A diferença

por Luiz Henrique Matos

Os deuses do mundo são os que esperam sacrifícios de seus seguidores.

O Deus eterno sacrificou a Si mesmo em nosso favor, para mostrar que antes de nossa devoção, Ele nos amou.

O incrédulo sente-se em um barco à deriva, sem rumo, destino ou futuro.

O crente navega pela tempestade seguro de que o Senhor controla os ventos a seu favor e caminha sobre as águas em sua direção lhe convidando à vitória no sobrenatural.

O coração do homem é corrupto e condena ao mínimo erro de seu próximo.

O coração de Deus é puro e perdoa Sua criação ao mínimo sinal de arrependimento, buscando a ovelha perdida ainda que essa caminhe distante de todo o rebanho.

O caminho do pecado é largo, belo e oferece prazeres, mas conduz seus peregrinos à morte.

O caminho de Deus é estreito, cheio de espinhos e provações, mas a luz que ilumina o fim da trilha é a glória da vida eterna.

A morte espiritual no pecado é o sinal do inferno, a voz diabólica da acusação, opressão e provocação maligna.

A vida em Cristo Jesus é o milagre da cruz, a esperança pela fé na promessa, no porvir e na voz da Soberania Divina que exclama dos céus: Esse é meu Filho amado em quem me comprazo!

O poder da Palavra

por Luiz Henrique Matos

“Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Marcos 16:20).

Os sinais que a acompanham. Interessante, os sinais não seguem com os homens, tão pouco com suas atitudes ou vontades, os sinais não vêm sozinhos. Mas a Bíblia diz que eles acompanham a Palavra do Senhor. Deus Pai optou por não falar ao mundo com Sua voz estrondosa e trovejante. Deus Filho viveu entre nós, falou conosco durante apenas 33 anos, e libertação, cura e ressurreição acompanhavam Seu caminhar (afinal, Ele é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus viva). E o Deus Consolador habita em nosso meio, mais especificamente em nossos corações eternamente.

Mas nos das de hoje, a voz de Deus no mundo não sai de Sua boca, mas é colocada por Ele em nós. Somos os instrumentos escolhidos por Ele para disseminar Sua vontade e pregar a mensagem da Verdade.

E como homens, somos tão ávidos em ver os tais sinais e maravilhas, em vislumbrar os milagres, em presenciar o sobre-humano e esquecemos que a única forma de isso ter de fato uma ação concreta e gerar frutos é por meio do plantio. Ao semear o poder de Deus presente nas Escrituras, vemos o Seu agir e mais importante, experimentamos em nós, um pouco da satisfação do Pai ao ver Seus filhos andando no caminho que Ele escolheu.

“Pregue sempre o evangelho, quando necessário use palavras” (São Francisco de Assis).

A quem enviarei?

por Luiz Henrique Matos

“Envia-me a mim” disse Isaías ao Senhor, quando perguntou aos Seus anjos quem iria por Ele. E Isaías foi, profetizou e anunciou o Reino e Jesus ao povo de Israel (Isaías 6).

“Envia-me a mim” ofereceu-Se Jesus ao Pai, quando dos altos arquitetou o plano de salvação de Sua criação. Então Jesus veio, fez-se homem entre nós, viveu, morreu, ressuscitou par anos libertar e não nos deixou sós (1 João 4:14).

“Envia-me a mim” lembrou o Espírito Santo a Jesus, quando o Messias subiu ao céu após a Sua morte. O Espírito Santo desceu sobre os filhos de Deus e passou a habitar em todos os que crêem no sacrifício da cruz (Atos 2).

“Envia-me a mim” dizemos nós, domingo após domingo em nossas orações e cânticos. Mas não convictos de que como Isaías, Jesus ou o Espírito de Deus temos cumprido com nosso papel de seguir os planos do Pai para nós, individualmente. E se oramos, devemos estar certos de que Ele nos ouve e aguarda o momento exato para nos dar Sua resposta.

- Pai, envia-me a mim.

