Simplesmente crer

por Luiz Henrique Matos

Meu Deus, dá-me um pequeno grão, para que eu o tenha na palma da mão e vendo, compreenda então, que é necessário tão pouco.

Estou tão próximo, mas também tão longe e assim aguardo Tua resposta para poder alcançar esse chamado, olhando para o pó de minha essência.

Mestre, realizarei Tuas obras, verei Teus milagres, conquistarei a vitória e serei novo homem, não mais escravo da dor, mas cheio do Teu amor e verdade.

Terei a certeza dos que nada sabem, verei mais longe do que meus olhos alcançam, caminharei confiante em meio à escuridão sombria.

Meu Pai, dá-me, eu Te peço, para que mesmo sem nada ter, ainda assim eu consiga crer, simplesmente crer.

E vencerei este mundo, derrotarei suas aflições e conhecerei Tua grandeza, quando enfim compreender a infinitude de Ti que há… neste pequeno grão de mostarda.

“Se vocês tivessem fé, mesmo que fosse do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a este monte: ‘Saia daqui e vá para lá’, e ele iria. E vocês teriam poder para fazer qualquer coisa!” (Mateus 17:20 NTLH).

Temporal

por Luiz Henrique Matos

“A noite está quase acabando; o dia logo vem” (Romanos 13:12a).

Agora chove, tudo está escuro e trovejante, o temporal parece não ter fim. Mas, ouço no noticiário que a tempestade não acontece ao mesmo tempo em todos os lugares, tem seus focos e locais específicos. Também aprendi isso na infância. São como as chuvas de verão, vem e vão sem avisar.

Furacões, terremotos, ventanias, tribulações que parecem não ter razão, surgem de ímpeto e agonizam suas vítimas que clamam desesperadas. Mas tal como chegam, também partem. Elas passam, tudo passa.

Não pode ser dia ou noite em todos os lugares, não há simultaneamente claridade e escuridão. Não habitam juntas as trevas e a luz.

A noite se vai quando chega o dia e nasce o sol em nossas vidas. A cada manhã um dia se faz novo. “E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5a).

E assim existe o consolo de saber que para a tempestade há calmaria, para a dor há consolo e no fim da chuva a promessa presente no arco-íris.

Mais tempestades virão, eu sei. Ficaremos assustados e temeremos, pensaremos que é o fim. Então, o peito aperta, os olhos se fecham, os joelhos se dobram, o coração clama: Ó Pai, meu Pai, meu Deus, meu pão, minha luz! Guia-me em meio às trevas e faz-me ver a luz, na verdade que só há em Ti.

“Entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia. Os discípulos foram acordá-lo, clamando: “Senhor, salva-nos! Estamos morrendo!” Ele perguntou: “Por que vocês estão com tanto medo, homens de pequena fé?” Então ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança” (Mateus 8:23-26).

A tempestade vem e a tempestade passa. E vem o conforto, até para os homens de pequena fé.

“A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (João 1:5). “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12).

Por que morrem os homens?

por Luiz Henrique Matos

Pessoas morrem. Vemos idosos partirem porque seu tempo enfim chegou. Ouvimos sobre os doentes nos leitos de hospitais, os acidentes casuais e rotineiros, o câncer que consome a força humana.

Alguns, enganados pela mentira, buscam motivos para a própria morte. Assim são os suicidas que põe fim à vida por razões nulas, como os terroristas e homens-bomba que entregam-se a um “deus” a fim de gozarem a recompensa de uma eternidade premiada.

Outros tantos morrem assassinados, de forma que chocam e fazem brotar grandes interrogações em nossas mentes, como os judeus vitimados no holocausto nazista, o povo perseguido pelo comunismo soviético, crianças mortas pela violência urbana, as vítimas de chacinas e homicídios ao redor do mundo, os soldados que partem para a guerra sem saber o que lhes aguarda.

Pessoas nascem. Pessoas morrem. Todos os dias.

Morrem de fome, sede, em desastres, guerras, doenças e desgraças. Tiram a própria vida. Tiram a vida dos outros. Os que matam já não se incomodam, matam por prazer, por crueldade ou por ganância. Ignoram a dor da família deixada, da imagem gravada no coração que arde de saudade.

Felizmente o cristão tem em sua existência uma certeza: a de que, em Cristo, a vida é eterna e que nossa estada nesta terra é passageira. Jesus disse ao Pai enquanto intercedia por nós, antes de partir: “Eles não são do mundo, com eu também não sou” (João 17:16). A morte, em teoria, não nos preocupa. Mas a vida, ao contrário, deveria nos deixar alertas.

O que plantamos neste mundo reflete o fruto que colheremos na eternidade. Esse é o tempo de semear o que esperamos viver na glória. E o que temos feito a respeito da vida? Deus criou o homem para ser eterno, mas também o fez livre para escolher. E um único “câncer” foi responsável pela proliferação da doença em que o mundo se encontrava antes de Jesus: o pecado.

“Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). No instante em que Adão tomou aquele fruto nas mãos e comeu, nosso ancestral abria uma porta em sua vida, que traria condenação a todos os homens. Assim é o pecado, tumor maligno que nos consome.

Deus o havia alertado dizendo que morreria se comesse daquele fruto. E assim foi, Adão desobedeceu, a desobediência o levou ao pecado e o pecado à morte. Mas não a morte que vemos hoje, da carne, da matéria natural que apodrece e se acaba. A morte para Adão foi a ausência de Deus, o distanciamento da essência da Vida, a pior morte, a morte espiritual. Estar morto espiritualmente é respirar sem ter o ar, é estar vivo mas sem fôlego. É estar longe de Deus. É doloroso.

E depois disso, o Criador observou Seu povo perecer, geração após geração, distantes e perdidos na escuridão. Então, cansado de ver a criação perdida, Deus se fez carne e morreu no lugar daqueles que tanto amou.

“Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos!” (Romanos 5:15).

Mas Ele, que morreu por cada um de nós, também quer que morramos para Ele. Não a morte física, nada de sacrifícios, tampouco religiões. É de outra morte que Deus fala. Ele pede que morramos voluntariamente para aquilo que, segundo Seu propósito, já não existe mais para nos condenar. Jesus quer que deixemos o pecado, a desobediência e os sofrimentos.

E mesmo sabendo que não merecemos, Ele ainda nos permite ouvir Suas promessas, que declaram: Morra para si mesmo e eu te darei a vida eterna. Tenha-me como Pai e eu te chamarei de Filho. Olhe para mim como seu Deus e eu lhe darei um novo coração, cheio da minha presença. Traga seu sofrimento a mim e eu te darei alívio. Não te criei para morrer, mas para ter vida, e vida abundante.

Jesus morreu, como homem na cruz e como Deus sacrificado. Morreu de graça, pela graça. Vitorioso. E falamos tanto disso que nos esquecemos do fim da história: que a morte não pôde vencê-Lo. E Ele ressuscitou dentre os mortos. E Ele nos fez livres para a eternidade ao Seu lado. E tendo feito isso, Ele ainda nos deixou a escolha de estar ao Seu lado na eternidade ou continuar distantes, de caminhar para a morte ou ser erguidos para a vida, uma nova vida.

Porque a morte já não prevalece. Ele morreu pelos homens.