A teologia Peter Parker

por Luiz Henrique Matos

(3º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Peter Parker ilustra de maneira brilhante (bem, nem tanto) um aspecto teológico ligado à nossa cultura cristã. Apesar disso, seu nome verdadeiro não é tão famoso quanto seu alter-ego. Para quem não conhece os super-heróis das histórias em quadrinhos, Peter Parker é o garoto conhecido por Homem Aranha, cujo primeiro filme estreou em 2002 e a continuação deve ser lançada ainda esse ano.

Um resumo dessa história. Peter Parker é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular, até o dia em que é picado por uma aranha e adquire super poderes como: força, agilidade, grudar nas paredes e soltar teias (também poderosas) que lhe permitem ser um Tarzan na grande metrópole em que vive. Mas Peter só passa a ser um herói efetivamente no dia em que descobre os seus poderes e neles, a essência de seu propósito de vida: ajudar as pessoas.

Outra história. João José da Silva é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular até o dia em que é tocado por Jesus em uma ministração e a partir de então o poder do Espírito Santo o transborda, passa a habitar em seu coração e João passa a ser cheio de: fé, amor e passa a ser um instrumento de Deus para curar, libertar, profetizar e operar Sua vontade nessa terra. Mas João só passa a ser um servo efetivamente no dia em que descobre quem é o “dono” do poder e a essência de seu propósito de vida: amar ao Senhor acima de tudo e às outras pessoas como a si mesmo.

No fim do primeiro filme, Peter Parker se vê diante de uma situação sofrida. Seu tio, que o criara desde a infância está prestes a morrer e sabe de seus super-poderes. Em sua fala derradeira aquele homem diz ao sobrinho: “Peter, quanto maior o poder, maior a responsabilidade”. E então o jovem assume sua identidade heróica, torna-se o Homem Aranha e passa a ajudar Nova York no combate ao crime, injustiças e mazelas da sociedade.

Seguindo sua vida com Deus, João José da Silva se vê diante de uma situação sofrida. Seu ministério de música, que assumira desde a conversão está prestes a ruir. E em sua oração desesperada ao Pai, ele ouve uma resposta: “João meu filho, quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Quanto mais você desejar se um instrumento que alcance vidas para o Meu Reino, maior a responsabilidade por essas pessoas Eu vou colocar sobre você. Quanto mais de Mim você quiser ter em si, mais eu vou querer que você transborde Minha presença sobre os que não Me conhecem. E filho, Eu quero muito te encher, mais do que você pode sonhar, quero brotar de dentro de você como um rio de águas vivas e abundantes. E quando isso acontecer, todos saberão que você é Meu servo e Eu Sou seu Deus”.

E então João, o que você vai fazer?

* * *

Nos dedicamos ao serviço em nossas comunidades e vivemos rotineiramente a prática de uma vida religiosa, mas é triste saber que em muitos casos, nos contentamos em ver o agir de Deus sem senti-Lo efetivamente. Há algo necessário para os que se dispõem em servir ao Senhor: responsabilidade. Essa é uma semente que deve ser regada durante toda nossa vida.

Responsabilidade para com Deus, com as Escrituras, com as vidas, com os sonhos do Pai para cada um de nós. O Senhor quer ver Sua obra ser concretizada por meio daqueles que Ele chamou e escolheu desde o momento em que foram concebidos.

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

Sementes - Isaías 6:1-8, Tiago 2:26, Hebreus 11:1-40, 1 Pedro 3:20-22, Salmo 139. Ore, coloque-se diante de Deus pedindo a Ele que cumpra os sonhos que tem para sua vida.

O mundo cinza

por Luiz Henrique Matos

(2º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Você consegue sentir falta de algo que não existe? Sente, por exemplo, saudades de uma pessoa que não conhece?

E se o mundo fosse feito diferente? E se Deus o tivesse criado sem as belezas, recursos e maravilhas naturais, você sentiria a ausência desses elementos? Não.

Pense nas coisas que você gosta nessa terra. Talvez cachoeiras, praias com seus mares verdes e areias finas, a beleza dos oceanos, as florestas com cada palmo de sua terra, flora e fauna. O céu azul, as nuvens brancas e todo o universo desconhecido que está acima de tudo isso. A água que sacia a sede, o sabor de cada fruto e cada alimento.