- Filho, “ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. E estes sinais hão de seguir os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e quando beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum; imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão” (Marcos 16:15-18).

Sem começo, meio ou fim

por Luiz Henrique Matos

Sempre gostei de ler. Desde a infância meus pais sempre incentivaram a mim e meus irmãos a cultivar esse hábito. No começo eram livros só com figuras, pinturas e ilustrações auto-explicativas. Depois esses deram espaço a uma ou duas frases por página e a medida que os anos passavam (ou eu subia um grau na minha carreira escolar) o espaço para os desenhos iam ficando cada vez menores e as letras diminuíam em tamanho, cresciam em espaço e não satisfeitas tornavam os livros cada vez mais grossos.

As letras sempre foram o meu esconderijo secreto. Os momentos em que estou sozinho, alheio ao mundo e focado em um único ponto. Minha cabeça pára de girar, os relatórios atrasados, dores de cabeça e avenidas entupidas deixam-me por um instante e permitem que eu me concentre em uma coisa apenas: a história contada.

Há alguns anos descobri as Escrituras Sagradas, ou melhor, com o perdão da palavra, creio que foram elas que me descobriram. Palavras de consolo, de ânimo, histórias reais de vida, de morte e até de ressurreição. Aventuras, poesias, história, geografia, romances, ilustrações. Palavras de vida, palavras vivas. Eternas e ternas. A cada leitura uma experiência e um crescimento. Não é bem a voz de um homem que ali se encontra, mas dentre tantos relatos, histórias e pontos de vista, posso encontrar a influência de um só Autor, inspirando Seus instrumentos a registrarem Sua verdade.

Cuidadosamente, Ele preparou tudo muito antes de acontecer, deu o grito de largada e assistiu o desenrolar dos fatos. Amparou os tropeços arrependidos, castigou a arrogância destemida, viu Seus filhos crescerem em estatura, graça e sabedoria. Por cerca de 1.600 anos providenciou que essas palavras fossem registradas, por – estima-se – 42 homens diferentes em momentos e lugares igualmente distintos. E apesar de tantos probabilidades de erros e contradições, essas palavras se confirmam e completam em harmonia incomparável.

Doce como o mel, luz para o meu caminho, lâmpada para os meus pés, fonte de sabedoria, verdade cortante, espada, Palavra de Deus.

Hoje, quase 2.000 anos depois do ponto final desses relatos, mesmo que os leia de uma ponta a outra, percebo que esses livros envolvem de forma especial e de fato, me tornam um homem ao mesmo tempo mais forte e inocente, um filho liberto e igualmente dependente, vazio de mim mesmo e cheio de Sua inspiração. E ao contrário das leituras em que me embrenhei a.C. (antes de Cristo em mim), a Palavra do Senhor não tem um ponto final, ela é realmente viva, tal como seu grande Autor que continua a falar, falar e falar a quem quer que Lhe consulte.

Está com sede?

por Luiz Henrique Matos

A oração

Oi Mestre, tudo na Paz? Estava pensando em Você. Pensando nos tempos em que esteve aqui em nosso meio como Homem, pisando o mesmo chão, caminhando sob o mesmo sol, conversando face a face com Seus filhos, bebendo da mesma água, sentando à mesma mesa, navegando pelos mares e desfrutando o prazer de sentir a brisa suave tocando o Seu rosto.

Conheço e leio a respeito do quanto sofreu por mim e por todos os homens dessa terra. A cada dia me sinto tanto mais tocado pelo Seu martírio, arrependido pelos motivos em que tudo aconteceu e agradeço de coração pelo que fez. O Senhor sabe que diariamente nos falamos e nesses momentos tenho o privilégio de Lhe declarar meu amor, que pessoalmente, pretenderia fazer em todo o instante com meus gestos, falas e pensamentos, mas é difííícil.

Seu sofrimento, meus irmãos e eu conhecemos há tempos (tanto que muitas vezes até somos frios com relação a isso). Sua ressurreição também é muito clara e de fato cremos nela. Mas por esses dias refleti sobre algo um tanto diferente: tenho desejado estar mais ao Seu lado. Eu falo fisicamente, junto, assim como dois grandes chapas, como Pai e filho, unha e carne.

