imagine que a busca do homem pelo divino seja auto-engano e que não passamos realmente de matéria.

Conjeturemos que os textos sagrados mais antigos sejam tão somente lendas. Considere por um instante que milagres sejam felizes coincidências. Acredite, se puder, que tudo seja mesmo fruto do acaso, que a história se fez toda ela e o mundo inteiro de evidências puras, com apenas algumas, de certo, ainda não reveladas.

Tente pensar que não há um deus.

Mesmo assim, ainda assim, a figura do Cristo histórico, o Jesus registrado nos textos precários, o homem palestino do primeiro século, aquele pobre galileu e seu discurso louco, suas atitudes… eu o seguiria por onde fosse. Renderia minha vida aos seus pés, reconheceria minhas falhas, veria em sua graça as minhas imperfeições, a imagem que ansiaria refletir, o sacrifício redentor em seu olhar.

Eu o chamaria mestre. Tão humano, tão revolucionário, tão verdadeiro, tão puro, tão Deus.

Pausa

De repente, por uns dias, você se vê forçado a parar com a coisa toda. Uma crise, férias, um problema de saúde, o que for, surge e te coloca para dançar em outro ritmo. E você nota que a Máquina talvez não precise realmente funcionar naquela rotação, estar ligada tão intensamente a ponto de esvair as forças que deveriam estar sendo usadas para outro propósito. Você se afasta, olha para a Máquina e se lembra que a vida não é bem… que o meio não pode ser tratado como um fim. Tudo o que você precisava era de solitude, uma certa distância e sua casa a qualquer hora. O pé na grama, o sol na pele, crianças por perto, por aí, a vida se completa lá fora. O homem se completa em Deus. E as coisas parecem estar se ajustando outra vez.

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Jesus, em Mateus 6:21)

Falar sobre escrever não é escrever

Os dias vão passando e esse espaço continua no vácuo, sem posts, sem textos novos. Peço desculpas, caso alguém aí alimente qualquer expectativa sobre isso aqui. Quando me sento em algum canto da casa com a intenção de colocar algo no papel, tudo o que consigo reunir é um punhado de anotações breves que não dariam meio texto sequer.

Ando vazio. Tal como o blog, a pasta de rascunhos no laptop, o aplicativo de notas do celular – ah, essa modernidade… – e o caderninho que ganhei da Manú como um presente para me incentivar.

Li, hoje, uma citação do americano E.L. Doctorow no blog do Sérgio Rodrigues que traduz um pouco a minha inversão de valores:

“Planejar escrever não é escrever. Traçar o projeto de um livro não é escrever. Pesquisar não é escrever. Falar com as pessoas sobre o que você está fazendo, nada disso é escrever. Escrever é escrever.”

Talvez valha dizer que publicar um post sobre o problema de não escrever também não é escrever.

Tentarei mudar esse quadro.
Abraços.

Considerações sobre céu e inferno

Fico pensando se Deus, no último dia, resolvesse nos julgar pela nossa capacidade de demonstrar amor ao próximo. Se no fim das contas, a distinção entre homens bons e maus fosse tão simples quanto avaliar nossa atitude em relação às pessoas que passam pela vida da gente e que tiveram fome, sede, estiveram doentes, presas ou necessitadas de alguma forma.

Fico pensando que se as coisas fossem por aí, então o diabo já deveria começar as obras de ampliação nas instalações do inferno.

Fico pensando na passagem de Mateus 25:31-46 e um certo arrepio me sobe pela espinha.

-LHM

Não vou deixar a vida me levar

Às vezes, na vida, a gente é dotado de tão boas intenções que nos envolvemos em alguns projetos e acabamos deixando de lado detalhes importantes.

Pessoas. Estou falando de filhos, esposas, amigos, pais, familiares… porque nenhuma carreira, obra social ou ministério é mais importante do que aqueles que estão – ou deveriam estar – ao nosso lado diariamente.

Não podemos deixar que a vida nos engula, a rotina nos absorva e os dias escorram pelos dedos como areia fina. A vida é nossa e a escolha de como vamos usar esse tempo está, o tempo todo, em nossas mãos.

-LHM