Imagine por um segundo que tudo isso não exista, que Deus tenha criado um mundo estritamente funcional, onde não haveria dia ou noite, sol, lua ou estrelas, o céu seria simplesmente cinza. Nos alimentaríamos de um único e suficiente elemento, talvez um “maná” que saciaria toda nossa fome pela vida toda. O mundo seria uma planície reta, com o solo escuro. Sem verão ou inverno, apenas um clima sóbrio que nos manteria imunes, sem qualquer variação.

Parece horrível, mas nós não notaríamos. Só sentimos falta de algo que necessariamente possamos imaginar, desejar e achar necessário (ou você acredita mesmo que refrigerante e hambúrguer são uma necessidade real?).

Mas Ele preferiu fazer diferente. Por algum motivo Deus não quis um mundo sombrio. Por alguma razão o Rei do universo fez um mundo lindo, perfeito e delicioso. Porquê?

Porque Ele tinha em mente a Sua mais célebre obra de arte, Ele iria realizar um sonho e pensou que esse sonho precisava de um cenário impecável onde viver, de forma a refletir Sua própria glória e majestade.

E não foi de uma vez. A Bíblia diz que Deus foi criando cada elemento da terra e a medida que surgia o resultado Ele gostava (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25 e 31). O Senhor partiu de uma idéia fixa, começou então a passar Seu pincel sobre a “tela” e foi gostando. Caprichou aqui, fez um enfeite ali e terminou Sua magnífica obra de arte: um planeta perfeito. E viu que isso era bom.

Mas ainda havia um novo passo. Ele viria a criar o elemento singular que reinaria sobre todos os outros. Dotado de inteligência, raciocínio e feito à Sua imagem e semelhança, Deus criou o homem.

* * *

Não é maravilhoso pensar que Deus criou esse planeta só para que habitássemos nele? Fez águas potáveis e cristalinas a ponto de refletirem nosso rosto. E hoje vemos correr em suas margens a imagem de nosso descaso. O que era fonte de vida e abundância, hoje é um símbolo urbano do que representa morte e poluição (quem mora em São Paulo entende melhor o que digo).

E como deveríamos nos sentir em saber que cada gesto nosso a destruir o meio-ambiente é igualmente uma mancha nessa “obra de arte” divina? Sendo mais claro, onde está a nossa consciência ao saber que cada papel jogado no chão é uma atitude de negligência para com a obra de Deus?

Isso realmente pode soar como radicalismo, mas não é. Seguir a Deus tem seu preço e esse preço chama-se “obediência”. Obediência é reflexo de amor, respeito, compromisso, dependência, ou seja, quem segue aos mandamentos, necessariamente obedece.

Em verdade, nunca saberemos exatamente a vontade do Senhor se ficarmos sentados no banco da igreja ouvindo o sermão dominical. Precisamos nos aprofundar em Sua vontade explícita nas Escrituras para a partir de então tomar uma atitude construtiva para o Reino. E então concluímos que sim, a Bíblia fala de ecologia.

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20a).

* * *

Para não parecer vago, veja o exemplo de Salomão e Adão, dois homens reconhecidamente sábios. Um foi o rei mais inteligente que este mundo já conheceu e o outro, o primeiro de todos nós e alguém que antes de pecar, provavelmente usava 100% da capacidade de seu cérebro (os seres humanos como um todo usam, no máximo, 10% do seu potencial). Veja um pequeno trecho do que esses homens fizeram:

Salomão: “Dissertou a respeito das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede; também dissertou sobre os animais, as aves, os répteis e os peixes. De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão, e da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1 Reis 4:33-34).

Adão: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar” (Gênesis 2:15). E segue: “Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo” (Gênesis 2:19-20a).

Sábios, comprometidos com Deus, adoradores verdadeiros, exemplos do que o Senhor sonhara para Sua criação. Eles agiram com respeito à Sua obra, a preservaram e a cultivaram. E Deus tem sido tão bom que deixou isso registrado para que nós, hoje, pudéssemos tomar suas atitudes como exemplo. Com os 10% de capacidade que nos restam, não é difícil entender esse propósito. Ou é?

Sementes: Pense no seu dia a dia, o ambiente em que vive, os locais por onde passa. O que você faz com o lixo do que consome? Como administra água, luz e gás? Afinal, qual tem sido o seu esforço em preservar a obra de Deus para as próximas gerações?