De verdade, não quero que caminhe comigo. Mas quero eu caminhar Contigo, seguir os Seus passos e não os meus. Quero andar como Sua sombra.

Desejo tanto ter estado ao Seu lado enquanto caminhou neste mundo. Ver Lázaro ser ressuscitado, recostar minha cabeça sobre Seu peito durante a ceia, ungir Sua cabeça com o óleo, estar ao Seu lado naquela sala quando desceu um cara doente pelo teto da casa, vê-Lo pregar no templo e expulsar aqueles hipócritas que desonraram a casa do Pai com o comércio ali dentro. Tenho o desejo de ter vivido nessa época e estar ao Seu lado enquanto seguia para a cruz e ali, aos Seus pés, mais uma vez Lhe dizer o quanto esse amor é fundamental em minha vida.

Ah Jesus, são tantas histórias que leio nas Escrituras, e pensar que muitas outras nem foram contadas. Dormir sob o mesmo teto, comer dos cinco pães multiplicados, orar junto com o Senhor em uma vigília no monte, espera-Lo voltar do deserto enquanto derrotava Satanás e ouvir as novidades.

Eu não tenho cabelos cumpridos como os galileus ou as mulheres, mas seria um prazer ajoelhar-me para secar-Lhe os pés. Eu realmente não sou digno disso, mas viver ao Seu lado nesses tempos me seria uma honra.

Creio que nesse momento posso compreender Suas palavras àquela samaritana e confesso, tenho sede profunda em ser preenchido com as águas vivas e adora-Lo não pelo que fez, mas pelo que é.

A revelação

Filho, Minha graça seja contigo! Tem sido uma aventura agradável lhe ensinar Meus caminhos. Estive nessa terra por um tempo breve, só para cumprir esse propósito que você disse já conhecer e mostrar-lhe um pouco do Meu amor.

João escreveu bem quando registrou que muitos outros feitos foram realizados e não caberiam naquele livro se tivessem sido relatados, mas creio sinceramente que os que ali estão bastam para que conheça exatamente o que Eu espero de você, Meu discípulo.

Saiba que as experiências de Lázaro, Maria, João e tantos outros são testemunhos do Meu amor e vontade a todos os que em Mim depositar sua fé. Mas tenho para todos os Meus filhos planos tão maiores e grandiosos.

Querido, nas Escrituras já lhe disse que todos os seus dias foram planejados por Mim e não por acaso te fiz nascer nesses tempos. E se o fiz, é porque Meus sonhos para sua vida e minha unção sobre você foram programados para tocar essa geração e não quando estive aqui, como você tem desejado.

Como já disse a Filipe, eu vivi, morri, ressuscitei e subi ao céu. Mas Minha primeira providência foi enviar sobre todos os Meus, o amado Espírito Santo para habitar não seu lado, mas dentro de você. Eu, como pessoa, não estou mais por aí, mas Minha divindade, poder, sentimentos, amor e vida (que é o que importa) moram em seu coração.

Você não pôde estar comigo há dois mil anos, mas pelo que fiz na cruz, hoje pode sentir a todo instante o Meu toque, algo que nenhum dos que estiveram ali puderam ter.

João Batista batizava com água. Eu, porém, batizo com o Espírito Santo a todos os que vêem a Mim com o coração quebrantado, crente e disposto. E sobre os que desejam mais, derramo sim rios de águas vivas. Como eu mesmo disse à samaritana que você citou: “No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São esses os adoradores que o Pai procura” (João 4:23).

Se você quer mais é só pedir, Eu estou aqui.

Criminoso confesso

por Luiz Henrique Matos

Por um instante, imagine-se há 1.971 anos em Jerusalém. Você está em meio a uma multidão de homens, mulheres e crianças, judeus e curiosos, moradores e turistas. Tudo acontece durante o período da festa da Páscoa e a cidade está cheia de gente, vindos de todas as partes do país. Há poucos minutos você viu um tumulto e entrou para ver do que se tratava.

