O amor absurdo

Ele é Deus e não precisava ser fiel. Mas ele é, sempre é. Ainda que não sejamos.

Ele é Deus e não deve satisfação a ninguém. Mas ele dá. E se você não entender, ele explica outra vez em parábolas.

Ele é Deus e não precisa sofrer, porque o mundo, afinal, está sujeito ao seu poder. Mas ele sofre para nos mostrar que é possível superar a dor. Ele chora pelo amigo que morreu.

Ele é Deus e não precisaria nos dar nada. Mas ele provê, ele restaura, presenteia, abençoa, mima, agracia, facilita as coisas.

Ele é Deus e nós somos criação sua.

Ele, que é soberano e eterno, é quem se entrega e doa de si para provar a nós, seres tão pequenos e limitados, o seu amor absurdo.

Ele ama. Ele é amor.

- LHM

O Paraíso é uma espécie de livraria

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

“Sempre imaginei que o Paraíso fosse uma espécie de livraria”

- Jorge Luis Borges

A frase é antiga, mas nunca tinha colocado aqui. Me faz lembrar uma viagem que fiz a Buenos  Aires em 2007 e a livraria que visitei na ocasião – ver no post “Paraíso na Terra”.

Faz lembrar também outras quatro coisas importantes para postar aqui hoje:

1. Semana passada tivemos o dia internacional do livro. E para a ocasião, um excelente vídeo foi produzido pelo pessoal do blog Ler Devia Ser Proibido.

2. O site Trocando Livros tem feito um trabalho bem legal. Você se cadastra e escreve os livros que deseja trocar. Quando alguém solicita um livro seu, você envia pelo correio e ganha um crédito. Esse crédito te dá direito a pedir qualquer livro que outro usuário tenha cadastrado no site. Eu uso e recomendo.

3. A iniciativa do Sérgio Pavarini, do PavaBlog, em lançar o mob de leitura “Livros só mudam pessoas”. Além de um blog muito bacana sobre literatura, tem boas iniciativas, campanhas e distribuição de exemplares para os seguidores. Eles estão no Twitter (@livrosepessoas) também.

4. Bookcrossing. Expressão antiga para os meios digitais, mas muito pertinente para nossos tempos em que termos como sustentabilidade, crise e educação estão sempre em pauta.

É isso. Bom feriado a todos. Semana que vem espero que a loucura diminua um pouco e eu consiga voltar a postar crônicas por aqui.

LHM

O que (não) estou lendo

Eu e minha irritante mania de ler vários livros ao mesmo tempo. E não terminar nenhum tão cedo quanto gostaria. Dos atuais, na ordem, estou com essas “pendências” de cabeceira. Todos excelentes.

O mais recente eu comprei ontem, “As memórias do livro”, depois de entrar numa livraria com um amigo e ouvir dele enquanto apontava um exemplar:

- Meu sogro escreve e está lendo esse livro. Ele disse que pela primeira vez na vida sentiu inveja de um autor.

Comprei um exemplar na mesma hora. E agora administro a ansiedade entre as prioridades na leitura.

Alguém aí sabe resolver isso?

As origens da Bíblia na internet

As origens da Bíblia na internet

Codex Sinaiticus, que contém partes da Bíblia, está disponível na internet.

http://www.codexsinaiticus.org

Um dos mais importantes livros da História acaba de chegar à internet. É o Codex Sinaiticus, uma obra escrita no século 4 e que contém partes do Antigo Testamento e a versão completa mais antiga que se conhece do Novo Testamento. Especialistas reuniram os vários trechos do livro, que estavam na Inglaterra, na Rússia, na Alemanha e no Egito. Os primeiros trechos, em inglês e alemão, entraram no ar em julho, e a versão integral estará disponível até 2009.

Fonte: Revista Aventuras na História

Coisas modernas?

Quando o todo se encontra em mau estado, é impossível que as partes se comportem bem. É da alma que vêm para o corpo todos os males e todos os bens. É pois da alma que é preciso cogitar, tratando-a antes de tudo. constitui erro hoje disseminado entre os homens, procurar curar separadamente a alma ou o corpo.
- Platão

Fonte: citação impressa no rodapé do receituário do meu médico  :)

E o futuro, a quem pertence?

por Luiz Henrique Matos

Sementes (crédito: pictoscribe)

Estava pensando na minha filha ainda há pouco. Pela manhã eu olhei o tamanho que ela já está, os dois anos que passaram tão rápido e essas coisas de todo pai. A preocupação bateu quando tentei imaginar essa menininha já adulta, daqui alguns anos, construindo sua família e tudo mais.

E somado a isso, andei pensando também nessa coisa toda de aquecimento global, corrupção, violência, fome e pobreza. O mundo anda cada vez mais complicado. Parece-me que à medida que se amplia o acesso às informações sobre o caos em que estamos vivendo, cresce também a voracidade com que essa desigualdade se agrava.

