Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito

por Luiz Henrique Matos
O nome é de livro pentecostal :) mas esse é mais um da série de estudos e sermões que venho postando por aqui há uns meses (eu não faria o desfavor de colar o texto na íntegra).

“Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito” foi a mensagem que ministrei a um grupo de jovens na cidade de Itapeva (SP) no último dia 30 de maio.

Clique para baixar: Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito

Boa leitura. E depois me diga o que achou.

(foto no Flickr de Peter from Wellington)

Cenas domésticas: Sesta

por Luiz Henrique Matos

Depois do almoço, a Nina estava descaradamente com sono.

- Papai, quero o DVD da Lola…
- A Lola e o Charlie foram dormir um pouco, filha.
- Quero o Barney.
- O Barney também está cochilando.
- Ahnf! – contrariada, esfregando os olhos.
- Nina, você sabe o que tooodas as criancinhas fazem, quietinhas, deitadas, logo depois do almoço?
- Arrãm.
- Ah, sabe? O que elas fazem?

Ela pensou um pouco.

- Bagunça!

Sem perder a reverência

por Luiz Henrique Matos

Pedro o olhava e via o amigo com quem tantas vezes repartiu a manta durante as vigílias e viagens pelas madrugadas. Maria o olhava e via o filho a quem educou, alimentou e repreendeu quando seguia distraído brincando pelo vilarejo. João Batista o olhava e via o primo, companheiro de jogos durante sua infância.

E todos o chamavam Senhor e Cristo.

Era Deus. E era um homem tão cativante e próximo que a relação com ele chegava a ser ambígua. De Pedro que o negou, na dúvida sobre sua postura de submissão diante da morte iminente. Maria que lhe pediu favores acreditando inocentemente na sua autoridade de mãe. E João, que estando preso, pediu que lhe perguntassem se era ele mesmo o Messias.

Mas ao olhar em seus olhos, ao ouvir seu ensino, sentir seu toque… em sua presença ninguém fica indiferente. Diante do Deus vivo é impossível não ser reverente, cair de joelhos e o amar sem saber de onde ou porquê. Não há como não ser revirado pelo sagrado, o divino, o poder absoluto, o soberano, a verdade, a sabedoria, o amor. Deus em sua essência. E adorá-lo.

É consolador saber que ele está sempre tão perto. Um pai presente e carinhoso, um amigo fiel, uma voz de alento que nos dirige os passos. Mas em meio à descoberta do amor e da graça, não podemos perder de vista que ele é Senhor.

É nessa hora que, mesmo sabendo que Deus deseja um abraço de seu filho pródigo, a única reação possível é prostrar-se diante daquele que é, do Deus vivo e render-se a esse seu amor absurdo. Ele é Deus.

“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Filipenses 2:9-11).

Realização do homem, realização de Deus

Rui Luís Rodrigues é um pensador e eu o admiro. Não porque ele seja pastor da minha comunidade, mas porque sua capacidade de trazer a verdade à tona supera a resistência inicial que qualquer um tenha à sua mensagem indigesta. E encanta. A cada vez que o ouço anunciar as boas novas ou leio algumas de suas reflexões, encontro algo que tem espelho naquilo em que firmo a minha fé e esperança.

Agora o Rui escreveu um livro. E que livro! Ainda estou no começo da leitura, mas fico feliz em saber que posso ter e consultar um olhar muito particular do Reino que me amplia a visão.

Abaixo, segue a capa do livro “Realização do homem, realização de Deus” publicado este mês pela Editora Reflexão. Estou colando também o texto da contra-capa, caso queira mais detalhes.

Realização do homem, realização de Deus

Realização do homem, realização de Deus

A obra que você tem em mãos reúne os ensaios escritos pelo teólogo e historiador brasileiro Rui Luis Rodrigues. Convencido de que a principal tarefa da teologia cristã é a de construir pontes entre a fé e a cultura, o autor defende que sem o diálogo entre a igreja e as pessoas da presente geração, qualquer missão cristã pode ser considerada inviável. A teologia cristã não nasceu para ser exemplo consumado de irrelevância!

Realização do homem, realização de Deus é uma obra composta por artigos independentes mas, ao mesmo tempo, conectados. Apresenta a teologia cristã como exercício plenamente humano e reflexivo, valorizando as riquezas da Escritura, mas também da História.

A partir de duas intuições fundamentais, aquela que destaca a percepção de um Deus interessado em levar o ser humano à realização dos seus potenciais, e uma outra que procura identificar o impacto, sobre a igreja e a teologia, da modernidade e suas especificidades, o autor procura
demonstrar que a autêntica teologia, na condição de serva da igreja e serva de Deus, jamais será incompatível com a verdadeira espiritualidade.