Dia D

por Luiz Henrique Matos

Acho que vou chorar. Creio realmente que naquela hora, ao ouvir meu nome, vou sentir um arrepio me subindo pelas espinhas, um aperto de dentro para fora em meu coração que não me deixa pensar em outra coisa, um calor que derrete o gelo e a frieza em meu interior e faz vazar aquele líquido salgado que escorre de dentre os olhos pelas bochechas e embaça minha vista, trava meu nariz, me deixa avermelhado e impede que com clareza eu enxergue o que tanto sonhei. Aliás, com ou sem lágrimas, nem sei se conseguirei olhar diretamente em Seus olhos. Penso que minha primeira atitude será, cabisbaixo, parar diante de Sua glória revelada como uma criança envergonhada, me dobrar calmamente, ajoelhar aos Seus pés em silêncio e fazer algo que nunca ao menos mereci: humilhar-me diante dEle e mostrar minha admiração e honra.

Nada se pode imaginar a respeito da mente e da criatividade de Deus. Não sabemos como será o tal momento, os detalhes, a decoração, o ambiente, a aparência dos anjos auxiliando, guardando e louvando. Como é o Seu trono, como são Suas vestes brancas, o formato do Seu cajado e de que comprimento afinal é Sua barba? Imagino que Ele estará ali, contemplando aliviado àqueles que creram (pudera, Ele trabalhou tanto por isso), com um sorriso no canto dos lábios, a sensação de ter valido a pena o sacrifício de Seu Filho unigênito e o olhar amoroso de um Pai vendo enfim, Seus filhos pródigos voltando para casa.

Como ovelhas antes desgarradas, estaremos ali reunidos. E já separados dos bodes, voltaremos obedientes para o lar, sendo conduzidos pelo nosso Bom Pastor. O veremos então dando alguns passos em nossa direção e dirigir-nos a voz com o tão esperado convite: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Ouviremos nossos nomes sendo chamados, um a um, não como nos conhecemos, mas como por Ele somos conhecidos.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13:12).

Conscrito

por Luiz Henrique Matos

(1º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

“Jovem, ao completar 18 anos, exerça sua cidadania, aliste-se no Serviço Militar Brasileiro”. A locução do comercial não muda, todo rapaz finda sua adolescência, ao mesmo em que treme pela expectativa em tirar sua carta de motorista e pilotar livre seu potente quatro rodas, teme ao pensar na possibilidade de ser convocado a servir o exército.

Alguns (poucos) até gostam. Gostam de dirigir e também do exército. São aqueles malucos que eu via cruzar toda a fila e dizer: “Sou voluntário”. Eu confesso que não entendia um gesto como esse. Entrar para o exército é, segundo o julgamento de muitos, assinar o atestado de humilhação. Armas, disciplina, acordar cedo, obediência, postura, aptidão física, todos esses são pontos com os quais nunca tive muita afinidade.

Ser soldado no quartel é ser um peão nas mãos de grandes jogadores. Eles te manipulam, mandam “pagar dez” flexões (como eu tinha medo disso), judiam, fazem sofrer, te ensinam a ser… ser… servir.

Algum tempo depois de minha liberação por “excesso de contingente” (na verdade eu tinha um grau altíssimo de miopia e uma escoliose que me livraram a barra), ouvi de um vizinho, ex-cabo, que um homem de patente maior nunca manda seu subordinado executar uma tarefa que ele mesmo não possa realizar. Ou seja, para comandar é preciso saber obedecer. Para receber, primeiro é preciso aprender a dar.

Essa foi uma lição que grandes reis como Davi e seu filho Salomão também aprenderam e exerceram. Quando Salomão morreu, seu filho Roboão assumiu o trono e cheio de imaturidade, não soube como agir quando o povo de Israel veio lhe pedir que aliviasse um pouco a carga de trabalho que estava sobre eles e se assim o fizesse, eles o serviriam como fizeram com seu pai. Os sábios que viram Salomão governar o alertaram: “Se hoje fores um servo deste povo e servi-lo, dando-lhe uma resposta favorável, eles sempre serão teus servos” (1 Reis 12:7). O mimado Roboão não ouviu às autoridades, antes, atendeu seus também imaturos amigos de infância e oprimiu aquele gente. O povo não gostou, revoltou-se contra ele e isso provocou a divisão do reino de Israel.

É a regra do quartel, que eu não fiz, mas hoje aprendo: para ser servido é necessário primeiro aprender a servir. Para ser um rei, é necessário antes, saber ser plebeu. Ninguém pode conduzir uma pessoa por um caminho que não conheça. Ou já se viu alguma vez, alguém primeiro ser contratado como presidente de uma empresa e depois de alguns anos ser “promovido” a assistente? Ou no exército, um general aos 18 anos de idade ir descendo em sua patente até que, aos 60 anos, torna-se enfim um soldado?