E eu pensei na Nina outra vez. Que será do mundo quando ela já for adulta? Vai saber… Eu fico com um certo receio em pensar no tipo de prato que meus netos comerão à mesa, do ar que vão respirar, o tipo de proteção métodos de segurança que precisarão seguir antes de sair na rua. Tanta coisa.

Geralmente quando penso no legado que poderei deixar para meus filhos e netos, me vem à mente experiências, aventuras, princípios, erros e acertos que eu tanto gostaria de que se lembrassem. Penso também nos recursos materiais que me esforço para guardar e que poderão lhe garantir algum conforto. Mas esqueço do mundo.

Quer dizer, eu lembro de ensinar a Nina que ela precisa dividir seus brinquedos, ser “boazinha” e doar o que não usa. Eu procuro dar o exemplo fazendo alguma coisa. Mas é pouco, muito pouco.

O mundo, termo que generaliza pessoas – que é termo que generaliza o José, o Mohamed, o John, o Akira, o Makelele e cada ser humano que respira nesse planeta. Pois bem, o mundo precisa de algo mais de mim. Eu preciso fazer mais por ele, por todos.

Coisas simples. Se me foi dada uma condição de vida melhor que de meus semelhantes, então eu posso doar mais. Se eu aprendi a fazer algo que pode ajudar outros a se desenvolverem, então eu posso ensinar. Se… pois é, existem várias alternativas em minha mente, mas o gesto mais simples de estender a mão ao próximo é um passo que precisa ser dado. Como diz a sabedoria popular: comece limpando a sua calçada.

Sou cristão. Não digo isso porque acho que esse fato me garanta alguma condição especial. Pelo contrário, acho que minha crença me obriga a seguir um exemplo e alguns mandamentos a respeito de amor, generosidade, hospitalidade, doação, serviço, compaixão e entrega, que constam de forma enfática nos livros sagrados.

Há algum tempo, um amigo me falava sobre essa questão de plantar e colher. Está na Bíblia, mas é basicamente a velha regra natural da agricultura: o que você planta hoje, colhe amanhã. Às vezes o amanhã não é literal, às vezes quem vai colher o fruto dessa semente que lançamos não somos nós, mas outra pessoa, outra geração. Isso vale para gestos, coisas, investimentos – e plantas, evidentemente.

Até poucos meses, nosso mundo vinha passando por um período de bonança que há muito tempo não se via. Abundância de recursos, dinheiro, crédito, todo mundo esbanjando e aproveitando sua prosperidade. Tudo, segundo essa conversa com meu amigo, fruto de boas sementes plantadas lá atrás.

Pois é, mas acontece que nossa colheita também produz coisas. A maneira como arrancamos tais “frutos”, sem deixar a terra pronta para receber novas sementes, sem regar um pouco, pode impedir o novo plantio. Ficamos tão afobados em aproveitar a boa onda que deixamos de lado nossa obrigação em preservar para o futuro.

E a Nina, o que ela vai colher? Bom, tudo depende do que eu decidir plantar hoje.

(crédito da foto: flickr de pictoscribe)

Três da tarde (Max Lucado)

O céu está em lágrimas. Ouve-se o balido de um cordeiro. Lembra a hora do grito? “Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz…” Três da tarde, hora do sacrifício no templo. Menos de uma milha a leste dali, um sacerdote ricamente vestido conduz um cordeiro ao sacrifício sem saber que seu trabalho é em vão. O céu não está olhando para o cordeiro dos homens, mas para “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29)

- Max Lucado

Fonte: devocional do Cristianismo Hoje

Donald Miller – Três bênçãos

Fui criado acreditando que a qualidade da vida de um homem aumentaria muito não com a obtenção de status ou sucesso, não pela experiência da paixão ou por causa da prosperidade no trabalho ou na academia, mas com sua proximidade de Deus. Perturba-me saber que a vida cristã é simples assim. O evangelho – as boas novas – é algo simples, mas é o portão é o início da trilha. Resolver os conflitos da falta de fé é um trabalho duro. Deus deu três bênçãos ao homem: alimentá-lo como os pássaros, vesti-lo como as flores e ser seu amigo mais íntimo. Gente demais fica com as duas primeiras e ignora a terceira. Mais cedo ou mais tarde, você descobre que a vida é criada específica e brilhantemente para colocar o homem em ligação com o Senhor do Céu. É um esforço, com dores de parto e acidentes de percurso, mão cobertas de sangue e testa suada, a cabeça nas mãos, momentos de grane solidão e questionamento, momentos de dor e desejo. Tudo isso leva a Deus, imagino.

- Donald Miller, “Fé em Deus e pé na tábua”, p. 130