Rui Luís Rodrigues

O autor é professor de Teologia Dogmática na Faculdade de Teologia Comunidade Carisma, em Osasco/SP. Graduado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, ele atualmente realiza estudos de pós-graduação em nível de Doutorado em História Social na mesma Universidade.

África

Nossos irmãos mais velhos gritam por socorro e nosso Pai pede para que seus filhos o ajudem a salvar parte da “família”. Acho que a igreja realmente faz muito pouco a respeito. Mas para não ser o crítico que não olha o próprio umbigo, preciso admitir que se a igreja faz pouco, eu não faço nada.

No último mês, duas mulheres da comunidade a que pertenço foram até Moçambique dar apoio a um projeto missionário que sobrevive naquele país. Abaixo, segue o vídeo com algumas imagens da viagem.

Está nas mãos da igreja mudar esse cenário.

Leia também: Palestra de Rick Warren em São Paulo

Mais terrível é ter voz sem ter o que proclamar

Nos anos ’50 o famoso evangelista W.E. Sangster descobriu que tinha uma doença incurável, que causava atrofia muscular progressiva. Seus músculos iriam aos poucos atrofiar e ele perderia sua voz. Sangster se entregou ao máximo no seu trabalho de missões domésticas na Inglaterra.

Mas, aos poucos sua voz acabou por completo. Tremendo, ele ainda conseguia segurar uma caneta. Na manhã de seu último domingo de páscoa, poucas semanas antes de falecer, ele escreveu um recado para sua filha.

Na mensagem ele escreveu, “É terrível acordar no domingo de Páscoa sem voz para proclamar “Ele ressuscitou!”. Porém, mais terrível ainda seria ter uma voz e não ter nada para proclamar.”

Trecho do texto “O Verdadeiro São João”, de Dennis Downing publicado pelo site Iluminalma.com.br

Chesterton e o mistério

Enquanto se mantém o mistério se tem saúde; quando se destrói o mistério se cria a morbidez. O homem comum sempre foi sadio porque o homem comum sempre foi um místico. Ele aceitou a penumbra. Ele sempre teve um pé na terra e outro num país encantado. Ele sempre se manteve livre para duvidar de seus deuses; mas, ao contrário do agnóstico de hoje, livre também para acreditar neles. Ele sempre cuidou mais da verdade do que da coerência. Se via duas verdades que pareciam contradizer-se, ele tomava as duas juntamente com a contradição. Sua visão espiritual é estereoscópica, como a visão física: ele vê duas imagens simultâneas diferentes e, contudo, exerga muito melhor por isso mesmo.

Assim, ele sempre acreditou que existia isso que se chama de destino, mas também isso que se chama de livre-arbítrio. Assim, ele acreditava que as crianças eram de fato o reino dos céus, mas, apesar disso, deviam obedecer ao reino da terra. Ele admirava a juventude por ela ser jovem e a velhice por não o ser. É exatamente esse equilíbro de aparentes contradições que tem sido a causa de toda a vivacidade do homem sadio. Todo o segredo do misticismo é este: que o homem pode compreender tudo com a ajuda daquilo que não compreende. O lógico mórbido procura tornar lúcido e consegue tornar tudo misterioso. O místico permite que uma coisa seja mística, e todo o resto se torna lúcido.

- G.K. Chesterton, “Ortodoxia”, Mundo Cristão, 2007.

Fonte: Livros só mudam pessoas, post de Thyago Coimbra.

De mãos dadas

por Luiz Henrique Matos

De mãos dadas

De mãos dadas

Se tem algo que eu gosto é segurar a sua mão. Não importa a ocasião, ao atravessar a rua, sentados nos sofá, ajudando a fazer força enquanto ela usa o banheiro ou simplesmente para dirigi-la em alguma situação. Aquela mãozinha envolvida na minha me ajuda a ter a dimensão da sua dependência – e o meu desejo de sempre garantir que ela saiba disso. Os dedos finos, a pele delicada, a palma da mão morna e úmida de suor, a minha certeza de ter o que é meu por herança.

Por uma mão ela arrasta uma boneca, um copo de leite, um lápis de cor com a ponta gasta. Por outra ela se arrasta, segue cegamente os passos daquele em quem confia e lhe dirigirá os passos.

Não preciso dizer que ela tem crescido mais rápido do que eu gostaria. Daqui a pouco ela será maior do que eu, mais inteligente, independente e, apesar de mais magra – isso não é nada difícil dado o meu último indicador na balança da farmácia – eu já não conseguirei carregá-la no colo.Mas não importa o quanto ela cresça, acho que sempre terei a sensação de que sua mão cabe dentro da minha e que, desse jeito, continuarei sendo o “papá” a quem ela recorre quando precisa de algo, quando deseja brincar, quando quer descansar.