“Como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:28).

Jesus serviu ao povo. Preocupava-Se com suas necessidades, dores e dificuldades. O Senhor por mais que fosse o alvo daquela multidão que O seguia, cuidava de servi-los. Transformou água em vinho para que não ficassem sem o que beber durante uma festa de casamento, multiplicou pães para uma multidão de cinco mil homens, repartiu o pão e o vinho com os doze que o seguiam depois de lavar-lhes os pés, curou muitos enfermos, ressuscitou um morto e morreu para que os que já estavam mortos tivessem vida.

E serviu também quando já não estava mais aqui, tendo como primeira providencia ao chegar em casa ressurreto, (creio eu) dar um beijo e um abraço apertado em Seu Pai e em seguida enviar sobre Seus filhos o Espírito Santo amado, não nos deixando sós, mas cheios de Sua presença e amor para sempre.

Martinho Lutero declarou: “Este é o mistério da riqueza da divina graça para os pecadores; através de uma maravilhosa troca, nossos pecados não são mais nossos, mas de Cristo, e a integridade de Cristo não é mais dEle, e sim, nossa”. Isso é servir, tomar a dor do outro sobre si e ajuda-lo carregando seu fardo. Isso também se chama misericórdia, ou seja, compaixão pela dor ou sofrimento do próximo. Se ser cristão é seguir a Cristo buscando ser como Ele, então, uma de nossas práticas fundamentais é aprender a servir.

Servir a Deus é servir ao próximo e vice-versa. Servir ao mandamento-mor de Amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como Ele nos amou. Somos capazes? É óbvio que não. Mas esse é o sonho em Seu coração e deve ser então o nosso alvo.

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da natureza pecaminosa; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor” (Gálatas 5:13).

Ajudar aos necessitados não é caridade, é cristianismo. Orar uns pelos outros não boa ação, é cristianismo. Pagar impostos, obedecer às leis, ser submissos aos nossos chefes e superiores, dar exemplo da diferença que é ter Deus vivendo em nós, viver a vida de Cristo. Ser cristão não é tagarelar versículos bíblicos aos ventos, mas viver dia-a-dia cada palavra gravada nas Escrituras (conforme 1 Pedro 2:11-23).

E então, pelo nosso gesto, vendo a luz de Cristo em nós, não existirão patentes ou cargos, tão pouco hierarquias que quebrem o laço. O mais alto comandante, o presidente da multinacional, o empresário, o político, o sacerdote, todos se dobrarão e hão de prostrar-se de diante de um carpinteiro, pobre, galileu, amigo de pescadores e prostitutas que salvou o mundo.

Ao que Ele diz a Seus discípulos: “Mas, vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve. Vocês são os que têm permanecido ao meu lado durante as minhas provações. E eu lhes designo um Reino, assim como meu Pai o designou a mim, para que vocês possam comer e beber à minha mesa no meu Reino e sentar-se em tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22:26-30).

As sementes (o que precisamos observar e praticar para cumprir esse chamado e iniciar o plantio – é importante estudar esses fundamentos nas Escrituras): na comunhão para adorar (Sofonias 3:9), na diferença neste mundo (Malaquias 3:18), na rejeição do pecado (Mateus 6:24), no trabalho secular (Efésios 6:5-7), no ministério (Colossenses 3: 23-24) e na certeza da promessa (Apocalipse 22:3-5).

Vale a máxima do padeiro: “Servir bem para servir sempre”.

Saudades da minha Facit

por Luiz Henrique Matos

Facit! Esse era o nome da máquina onde aprendi a datilografar. Datilografia era curso essencial para se conseguir aquele concorrido emprego de contínuo no banco. Fora do curso, confesso que datilografei a máquina algumas raras vezes. As teclas são pesadas, o barulho é chato e ela não vem com kit multimídia para se ouvir uma boa música enquanto o texto é criado. Mas isso não é o pior, nenhum dos modelos disponíveis, me permitem apertar o “Backspace” tantas vezes para apagar, corrigir e incluir novas palavras (como fiz aqui, nesse exato instante) e nem disponibilizam os famosos “Ctrl+C” e “Ctrl+V” que me fazem ter uma pontinha de afeto pelas grandes marcas de computadores.

