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- Luiz Henrique Matos

Eu caçador de mim

Não seria este o lugar mais abençoado para que eu possa tornar-me amigo de minha morte? Não é este o lugar onde o silêncio exterior pode aos poucos conduzir-me ao silêncio interior, em que poderá abraçar minha própria mortalidade? Sim, o silêncio e a solidão convidam-me a, gradativamente, abandonar as vozes externas, que me dão uma sensação de bem-estar entre as pessoas, para confiar na voz interior que me revela meu verdadeiro nome. O silêncio e a solidão incitam-me a desvencilhar-me dos andaimes da vida diária e a descobrir se alguma coisa consegue se sustentar quando se arrancam os sistemas de apoio tradicionais.

- Henri Nouwen, em “Nossa maior dádiva: Uma meditação sobre o morrer e o cuidar”

Fonte: Blog do Sérgio Pavarini

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Frases: Tolstói

Depois do post no começo da semana, li mais algumas citações interessantes de León Tolstói que, acredito, valham o prazer da reflexão:

Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.

Os ricos fazem tudo pelos pobres, menos descer de suas costas.

Enquanto houver matadouros, haverá campos de guerra.

Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.

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A execução de Dietrich Bonhoeffer

Na manhã do dia 6 de abril de 1945, entre as 5 e as 6 horas, os prisioneiros [...] foram retirados de suas células e o julgamento do tribunal de guerra lhes foi comunicado. Pela porta entreaberta de um quarto, no acampamento, eu vi, antes que os condenados fossem despidos, o pastor Bonhoeffer de joelhos diante de seu Deus em uma intensa oração. A maneira perfeitamente submissa e certa de ser atendida com que esse homem extraordinariamente simpático orava me emocionou profundamente. No local da execução, ele orou novamente e depois subiu corajosamente os degraus do patíbulo. A sua morte ocorreu em alguns segundos. Em cinqüenta anos de prática, jamais vi um homem morrer tão completamente nas mãos de Deus.

[Testemunho do médico do campo de concentração nazista Flossenburg, citado em D. Rance. Un siècle de temóins. Paris: Fayard-Le Sarment, 2000]

Fonte: Blog do Ed René Kivitz

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Eu dou esmolas

por Luiz Henrique Matos

Eu costumo dar esmolas. Sei que os especialistas não recomendam, falam que a maior parte dessas crianças que fazem malabarismos e dos velhinhos com suas caixas de balas jujuba nos semáforos são, na verdade, explorados por algum tipo de organização criminosa. Falam também que isso não contribui para o desenvolvimento social sustentável. Eu sei. Mas eu dou mesmo assim. Não consigo ignorar aqueles dedos batendo no vidro como se não fosse uma necessidade urgente.

Geralmente estou no carro e não resisto. Vejo aqueles olhos cansados, aquela pele castigada, as roupas sujas, os pés descalços… e então limpo meu porta-níqueis e dou as moedas que tenho comigo. Eu sou das pessoas que aceita todos os panfletos de propaganda imobiliária que distribuem nos cruzamentos.

Não, eu não sou um cara bonzinho. Dou por obediência àquilo em que creio, a Bíblia diz que devemos dar esmolas – não parei para avaliar o contexto, estou tentando obedecer somente. Mas depois eu fico pensando e acho que dou mesmo é para limpar minha consciência. Abro mão de alguns centavos em moedas para não me sentir culpado ao gastar mais do que acho justo numa calça nova. Dou o suficiente para que aquela criança compre um pão com manteiga no bar da esquina, para não dever nada a mim mesmo quando quiser torrar trinta vezes aquele valor num sanduíche na lanchonete bacana do shopping.

Eu poderia fazer muito mais. Vejo todas as mazelas da cidade grande passando pelo vidro do carro enquanto dirijo e só deixo que meu coração se compadeça por alguns minutos. Aí mudo a estação no rádio e me preocupo mesmo, afinal, se meu time está em quinto ou sexto lugar na tabela de classificação do campeonato e se vou conseguir cumprir o prazo de um relatório que pediram lá no escritório. E isso me ocupa o dia todo.