Gosto de não precisar ouvi-la dizer nada e apenas erguer os braços com a mão espalmada tendo a certeza de que eu retribuirei. Gosto de sentir os dedinhos se entrelaçando aos meus, me dando a sensação tátil do mesmo sangue que somos. Não gosto de vê-la com medo, chorando, mas corro e me precipito em segurá-la, mãos erguidas em minha direção, para que saiba que sempre, sempre estarei ali para ampará-la. Faço tudo para estar.

Imaginar minha cria sozinha, abandonada à sorte, provas e desafios que esse mundo descarrega sobre nós não é dos sentimentos mais agradáveis. Chego a pensar que gostaria de tê-la nos braços o tempo todo. Mas sei que não é possível e, por hora, imagino também que não é o mais apropriado. Ela precisa viver, vai precisar aprender, vai ter que se virar sozinha. O coração debate com a razão e preciso aprender, eu, que o melhor a ser feito é o que é melhor pra ela. Dura realidade.

Ela já toma algumas decisões sozinha. Já fala por si. Ela já sabe andar em alguns lugares que antes lhe pareciam difíceis. Agora ela pedala o velotrol e já não depende de mim para empurrá-la. Eu estufo peito, coruja, ela tem aprendido coisas comigo – e eu ainda não me toquei que “velotrol” é uma palavra que morreu na minha infância e muito provavelmente ela nunca usará na vida!

Mas ainda tenho coisas a ensinar e minha alegria é estar com ela para isso. Caminhando de mãos dadas, fico feliz em poder andar devagar, no seu ritmo e limitações, para lhe mostrar o caminho que eu vejo à frente. Falo da forma mais simples possível para garantir que ela me entenda. Conto histórias e imagino coisas para que o conhecimento lhe seja algo claro.

Quero percorrer ao seu lado as trilhas que já conheço. Quero que sua infância seja recheada das brincadeiras, da ingenuidade e da inocência que eu acho que teve a minha. Quero que saiba que ao contrario do que argumenta um dos seus tios, torcer para o São Paulo é definitivamente uma boa escolha. Quero que ela conheça o Deus amoroso que eu conheço e o ame mais do que eu. Quero aprender tabuada, logaritmos, pi, raiz quadrada e alguma coisa de física – que nunca me entraram na mente – para poder ajudá-la a estudar nas provas do colégio. Quero, a contragosto e sem a mínima pressa (fique isso bem claro e documentado), poder conduzi-la até o altar ao encontro do homem de sua vida e que se realizem, que descubram juntos o amor e a razão do que os dois nasceram para ser: um. Quero repartir minhas experiências e aprendizados para poupar-lhe esforço e sofrimento, mesmo sabendo que, assim como eu fiz um dia, ela vai me achar um tolo antiquado e ignorar a maioria desses conselhos – e eu não me sentirei vingado quando, depois de se dar conta, ela falar que eu tinha razão. Quero mesmo que ela tenha mais razão do que eu, porque isso também mostrará que foi mais longe do que o pai.

E só quero ainda, assim de forma egoísta mesmo, que ela saiba de tudo isso e quando afinal descobrir que não sou tão grande, forte, inteligente quanto pensou a vida toda e então souber que o herói de sua infância é um pobre homem falível e cheio de pecados, que ainda assim se sinta orgulhosa em me chamar de pai. E que eu estarei sempre ali.

É irônico, talvez, saber que um filho não conhece a fraqueza de seu pai até que os anos passem e finalmente os corações se encarem e tudo venha a tona.

É irônico, certamente, depois de alguns anos de convivência mais íntima, saber que o meu Pai, o Deus da minha vida, perfeito e soberano, tem justamente no amor a sua fraqueza. E sensibilizado pelos corações quebrantados, pelas atitudes rebeldes, pelo choro desesperado, pela rendição cega e confiante dos filhos, ele se move, ele se rende, se entrega, encarna, perdoa, carrega, refaz. Ele estende a mão.

O Deus amor é Pai.

E, bem, talvez ele não seja são-paulino, talvez nunca me explique pra que raios servem os logaritmos, talvez tenha me deixado só por um tempo para eu aprender a andar sozinho. Mas, quando estendo minha mão espalmada, morna e úmida de suor para o alto e diante dele estou… arrependido, dependente, grato, resignado, com medo ou simplesmente estou, posso sentir a sua mão, forte e também delicada, e os dedos entrelaçados aos meus me dando a segurança de sua presença e a afirmação eterna de que sou filho, fruto do seu sangue.