Posso parecer um dos antigos quando falo de máquinas de escrever, saudosistas que rejeitam os avanços tecnológicos e sofrem para entender que para se desligar o computador é preciso apertar o botão “Iniciar” (e isso até eu não entendo). Sou um adepto e fã dessa invenção, armazeno minhas músicas, escrevo minhas mensagens, guardo arquivos, envio o boletim a vocês por e-mail, salvo no site, me comunico com gente de todo lugar… definitivamente, a informática e seus avanços me seduzem.

E pensar que quando nascemos, os poucos microcomputadores disponíveis custavam uma bela grana e a Internet ainda era uma ferramenta de uso militar e acadêmico. Hoje, minha sobrinha de 6 anos, navega pelo site da Mônica, joga o cd-rom do Rei Leão e dá um show quando precisa desenhar no Photoshop (manuseia melhor o mouse do que o lápis!). São os avanços. Imagine por exemplo, que essas mensagens do Missão Pax surgissem há vinte anos. Eu precisaria postar todas as quintas-feiras dezenas de cartas, para que na segunda elas chegassem via correio a todos. O website seria inviável, talvez houvesse um livro em formato de fichário, onde cada um poderia guardar o fascículo (caramba, nunca achei que escreveria essa palavra) da semana.

Mas existe mesmo um certo charme na lembrança – com cheiro de naftalina – das máquinas de escrever e os manuscritos. Minha esposa diz que gosta mais quando lhe escrevo cartas à mão, assim pode ver minha letra, o texto soa mais intimista, pessoal e exclusivo. E também acho isso tudo verdade.

Digamos que o malefício da tecnologia e a globalização no que cabe a ela é que passamos a viver em um mundo onde o “direito autoral” acaba perdido. Músicas podem ser desconfiguradas – a era do sampler, do remix, do virtual – sites invadidos, obras violadas e textos difundidos sem que se conheça seu autor, seus originais e sua veracidade.

* * *

Essa nova idéia de mundo dificulta nosso entendimento a respeito da preservação de documentos originais. Pensemos um minuto nos manuscritos bíblicos por exemplo, eles foram guardados por séculos e séculos. Quantas vezes não questionamos a possibilidade de que algum estudioso, padre ou governante não possa ter passado um Liquid Paper no texto de Êxodo por exemplo e mudado a história. Moisés, que havia passado por sobre uma região alagadiça (como defendem alguns céticos), ficou conhecido então por abrir as águas e atravessar o mar. É essa a nossa mente ocidental, moderna e… incrédula.

No baixo de minha ignorância, posso chacoalhar a memória em busca das aulas de história da tia Antonieta e lembrar que até meados o século XV o acesso a documentos era algo restrito às grandes autoridades.

Falando especificamente das Escrituras, até uns 400 anos a.C. existiam apenas os manuscritos originais em hebraico, que eram os livros e leis usados pelos judeus (sobre os quais lemos em todo o Velho Testamento). Paralelamente aos fatos, o império grego cresceu, dominou diversas nações e a maior estratégia de expansão do reino era difundir sua língua por todo o mundo. Isso incluía a Palestina, onde vivia o povo de Israel.

Após o reinado de Alexandre, o Grande sobre a Grécia, os Ptolomeus o sucederam no poder. Foram eles que organizaram uma comissão de 75 anciãos, eruditos, que fizeram a tradução das Escrituras para o grego, já então língua “oficial” e conhecida de todo o povo (isso acontece no intervalo de mais ou menos 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamentos). Esses manuscritos, somados a outros de diferentes partes, são a maior fonte para as traduções bíblicas que se sucederam, inclusive a portuguesa.

Quanto a preservação de originais, o maravilhoso das Escrituras é notar que diferentes documentos de épocas distintas e localidades também guardam até hoje a mesma informação, sem controvérsias ou distinções entre si. Portanto, é bobagem essa história de que a igreja romana manipulou os originais conforme suas intenções políticas e sociais. Alguns desses documentos nem estiveram sob seu domínio.

Abrindo um parêntese sobre esse ponto, vale pensar o seguinte: Deus é soberano e não cai uma folha de árvore sem o Seu consentimento. Logo, seria estupidez cogitar que o homem tenha interferido nas Escrituras livremente, segundo seus interesses e que o Senhor teria permitido que Seus filhos se baseassem em mentiras para segui-Lo. Então chega de “achismos” a respeito da Bíblia e passemos encara-la como o que verdadeiramente é: a Verdade Divina. Fecho os parênteses.