Veja então Jesus. Ele está ali, no topo daquela escadaria, diante de Pôncio Pilatos. Depois de passar a madrugada sendo espancado e julgado pelos líderes judeus Ele volta até Pilatos, o então governador romano em Jerusalém. Só os romanos tinham autoridade para condenar alguém à morte e caberia àquele homem dar seu ultimato a respeito do líder rebelde que se dizia Filho de Deus, sobre quem os judeus pediam tal pena. Em uma tentativa frustrada, pediu ao povo que escolhesse por libertar entre Jesus e Barrabás, um famoso criminoso, e o povo optou pelo segundo. Noutro momento, espancou a Cristo como manda a tradição romana para ver se isso era suficiente para saciar aquela sede de sangue, mas ainda assim não os satisfez. Agora aquele homem não tinha opções. Em seu apelo derradeiro perguntava: “O que eu faço com esse, que se diz Rei dos Judeus?”

E você está ali, no meio daquele povo. Vendo aquele homem que se diz Deus sangrar como um cordeiro sacrificado diante de um altar. Nenhum milagre aparente, nenhum trovejar nos céus, nada sobrenatural que pudesse testificar aquele judeu como o Senhor. Afinal, como poderia Deus cambalear dessa forma? Como poderia o Messias nascer em um lugar miserável como a Galiléia? Como poderia o Cordeiro ser filho do carpinteiro? Ele só pode estar blasfemando.

Pilatos então faz sua pergunta, ao que você, envolvido pela multidão exclama: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Você ainda pode ver o governador romano consentir aos seus soldados que conduzam Jesus ao sacrifício. Eles colocam aquela cruz sobre Suas costas e Ele caminha até o Gólgota, onde é pregado naquele madeiro e exposto a todos até que morra.

Qual é a sua reação ao assistir a carnificina? Naquele tempo, talvez nenhuma. Esse tipo de morte era comum à época. Era de fato, divertido, ver um bandido ser morto. Cuspir nele, atirar pedras e rir de sua humilhação durante a “via crucis” fazia parte do espetáculo. Mas Ele era um bandido?

Você não tem mesmo dúvidas, Ele não pode ser Deus. Se é mesmo o Messias, porque não desce da cruz e salva a si mesmo e a todos? Porque então ao invés de nascer naquela manjedoura em Belém, não rasgou os céus e desceu montado em um cavalo branco? Seria muito mais nítido compreender dessa forma. Ao contrário, Ele apareceu na cidade dias atrás, montado sim, mas sobre um jumento!

Em pé, parado, aos pés da cruz, você contempla o sangue jorrar do corpo deformado daquele homem que há alguns dias pregava com ousadia no templo e tempos atrás foi aclamado por curar cegos, paralíticos e até ressuscitar mortos. Sua cruz está no centro, à direita há um ladrão gritando esbravejante, à esquerda um outro que Lhe fala algumas palavras e ouve Seu sussurrar como resposta. O que Ele diz? Porque não grita xingando àqueles que o chamavam de mestre e seguiam como discípulos?

Mas você só assiste. Assiste até que vê Sua cabeça erguer-se com dificuldade, Seus olhos abrirem-se com tanto esforço e focarem nos seus. Sim, Ele está olhando para você. Um calor toma conta do seu corpo, parece que você não tem mais controle sobre si, há um sentimento de medo mas imediatamente é substituído pela segurança de uma mão que te sustenta.

Ele te vê e você não consegue desviar. Não há ódio, mágoa ou rancor em Seu olhar. Ao contrário, há um amor inexplicável. Você então sente-se como se não tivesse controle algum, começa a chorar e ver os pregos que O sustentam na cruz, as marcas da tortura, os cravos fincados em Sua cabeça, a dificuldade em respirar. Você já não tem mais dúvidas, todos erraram. Foi você. Sim, foi você quem há algumas horas duvidou e gritou: “Crucifica-o!”