Liberdade

por Luiz Henrique Matos

O mundo não entende. As pessoas julgam que o render-se a Cristo as aprisionará a uma espécie de doutrina que regerá suas vidas e lhes podará as escolhas. Mas esse é o grande engano, porque a verdade está justamente no oposto, no fato de que só em Jesus Cristo é que podemos desfrutar a plena liberdade que nos livra da escravidão em que vivemos.

Ele é a liberdade, o amor, a esperança, a paz, o caminho, a verdade e a vida que nossas almas anseiam. E Deus “humaniza” seu plano em seu filho para que possamos compreender o quanto esse amor é real e essa vida é possível. Deus resolve viver na Terra para mostrar na imagem da nossa visão tão limitada, seu plano e seu sentimento. E sua crucificação é a prova do preço que está disposto a pagar para resgatar esse relacionamento e, se assim concordarmos, dar-nos a liberdade eterna e poder nos chamar de filhos.

Afinal, quando alguém morre no lugar de outra pessoa, o objetivo só pode ser o de salvar sua vida.

Uma canção para a sexta-feira

Em quatro diferentes interpretações, Mahalia Jackson, Elvis Presley, Aretha Franklin e Yolanda Adams cantam o clássico hino Amazing Grace de John Newton. Eu fico na dúvida entre Mahalia e Yolanda…

O post de hoje é inspirado no filme de mesmo nome lançado este ano. No Brasil, não chegou a passar nos cinemas, mas já está nas locadoras com o título traduzido para Jornada pela Liberdade.

Bom fim de semana.

Cenas domesticas: Co-piloto

por Luiz Henrique Matos

Já era tarde. Quase dez. Hora de criança estar na cama, já diriam várias pessoas. Mas nós ainda estávamos na rua, no carro, a família toda voltando do shopping. Adultos na frente, em silêncio, acreditando no sobrenatural poder sonífero que os automóveis exercem sobre as crianças e desejando que a nossa já estivesse dormindo para ainda tentar ver um filme qualquer no DVD (é incrível como nosso critério de filme bom muda depois da paternidade – até o Van Damme vira um clássico, raridade mesmo).

Finalmente, já na garagem do prédio, duas ou três curvas feitas suavemente e estacionamos o carro. Música desligada, freio de mão puxado, cintos soltos correndo de volta para o buraco-negro dos cintos de segurança e lá de trás uma voz desponta no silêncio:

- Ahh, cheguei!

Arrependimento

por Luiz Henrique Matos

Deus não é como nós. Ele não se ofende, não se ressente, não fica com raiva quando traímos sua confiança. Ele vê o nosso erro e engole seco, sente a dor do pai que não quer ver seu filho caminhando em direção à própria destruição. Ele chora em silêncio, sozinho e lamenta.

“Ahh, meu filho… como eu gostaria que você não tivesse feito isso.”

E às vezes até esperamos que ele nos castigue. Queremos uma bronca dura, um tapa na cara, uma indulgência algo que nos faça pagar pelo erro que cometemos e, de alguma forma, nos alivie o remorso.

Mas ele não faz. Ele é sempre melhor do que nós. O amor é sua essência e ele se compadece, ele perdoa, estende os braços esperando para nos abrigar, morre em nosso lugar para nos dar de volta a vida. Ele paga o preço da nossa culpa.

E isso dói. Dói o sentimento de remorso, a afiada lâmina da culpa nos rasgando por dentro, a humilhação do nosso orgulho ferido. Como é amargo o gosto da consciência do erro, A cruz de Cristo parece uma luz ofuscante demais, para a qual não conseguimos mais olhar.

“Pai, se for possível, me perdoe! Errei outra vez.”

Então, mais uma vez ele chora. Mas de alegria incompreensível. Então, o pai faz festa para o filho perdido que regressa. Ele não quer nada em troca, ele só nos quer de volta. Ele limpa a casca de sujeira que nos envolve, nos dá água fresca e comida quente, prepara um descanso numa cama macia. E abrigados em seus braços, ele ainda nos chama de amados, ele cala a nossa voz e sussurra sua canção de ninar

“Não diga, não diga nada… Minha graça, minha graça é o que basta.”

Sentado em sua imensa cadeira de balanço, o pai está feliz vendo sua criança que agora dorme. Porque o filho que caminhava distante e perdido em direção à morte voltou para casa.

E os anjos silenciam e observam. O exército do céu cerca a singela cena, são testemunhas do amor vivo, são os olhos eternos contemplando a razão de o mundo ter sido criado: o homem em sua condição de filho dependente e o Pai… o Deus que só quer ser amado.