As traduções em diversas línguas sobre as quais falamos só puderam ser feitas depois da invenção do livro. Por volta de 1.450 (veja bem, só 35 anos antes da Reforma Protestante), Johann Gutemberg “inventou” a imprensa. Até então, a maioria da população era formada por pessoas analfabetas, só a alta sociedade tinha acesso à leitura. A igreja, com seus manuscritos e pedras empilhadas, detinha o domínio sobre a Lei e manipulava os fiéis como bem entendia. Autoridades teológicas de então, tinham a descoberta de Gutemberg como algo destruidor, o povo passaria a ter acesso aos escritos e isso acabaria com a autonomia do clero.

Durante séculos o homem viveu dessa forma, ouvindo o que deveria seguir, calado e confiando no que lhe diziam “os intérpretes”. Não é necessário muito esforço para resgatar a origem do protestantismo e nem é de se surpreender que o maior protesto de Lutero era justamente contra a venda de indulgências, algo que não consta em qualquer versículo das Escrituras mas que era pregado pela própria igreja por interesses financeiros e exclusivistas. Outra defesa do então frei era de que o povo deveria ter livre acesso às Escrituras, algo também controlado pela instituição chamada igreja (a partir dessa conquista da Reforma é que foi atribuído aos protestantes o título de “evangélicos”).

E desde então a invenção revolucionária de Gutemberg nos tem sido útil para que, na cabeceira de nossas camas, na mesa de trabalho e até no computador possamos ter uma versão das Escrituras, traduzida em nossa língua mãe e acessível financeiramente.

Sabemos que há pouco mais de 500 anos, a disseminação da informação acelerou-se de forma quase incontrolável. Era o nascimento do Brasil, a imprensa ainda engatinhava e a Reforma acontecia em um canto da Alemanha.

Hoje, não só temos livros jogados por todo canto, como somos capazes de divulgar informação para todo o mundo, em qualquer instante, idioma, formato ou fonte. Seja verdade ou mentira, bom ou mal, podemos nos comunicar. São os avanços, é o “pogréssio”.

* * *

Será possível que se Moisés vivesse em nossos tempos, subiria na cobertura de seu prédio para uma vigília com o Senho, então anotaria a revelação dos mandamentos em um Palm Top, salvaria no HD de seu microcomputador e enviaria por e-mail ao povo de Israel? A mensagem sairia com uma nota de rodapé dizendo: “Se isso é verdade para você, repasse a todos os seus amigos, não tenha vergonha. Piadas você conta e manda para todos, mas quando são coisas de Deus você guarda ou deleta. Passe para o maior número de contatos e seja abençoado”. Ou talvez passaria os dez mandamentos a todos via Torpedos SMS em seu celular pré-pago?

Não interessa a forma. Não podemos nos apegar a idéias tradicionalistas. Tudo aconteceu como diz a história porque Deus quis assim. E naquele tempo, essa era a forma de todos se comunicarem (lembrando que Moisés estava no deserto)

Deus tem Seus propósitos. E Sua palavra difere de todo escrito justamente porque o Senhor cuida de Sua verdade. Quando entregou as Leis a Moisés, as gravou em tábuas de pedra. Na própria Bíblia lemos uma passagem a respeito dos desejos de Deus para Seus filhos com a seguinte afirmação: “escreve-as na tábua do teu coração” (Provérbios 3:3b), era a cultura e o dia a dia daquele povo.

Independentemente dos tempos (sejam as pedras, os couros, os escribas, os primeiros impressos, os microcomputadores ou sei lá o que vem pela frente), o Senhor preserva Sua Palavra com poder e soberania. O homem tentou frustrar as intenções de Deus, mas Ele faz com que elas sejam mantidas, na íntegra.

Devemos porém, ter cuidado em não deixar que essa geração destrua o que há de história a ser transmitida à nossa descendência. Preservar os fatos e as verdades para que não se percam. E acima de tudo, compreender que a vontade de Deus não está gravada em livros, e-mails, blogs ou em papéis. Os planos do Senhor para nós não estão nos cronogramas de leitura da Bíblia e nem em um versículo aleatório.

Os sonhos do Pai para Seus filhos estão no Seu coração e esse, nós só conhecemos quando temos com Ele uma intimidade sincera, sem falsidades, dogmas ou religiosidade. Ler a Bíblia, seja em papel, tela ou áudio deve ser um hábito que nos conduza a um conhecimento melhor e maior dos planos de Deus, de Sua essência, Seu caráter e Sua verdade. E não há homem que frustrará o desejo do Rei soberano.

