Ervas daninhas

por Luiz Henrique Matos

Elas crescem nas terras mais saudáveis, alastram-se de forma oculta, disseminam-se pelas plantas a ponto de estragarem toda a colheita e só são notadas quando sua condição sobre o território já é devastadora. O terror dos cultivadores, as pragas, também chamadas de Ervas daninhas. São na verdade as doenças, tumores malignos corpos saudáveis. E como toda moléstia, faz-se necessária a prevenção, o cuidado e a vigilância.

Pragas… são nossos “pecadinhos” que lentamente corrompem algum ponto em nossas vidas e começam a imobilizar a saúde de nosso espírito. É a pequena brecha que abrimos na janela e resulta na invasão daquele que entra com o objetivo único de roubar, matar e destruir.

Ervas daninhas… são os principados, potestades e espíritos malignos que nos atacam. Mascarados em coisas mínimas, disfarçados de igrejas cristãs, sob a máscara de uma profecia. Heresias. João nos diz: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (I João 4:1). Daí a importância em conhecer com excelência a Palavra de Deus e tê-la como espada para combater o maligno.

Conhecer a Bíblia é conhecer a Jesus e o crescimento dessa relação é gradativo. Lemos no Evangelho de João que “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” (João 1:1). Jesus é a Palavra. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14:6). Logo a Palavra também é o Caminho, a Verdade e a Vida. Portanto, se desejamos conhecer mais sobre Jesus, devemos ler o que Ele é. E a Palavra de Deus é a Bíblia, que é a personalidade, a vontade e o caráter de Cristo.

Na Bíblia entendemos a vontade de Deus para o Seu povo e através dela crescemos em sabedoria para julgar os espíritos e discernir entre as bênçãos de Deus e os dardos de Satanás. Quando o Senhor foi tentado no deserto (Lucas 4:1-13), Satanás não o atacou com desejos carnais, ele usou versículos da Bíblia para tentar induzi-lo ao pecado (lembrando que apesar de citar trechos bíblicos, ele os usou de forma distorcida e mentirosa). Mas Jesus Cristo derrubou o ataque maligno com a Verdade, pura verdade.

“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15).

Assim nós, conhecendo a verdade presente na Bíblia, devemos nos firmar nEle e usa-la para os propósitos de Deus: crescimento, revelação, intimidade, vida. Então, estaremos livres de pragas e desastres em nossas terras, teremos plantações saudáveis, poderemos semear vida e colher os frutos do Espírito, que nos alimenta, nos sacia, nos fortalece. O que plantarmos, isso colheremos.

“Vocês os reconhecerão por seus frutos. Poderia alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mateus 7:16).

Próxima parada

por Luiz Henrique Matos

São pouco mais de seis horas da manhã, seus olhos ainda lutam contra a claridade do dia, sua língua ainda sente o paladar misto do café com o hortelã do creme dental, seu corpo ainda habitua-se às poucas horas em que está em pé e apesar disso, João caminha pela estreita viela em direção à avenida no fim da rua. Ele dobra a esquina e de longe enxerga o ponto de ônibus, como sempre, lotado.

O excesso de gente já não é novidade, o mesmo ocorre todos os dias. A cada trinta minutos (quando não há greve), a condução pára e toda a multidão se acotovela para passar ao mesmo tempo por aquela pequena porta. O prêmio da disputa é valioso, um espaço sentado em um dos poucos e desconfortáveis bancos do ônibus. João como sempre, chega atrasado, entra por último e viaja em pé até o ponto final da linha, próximo ao seu trabalho.

No longo percurso, João tem muito tempo para pensar na vida, cochilar um pouco, ler dia após dia o mesmo capítulo daquele pequeno e surrado Novo Testamento (que ganhou de sua noiva e guarda no bolso da camisa – “Traz proteção”, afirma ele), embalar novamente ao chacoalhar do trânsito para dormir mais um pouco e… capoft! acordar pouco depois de perder o equilíbrio e cair esparramado por conta da brusca freada do veículo. “Ô motorista, préstenção!” balbucia ele antes de levantar, bater a sujeira e se acomodar novamente.