Eu sei, tem alguma coisa errada na ordem das coisas. Reclamo todo dia dos tantos males que afetam o planeta, da corrupção, das doenças, da injustiça, da fome. Alguma coisa precisa mudar. Alguma coisa precisa mudar em mim.

Alguma coisa eu preciso mudar.

“Os pobres são evitados até por seus vizinhos, mas os amigos dos ricos são muitos. Quem despreza o próximo comete pecado, mas como é feliz quem trata com bondade os necessitados! Oprimir o pobre é ultrajar o seu Criador, mas tratar com bondade o necessitado é honrar a Deus.” (Provérbios 14:20, 21 e 31).

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Rick Warren e a fama

Quando passamos muito tempo sob um holofote, ficamos cegos, não conseguimos enxergar bem. Faz mal ao nosso caráter ficar embaixo da luz.
- Rick Warren, falando sobre fama

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Rupertus Maldenius

Para pensar em nossas tão acaloradas diferenças.

No essencial, unidade; Nas opiniões, liberdade; Em todas as coisas, o amor.
- Rupertus Maldenius

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Os seres humanos são como rios

Um dos preconceitos mais arraigados e difundidos consiste em crer que cada homem possui certas qualidades definidas: que é bom ou mau, inteligente ou estúpido, enérgico ou apático, etc. Ora os homens não são assim. Podemos dizer que um ser humano se mostra mais frequentemente bom ou mau, mais inteligente que estúpido, mais enérgico que apático, ou a inversa, mas será sempre mentira se dissermos que é sempre bom ou inteligente, mau ou estúpido. Os seres humanos são como os rios: a água é igual em toda a parte mas cada rio tem as suas peculiaridades; pode ser estreito, largo, tranquilo, de curso rápido, água limpa ou turva, fria ou morna. Acontece o mesmo com as pessoas. Cada pessoa traz dentro de si o germe de todas as qualidades humanas e por vezes revela umas, por vezes outras. Em alguns homens estas mudanças costumam ser muito bruscas.

- Leon Tolstoi (Ressurreição I. Porto: Civilização, 1999, p. 281)

Fonte: Canto do Jó

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Minhas escolhas

por Luiz Henrique Matos

Cada manhã ao acordar, no primeiro – ou segundo – abrir dos olhos.
Cada direção em que olho. E sigo.
Cada dúvida que me martela o pensamento,
Sobre cada pensamento que me vem à mente.

Cada passo que dou,
Cada pessoa que cruzo pela rua, ou pela casa, na vida.
Cada palavra que pronuncio,
Na oração que faço…

Em cada escolha, eu só tenho uma chance de fazer a coisa certa.
Todo dia, eu preciso decidir entre o certo e o errado,
Escolher entre fazer o bem ou o mal,
Minha opção entre Deus e… eu mesmo.

Preciso escolher o que farei num instante, num piscar de olhos.
Se seguirei ou não por um atalho que me surge no caminho.
Como vou lidar com meus relacionamentos.
Como reagirei diante das tentações: do falar, aceitar, pensar, agir.

Mas a escolha, bem, ela só pode ser uma.
O caminho, só pode ser um.
O Caminho.
Estreito. Doce. E estreito.

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Pausas…

Recebi esse texto na semana passada por e-mail. Quase não li, achei que fosse um powerpoint transcrito. Mas num breve momento de ócio resolvi arriscar e me surpreendi. Tanto que posto aqui, para reflexão.

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de ‘pausa’ é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão.

O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada, que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim. Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa.

O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado.

Nossos namorados querem ‘ficar’, trocando o ’ser’ pelo ‘estar’. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos. Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair – literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande ‘radical livre’ que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

- Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica

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