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz e mais afiada do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).

Não posso viver sem mim

por Luiz Henrique Matos

“Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39 NVI).

Gosto de pensar nas coisas que posso fazer às pessoas que amo. Festejar aniversários e datas especiais. Aprecio cada comemoração com minha esposa, preparar-lhe algumas surpresas, levar flores, dar presentes sem ser algum dia específico, criar situações novas pelo simples prazer em ver estampada em seu rosto a sua expressão mais bela: o sorriso.

Posso facilmente ama-la e também aos meus familiares, meu pastor, amigos e irmãos queridos. Creio que eu consiga ama-los assim como amo a mim e acredito também que faço a eles as mesmas coisas que eu gostaria que fizessem comigo (e também não lhes fazer as coisas que não gosto). Mas me sinto bastante fraco ao pensar se realmente consigo amar, como amo a mim, aos meus inimigos. Jesus disse: “Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam” (Lucas 6:27 NVI) e continuou: “Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles. Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam” (Lucas 6:31-32 NVI).

Mas… o quanto amamos a nós mesmos?

De que forma nos relacionaremos com aqueles a quem amamos se não nos amamos da maneira certa? Antes de praticar o nosso amor para com os outros, precisamos pensar no amor que temos para conosco. Não de uma forma egoísta ou pessoal, mas no aspecto que cabe aos nossos relacionamentos. Precisamos fazer uma análise do nosso temperamento, nossos hábitos e a personalidade que desenvolvemos.

Se somos intolerantes, exigentes e perfeccionistas em nossas práticas pessoais, como podemos achar que agiríamos de maneira diferente com os outros? Se temos um comportamento acomodado, negligente e desleixado, igualmente não serviremos às pessoas como quer o Senhor. Indo mais a fundo, tendências suicidas, baixa auto-estima, egoísmo, ciúmes, inveja, preguiça e some-se aqui também todos os frutos da carne que Paulo descreve em Gálatas 5. Se temos isso dentro de nós, o que ofereceremos aos outros?

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45 NVI).

Antes de tomar alguma atitude para “demonstrar amor ao próximo” devemos pensar se essa “ajuda” realmente condiz com “amor”.

Para seguirmos a Jesus e o amarmos acima de todas as coisas (o primeiro mandamento), precisamos renunciar a nós mesmos e nos preencher de Seu amor. Só então, mais parecidos com Jesus e entendendo melhor o nosso próprio coração, poderemos obedecer ao segundo mandamento do Senhor: amai-vos.

Como você tem se tratado? O quanto e como você se ama? Isso é reflexo de sua comunhão com Deus e o melhor exemplo da atitude que tem com as pessoas. Se seu coração está cheio de Deus, então é amor que você terá a compartilhar, mas se está afundado em angústia e dor, você na verdade precisa é de ajuda.

É amor que precisamos ter e praticar. Nossas vidas devem ser reflexo da glória e do caráter do Senhor, em todos os sentidos.

Pense em como o Pai tem nos tratado ao longo dos anos, Ele nos renova com Sua misericórdia e bençãos. O Senhor nos dá tudo quanto precisamos e não cobra preço por isso. Na verdade Ele pagou um alto preço por nós, com Seu sangue. E Ele o fez de graça, sem interesse algum, incondicional. Sua única vontade é ver uma coisa, algo que por opção Ele não controla… um gesto, uma expressão, um sentimento, uma atitude de: redenção, voluntária redenção.

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24 Almeida Atualizada).

Dentro da gaiola

por Luiz Henrique Matos

Shake e Micci dividem o mesmo quintal há anos. Dois cachorros, uma amizade sincera, um senso de proteção de pai para filho (do primeiro para o segundo). Shake é muito esperto, apesar de vira-lata, é também um cão de guarda legítimo. Quando jovem matava gatos, ratos, pombas e tudo quanto quisesse invadir seu território. Às vezes o soltávamos, saía então pelo bairro por algumas horas e voltava sozinho para casa. Já o Micci… bem o Micci. Um mestiço de Husky Siberiano, bonitinho, meigo, engraçado, mas digamos que tem um QI um tanto baixo. Andei pesquisando, o Husky Siberiano está na 45ª posição no ranking de inteligência das raças caninas.