* * *

Por sorte – você pensa agora – eu não estava ali há tantos séculos. Nasci há algumas décadas e nada sei sobre o que aconteceu naquele dia. Sei que Jesus me salvou e ponto.

Mas o que as Escrituras dizem é um tanto diferente. Jesus entregou-se voluntariamente, é fato. Ele nasceu com o propósito de morrer, ressuscitar e com isso, lhe dar a salvação sobre os pecados e a vida eterna ao Seu lado. Mas… porquê Ele precisou morrer?

Porque você o matou.

Não exatamente com suas mãos, armas ou com seu grito, mas esse crime foi cometido em seu coração. Tão pouco o fez com ódio ou raiva intencionais, mas por negligência e teimosia em achar que sozinho, veja só, seria capaz de conduzir sua vida.

Quando sonha em ser independente do Pai, quando os desejos são maiores do que a obediência, a razão maior do que a fé, o egoísmo maior do que o amor, o pecado maior do que a santidade. É nesses momentos que uma voz interior exclama: “Crucifica-o!”

Não foram judeus, não foram romanos, não foram homens. Não foi a carne, sangue ou qualquer obra material, foi o pecado, o mal uso do livre-arbítrio, a rebeldia humana que afastaram Deus.

Sente-se culpado? Algum remorso? Pois Ele não quer que Lhe sejam pedidas desculpas, mas ao contrário, Ele anseia por um convite. Ele não quer ter razão, quer derramar amor. Ele não quer um trono para ser rei, quer reinar em Sua casa, o lugar que escolheu: o seu coração.

O fruto do ódio humano foi o amor paternal. O resultado de Sua prisão, foi a sua liberdade. O peso da cruz sobre Seus ombros, foi para aliviar o fardo sobre os seus. A razão de Sua morte, era gerar vida.

“Pai, perdoa-lhes”, foi Seu pedido enquanto sofria. Assim é Deus, Misericordioso e Soberano. Não há atitude humana, que mude Seu amor, seja para menos ou para mais. Ele te ama de forma igual e eterna. E Ele mesmo consola o que chama de Seu quando esse coloca-se aos Seus pés clamando:

- Pai, me perdoe, eu pequei contra Ti.

“Espírito Santo Consolador, desça sobre ele”, é Sua promessa sendo cumprida, para que mesmo não podendo vê-Lo, você possa senti-Lo habitando dentro de seu coração para todo o sempre.

É verdade, segui-Lo vale qualquer preço e ama-Lo deve ser seu maior esforço. É preciso então prosseguir na certeza de que, por mais distante que você esteja, Ele nunca se afasta. Por mais longe você vá ou fundo que venha a cair, o caminho de volta é sempre perto e instantâneo, porque Sua mão está estendida para te resgatar. Agarre-a.

O rei Davi, você e Saddam Hussein

por Luiz Henrique Matos

Orar para ter sorte e proteção do céu, ler a Bíblia de manhã como um horóscopo para ver o que Deus diz, esperar a “revelação profética” de um “irmão ungido” para decidir o futuro, carregar uma Bíblia na bolsa para ficar protegido do diabo, gritar enquanto ora para ver se Deus ouve melhor, recitar versículos de “vitória” como mantras para se guardar, ambicionar “cargos” dentro da igreja, ler Salmos e Provérbios porque “falam” mais… Quantas bobagens. E saber que isso em nada difere das práticas ocultistas que são tantas vezes condenadas nas escrituras e nas congregações. Mas infelizmente fazem parte da realidade de nossa igreja.

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (Apocalipse 2:4-5a NVI).

Penosamente, por conseqüência da cultura firmada em misticismos e da miscigenação religiosa que temos no Brasil, ao nos convertermos trazemos para o cristianismo vícios que não são verdadeiros a ele. Por isso, precisamos conhecer a base de nossa fé para que não sejamos enganados por essas mentiras de Satanás dentro de nossas próprias comunidades.

