Sobre dons, habilidades e propósitos de vida (ou não)

por Luiz Henrique Matos

Há algumas semanas eu pensava nessas coisas de sempre. Coisa minha, de crise existencialista sobre propósito de vida, chamados para mudar o mundo, os sonhos semeados por Deus em meu coração… isso tudo que no fim das contas é algo mais voltado para mim mesmo do que para Deus.

E aí eu pensava que sou mesmo um tremendo egoísta.

Foi nesse instante que um pensamento me surpreendeu como uma rasteira. A doce voz do Espírito – sempre doce, sempre dando uma bronca sutil, sempre me fazendo cair arrependido – me dizia que não importa quais sejam meus dons, habilidades ou propósitos de vida, uma coisa não muda nunca: precisamos seguir a ordem e o exemplo de Jesus de orar pelos enfermos, ajudar os pobres e ensinar as boas novas do Reino a toda criatura, todos os dias.

A pensar… é o que Ele ainda faria se estivesse por aqui nesse tempo.

Para salvar da fome quem já estava de barriga cheia

Ótimo texto de Mentor Muniz Neto, publicado na última semana no blog Update or Die.

Ei, voce aí, me dá um dinheiro aí?

Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o
problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.