Ao contrário de Shake, que passeava pelas ruas do bairro e voltava horas depois descansado e feliz, quando abríamos o portão para o Micci dando-lhe enfim a liberdade que reclamara com seus latidos ardidos, ele parava no limite da porta, exatamente na fronteira entre a garagem e a rua, avançava com a cabeça para o lado de fora e latia, só latia. Seu território era sua segurança, ele não ousava avançar, tinha medo. Seria uma versão canina do que os psicólogos chamam de “zona de conforto”. Não adiantava insistir, o portão podia ficar escancarado o dia todo e ele não saía.

Soube que o mesmo fato acontece com as formigas. Lembro-me de um amigo de infância ter contado que se for traçado um circulo ao redor daquelas coisinhas, elas não conseguem sair do espaço delimitado, andando de um limite a outro.

O fato é curioso, porque motivo essas coisas acontecem? De certa forma é natural, são seres irracionais. O estranho é pensar que nós, seres humanos, dotados de inteligência, criatividade e raciocínio passamos boa parte de nossas vidas tal qual o Micci e as formigas do meu vizinho, vivendo livres mas sem saber disso. Passamos anos dentro de uma garagem aberta ou de um círculo ilusório, mas não somos capazes de enxergar que a porta estava destrancada.

“Assim diz o Senhor: ‘No tempo favorável eu lhe responderei, e no dia da salvação eu o ajudarei; eu o guardarei e farei que você seja uma aliança para o povo, para restaurar a terra e distribuir suas propriedades abandonadas, para dizer aos cativos: Saiam, e àqueles que estão nas trevas: Apareçam! Eles se apascentarão junto aos caminhos e acharão pastagem em toda colina estéril’” (Isaías 49:8-9).

Quando morreu, Jesus libertou não um ou dois indivíduos, mas toda a raça humana desde Adão até os o fim dos tempos, sabe-se lá daqui quantos anos. Com seu sacrifício Ele tirou de nós a culpa do crime pelo qual havíamos sido condenados, o pecado. Na ressurreição, Ele abriu as cadeias onde estávamos presos e nos fez livres do inferno. Nosso futuro era claro, quer dizer, muito escuro, eram trevas, cinzas e fogo. Mas quando morreu, o Senhor nos comprou, abriu os cadeados e fechaduras que mantinham a humanidade cativa e no momento em que percebemos isso e reconhecemos então o nosso Salvador, saímos da cela para trilhar o caminho da liberdade em Sua direção.

Mas é triste pensar que passamos tantos anos de nossas vidas lamentando o sofrimento em que vivíamos, sem saber que a porta estava aberta. E igualmente, tantas pessoas nesse planeta ainda vivem sob a mesma cegueira, foram salvas da condenação, mas estão passivas na escravidão mentirosa que Satanás sopra em seus ouvidos e insistem no autoflagelo do sofrimento.

Pois bem, um dia alguém tomou essa iniciativa. Um dia você foi avisado que a porta estava destrancada (seja por um pastor, um amigo, uma música, livro ou a Bíblia). Se você então ama seu próximo como ama a si mesmo, então faça a ele o melhor que foi feito a você até hoje: anuncie-lhe a salvação por Cristo Jesus.

E anunciar o evangelho não é só abrir a boca e tagarelar sobre Jesus ao primeiro coitado que lhe aparecer pela frente. Saiba que Deus já tem um plano. Quando sonhou com sua vida, Ele pensou na sua essência e no dom que tem para você: pregar, tocar um instrumento, ajudar no templo, dar alimento aos pobres, desenhar, escrever. Seja qual for, o objetivo desse “presente” é servi-Lo, adora-Lo alcançando vidas que Ele ama e nós também devemos amar.

Existem pessoas, criadas à semelhança de Deus, sentindo-se presas como animais irracionais e nós estamos aqui, sentados nos bancos de nossas igrejas, cheios de palavras, intenções e idéias, mas efetivamente temos feito o quê? Não somos super-heróis, santos e cheios de poder, Jesus sim, é o Salvador, Santo e Onipotente, que com um gesto nos salvou.

Nós somos dEle, somos a voz no silêncio deprimente, somos os ex-detentos que devem entrar na prisão escura com uma lâmpada, pisar na lama, estender as mãos e ajudar os que estão cegos a enxergar a Verdade exposta à sua frente.

“A prisão foi abalada, e suas portas abertas, mas, a menos que saiamos de nossas celas e sigamos em direção à luz da liberdade, ainda permanecemos sem verdadeira remissão” (Donald Bloesch).