Parece um tanto curioso, mas aquela vemos que aquela massa (ônibus + passageiros) está em movimento enquanto os passageiros estão parados. Quando então o veículo pára bruscamente, percebemos a ação de um efeito da física chamado “inércia”: o tombo do João. Ele caiu justamente porque seu corpo (que já estava parado) se opôs ao movimento do ônibus (que corria mas parou de repente).

Inércia: 1. Falta de ação, de atividade; letargia, torpor. 2. Indolência; preguiça. 3. Resistência que todos os corpos materiais opõem à modificação do seu estado de movimento. 4. Resistência à mudança. (Dicionário Aurélio).

João e sua vergonhosa queda, somos tantos de nós, vivendo em nossas congregações e seguindo uma rotina acomodada. Tomamos o ônibus da religião, montamos no lombo da igreja e vamos de carona, em uma vida de tradições e aparências. “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (I Coríntios 10:12).

Mas uma hora o ônibus freia… e no que temos sido inertes?

“Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.” (Tiago 2:26). As obras, a que Tiago refere-se não são as atividades que desenvolvemos dentro da igreja ou o bem estar social ao qual despendemos tempo, ele está falando de ação. A fé é a força que nos faz caminhar. Sem a “obra” nós temos essa força mas não caminhamos, estamos parados.

“Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar?” (Tiago 2:20-21).

Deus quer nos fazer viver em milagres e ele nos convida a caminhar sobre as águas em sua direção, mas antes nós devemos sair do barco e dar o primeiro passo (Mateus 14:27-29). Não vamos subir em um veículo confortável e deixar “a vida” nos levar. Antes porém, caminhemos com fé na direção de nosso propósito: a salvação em Jesus Cristo.

“Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.” (I Coríntios 9:25-27).

A patrulha celestial

por Luiz Henrique Matos

Tomado de assalto

Vivendo em uma grande metrópole como São Paulo é (ironicamente) natural que todo cidadão tenha lá sua experiência pessoal com essa violência quase epidêmica que nos acomete. E como todo cidadão que se preze, faço parte dessa nada agradável estatística.

Aos 11 anos. À tarde, em um fliperama perto de minha escola ginasial. Com alguns amigos eu passeava por aquele lugar, procurando a máquina certa onde investir minha ficha e gozar de alguns minutos de diversões eletrônicas. Cinqüenta centavos, esse era o valor desses minutos. Cinqüenta centavos, o exato valor que aquele outro garoto, dois palmos mais alto, pressionava-me a lhe entregar. Eu cedi. Cedi e horas depois me culpei por não ter revidado com os golpes ninjas que eu com certa dificuldade aprendera a manusear no vídeo-game.

Aos 14 anos. À noite, dentro de um ônibus no centro de São Paulo. Eu seguia com meu tio e um amigo seu para um show de rock n’ roll na cidade. No trajeto, o veículo parou e nesse momento eu senti uma mão subtrair de minha cabeça o boné que antes ela ostentava. Importado, com o logotipo dos X-Men bordado, presente de aniversário da minha tia. O rapaz (imagino) enfiou a mão pela janela e puxou o boné. O ônibus seguiu seu destino, eu também, mas o boné ficou.

Última segunda-feira. Fim de tarde, saindo do trabalho. Deixei o escritório e caminhava até a rua onde costumo estacionar meu carro. Dobrei a esquina e o vi ali parado, sujo como sempre, embaixo de uma árvore e com o pisca-alerta ligado. Espere, pisca-alerta ligado? Inocente, cheguei a pensar que circulei com aquele carro por quatro anos sem saber que ele tinha um alarme. Segui até ele, abri a porta e me deparei com o painel violado. Levaram meu cd-player. O indivíduo extraiu a fechadura ao lado do passageiro, fez o seu trabalho cuidadosamente e ligou o pisca-alerta só para festejar a conquista. Triste, foi presente de Natal de minha esposa três anos atrás.