“O Espírito da verdade. O mundo não pode recebe-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e está em vocês” (João 14:17).

Deus vive em nós. A partir do momento em que olhamos para a vida de Jesus e acreditamos que Ele nasceu, morreu e ressuscitou para nos salvar, o Espírito Santo de Deus passa a habitar em nós. Isso é o sinal da salvação que temos no Senhor.

O poder que vemos manifesto através de outras pessoas na igreja, os dons do Espírito Santo sendo realizados, Suas curas, revelações, milagres, sinais e maravilhas, profecias, o orar em línguas estranhas. Tudo isso, sem o verdadeiro conhecimento de seu propósito pode levar o povo de Deus a tirar conclusões erradas sobre o agir sobrenatural e o pior, ter isso como verdade e conduzir sua vida espiritual sobre detalhes tão pequenos diante da grandeza de Seu Provedor.

“Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância” (Berek Bok). “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Salmo 119:105).

Um irmão ser usado com dons de Deus não é nenhum sinal de status ou algo diferente que ele tenha e qualquer outro cristão não. A Bíblia já diz, os dons são do Espírito Santo e não dos homens (leia atentamente 1 Coríntios 12, 13 e 14). Esse agir que vemos, é a vontade de Deus sendo realizada por meio daqueles que se dispõem a viver em intimidade, obediência e submissão aos Seus preceitos.

Como ter uma vida assim? Buscando a Deus.

O Senhor não faz distinção de Sua criação. Ele ama da mesma forma George W. Bush e Saddam Hussein, mas vemos pelos frutos que o contrário não parece ser verdadeiro. E igualmente aos dois anteriores, Ele amou Abraão e amou Davi e vimos na história que houve um sentimento recíproco nessa relação, o primeiro foi por Ele chamado de amigo e do segundo foi dito ter um coração segundo o Seu. Da mesma forma Ele ama a mim e a você. E como tem sido nosso relacionamento com Ele?

Deus fala com quem fala com Ele. Ele age através daqueles que se dispõem a ser instrumentos em Suas mãos. Ele responde aos que Lhe perguntam. Dá aos que Lhe pedem. E dEle, só dEle é a glória por tudo isso. Não devemos tentar ter glória no lugar de Deus, esse foi o pecado de Satanás.

As escrituras descrevem cada mandamento que devemos seguir e cada pecado que devemos evitar. Citam as conseqüências da obediência e da desobediência também. Nela lemos quais são os frutos do Espírito Santo e os frutos carne. Ali vemos exemplos de homens que viveram em intimidade com o Senhor e outros que perderam suas vidas justamente porque O negaram.

A Bíblia em si, como livro, não é nada se através dela não tivermos a revelação de Deus. E só conhecemos a Deus se temos amor por Ele e pelo que nos deixou como herança. Nossa riqueza é Jesus. Assim, só chegamos à plenitude em Deus, por meio dEle mesmo.

Deus nos criou à Sua semelhança e Ele nos conhece mais do que nós. Ele tem intimidade conosco, porque sonda o nosso interior, nos julga pelos nossos pensamentos e nos vê pelo que somos e não pelo que aparentamos. Mas nós temos intimidade com Ele? Um relacionamento envolve sempre duas pessoas e o problema é que na maior parte das vezes temos os nossos olhos focados só na criatura (nós) e não no Criador (Deus).

Pois esse é o princípio da adoração: Deus.

E saiba que o Senhor tem sentimentos a seu respeito, Ele tem ouvido tudo o que você lhe diz, mas também tem muito a dizer. Aprenda a ouvi-Lo. Para isso é necessário conhecer o Seu caráter, Seus sonhos, Sua vontade, Seu coração e Sua voz. Voz que, as escrituras dizem, é como de muitas águas, que pode soar como um trovão, que algumas vezes veio diretamente do céu e em outras da boca de um anjo ou profeta. Mas essa voz hoje, dirigida a você, tem um som doce e agradável, que fala no íntimo e diz sempre antes de tudo: “Meu filho, eu te amo”.

O que você vai responder?