Hoje exerço o aprendizado cristão. Nenhuma mágoa ou rancor. Estou no mundo e sujeito às suas aflições (João 16:33).

O grande seqüestro

Não soube ao certo quanto tempo durou. Sei que só aos vinte anos fui descobrir que estava naquele cativeiro. Para ser sincero, já havia me acostumado. Via o mundo por aquela janelinha, dormia e sonhava tão mal, comia aquela refeição barata e pensava ser aquilo o meu alimento.

Então, um dia, eu vi aquela mão estendida. Era um convite, eu sei, mas convite para quê? Um mundo diferente, novo, cheio daquela luz ofuscando minha vista. Eu não queria isso, estava tudo bem.

Liberdade? Uma nova vida? Entrar pela porta estreita? Viver como quem sonha? Alimento sólido e espiritual? Apagar o meu passado…

Essa era sua oferta bizarra e eu a experimentei. E gostei. Cheguei a compara-la com os “baratos” vendidos por aquele traficante do colégio, mas foi diferente. A sensação era maravilhosa, melhor do que qualquer droga. E era de graça. Era na verdade, a Graça.

E eu só sabia chorar.

Seu poder me deu liberdade, me tirou daquela prisão e quando enfim pude contemplar minha situação, clamei: “Oh Deus, me sinto na lama!” E mesmo sujo, pude sentir seu afago, seu toque, sua voz doce me dizendo: “Venha como você está. Eu te limpo. Você agora é meu. Filho!”. Com passos trêmulos eu fui, desci às águas e renasci. Limpo e novo.

O Salvador

Pude ler, em certa ocasião, suas palavras dizendo: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir” (João 10:10a). Roubar-nos a inocência infantil, seqüestrar o pensamento e até quando conseguir, induzir nossos passos a trilharem o caminho da morte.

Aprendi que ele, o bandido, ambicionou ser como Deus, independente daquele Reino. Foi expulso dos céus, com um terço dos anjos que seguiram sua mentira. Reinou pois, neste mundo, plantando o pecado na criação de Deus, o coração do primeiro homem, Adão.

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19).

Então o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nasceu, viveu, pregou, chorou, sofreu, morreu e ressuscitou. E em toda sua vida, cumpriu o plano perfeito e com sua morte, concretizou a estratégia divina, colocando Satanás no subterrâneo, embaixo dos céus e sob nossos pés.

Cristo veio para nos fazer livres, nos tornar filhos e tirar-nos do caminho criminoso do diabo. Foi Jesus quem nos livrou dos “pequenos” assaltos que ele promoveu em nossa santidade, nos levando a pecar. Foi Jesus que nos libertou do cativeiro escuro e nos revelou seu amor incondicional, constrangedor e misericordioso. E ainda hoje Ele faz tudo isso.

Satanás reinou neste mundo, mas Deus amou o mundo. Amou tanto que enviou seu Filho para que pelo mundo morresse e cada um que aqui viesse a nascer, o fizesse como filho e herdeiro de sua maravilhosa promessa: a vida eterna!

Não ponha o dedo na tomada!

por Luiz Henrique Matos

Quantas vezes? Quantas vezes não nos deparamos com essa frase? Desde pequenos quando somos o alvo direto dessa exclamação até adultos, quando do outro lado, somos os exclamadores. Em minha ignorância, confesso, não sei porque aqueles buraquinhos na parede exercem tanta atração aos olhos e dedinhos minúsculos dos bebês. Invariavelmente, a voz paterna é ignorada, o dedo fura-bolo-indicador cutuca aquele pequeno orifício (que até brilha no escuro!) e brzzzz! o choque doloroso e assustador faz aquele “serzinho” derramar-se em lágrimas.

Não ponha o dedo na tomada! É o que nosso Pai diz muitas vezes na Bíblia. Essa bronca está disfarçada em passagens, histórias, versículos e mandamentos. Deus nos diz isso com seus próprios lábios ou através de seus servos. Temos livre acesso às escrituras e cada palavra ali impressa expressa a vontade manifesta do Senhor.

O escritor norte-americano Charles Swindoll disse certa vez que a melhor maneira de demostramos a Deus o nosso amor é pela obediência. Obediência àquilo que nos parece mais difícil do que ceder às tentações do pecado e nos esbaldar nos prazeres infernais de nossa carne. E obedecê-lo implica em seguir o que diz a Bíblia.

E finalmente, a Bíblia nos diz que devemos obedecer a autoridade do Senhor: “Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer “ (Tiago 1:25). Ele é o nosso Deus Criador, Salvador e Consolador e por isso, devemos a Ele o nosso compromisso, devoção e obediência. Jesus é o nosso melhor exemplo e quando o fez, pretendia nos estimular a um comportamento idêntico e formar uma família exemplar: “Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:50).

Temos também que obedecer as autoridades instituídas por Deus nessa terra: “Disse-lhe, então, Pilatos: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar? Respondeu-lhe Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado” (João 19:10-11a). E pensar que o próprio Deus morreu submisso a autoridade de um homem cujo poder havida sido dado por Ele! O autor do livro de Hebreus resume a atitude de Cristo: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu” (Hebreus 5:8). Toda autoridade nessa terra foi levantada por Deus e se o Senhor os pôs em tal condição, por amor a Ele devemos obedece-las, assim como a Ele, independente de gostarmos ou não de suas regras.

Obediência requer submissão e isso é muito difícil, doloroso e vai contra esse nosso impulso humano de auto-suficiência. Mas se queremos a vontade de Deus em nós, devemos nos humilhar e lembrar sempre que somos apenas criação e sonho de Seu coração. E antes de tomar decisões racionais e humanas, é necessário trazer à memória o alerta Paterno e sua expressão mista de amor e repreensão, com o dedo indicador levantado e sua voz dizendo “Tsc… nãnãninanão! Eu já te falei, não faça isso!”.

“Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada” (João 14:23).

PS: Outros versículos sobre o assunto que valem a leitura: João 15:10, Josué 1:8, Mateus 7:21, Êxodo 19:5, Deuteronômio 5:29, 1 Reis 3:14, Mateus 7:24, Mateus 22:21 e Romanos 5:19.

Maranata!

por Luiz Henrique Matos

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Traga refrigério para essa terra,
Tome tua igreja para sempre,
E leve-nos para casa.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Conduza tua noiva ao altar santo,
Permita-nos louva-lo eternamente,
E diante de ti contemplar tua face.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Queremos sentir o teu abraço,
Voltar ao paraíso,
E não ver pecado em qualquer parte.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Queremos nos prostrar diante de tua glória,
Entrar na sala do trono,
E como os anjos te exaltar: Santo! Santo! Santo!

Meu Deus, eu sou teu

por Luiz Henrique Matos

Por onde anda o meu Senhor?
Busco, procuro, me sinto um tanto só.
Onde está o Rei dos reis?
Em meu coração quero senti-lo.

Não foi tu quem se ausentou,
Eu sei, fui eu que abandonei minha morada,
Tua morada.
Meu coração é o teu reino, ó Deus!

E mesmo só em meus sentimentos
Sei que teus pés estão sobre a terra,
Teus olhos sondam o meu interior
E tua presença me invade com poder.

Então eu clamo: voe livre Espírito Santo!
E encha minha vida com tua santidade.
Então eu chamo: venha Espírito de Deus!
E conduza os passos desse teu servo.

Minha vida está em tuas mãos,
Como águia subo em tua direção
E contigo sempre estarei, eternamente.
Amém!