Uma fogueira embaixo d’água

por Luiz Henrique Matos

“Acende o fogo em mim…” a música tocava no rádio enquanto eu dirigia de volta para casa. Um dia típico em que São Paulo faz jus à sua fama. Muita garoa, céu cinzento e um congestionamento que põe em prova a paciência de qualquer cristão.

A música, confesso, não surtia efeito em meu pensamento que vagava longe, depois das oito horas de batente em uma sexta-feira. Liguei o “piloto automático” e seguia de volta para casa em meu 1.0.

Subi então um viaduto e enquanto repetia-se o verso da música, cheguei ao ponto alto daquela pista e lá no fundo uma nuvem era atravessada por um persistente raio de Sol, formando um tímido arco-íris.

Gosto de contemplar a criação de Deus. A igreja em que minha esposa e eu somos membros fica no sudoeste do estado e enquanto trilhamos os quase trezentos quilômetros de nossa casa até lá, é visível nas paisagens naturais, a obra do Senhor que cresce com Sua autorização e providencia formando florestas, com a combinação tão majestosa do verde e seus vivos tons.

Quantas vezes já não vi um arco-íris? Centenas, eu sei. Mas é uma agradável surpresa presenciar um milagre em meio à selva de pedras da capital e esse tão lamentável amontoado de cinza com suas gélidas variações.

“Estabeleço convosco a minha aliança: Não mais será destruído tudo o que tem vida pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para destruir a terra. E disse Deus: Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, por gerações perpétuas: O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança entre mim e a terra. Sempre que eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco nas nuvens, eu me lembrarei da minha aliança, que está entre mim e vós e todos os seres viventes de toda a carne. As águas não se tornarão ais dilúvio para destruir tudo o que tem vida” (Gênesis 9:11-15).

Obrigado Senhor! Estamos em 2004 d.C., até onde sei a declaração de Deus a Noé em Gênesis aconteceu há alguns milhões de anos e ainda assim, Sua aliança é real, intensa e fixa diante de meus olhos. Sob a gélida chuva que cai, eu não resisto e meu espírito declara: “Eu me rendo… vem Senhor, acende seu fogo em mim!”

Um coração dedicado

por Luiz Henrique Matos

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mateus 22:37).

Nesses versículos o Senhor Jesus no ensina em poucas palavras toda a razão e motivação de nossas vidas. Mas como posso adorar a Deus com todo meu coração se não posso vê-lo? Não consigo medir a amplitude de sua majestade, seu poder… como compreender com minha ignorância humana a verdade sobre onipresença, onipotência ou onisciência. Como pode isso acontecer? Sou tão pequeno.

Eu não sei o tamanho de Deus, o pouco que consigo visualizar de meu Senhor é pela vivência que tenho tido nesses tempos em que me lancei em seus braços. Deus! Isso é grande demais para mim. De certa forma, tento ‘enquadrar’ Deus através do que ele fez EM minha vida (a transformação de meu caráter) e PELA minha vida (sua morte em eu lugar). E ‘só’ por conta disso, tenho uma vaga idéia do que é amar verdadeiramente. Não pelo que sinto por ele, mas pelo que ele sente por mim. E cada experiência dessas me soa como encontrar uma pequena peça de um quebra-cabeças infinito mas que revela um pouco de sua glória, mesmo sabendo que só terei essa experiência quando estiver ao seu lado, lá em ‘riba’.

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4:20). Isso é um exercício para o meu comportamento. Se quero ama-lo, preciso amar tudo o que ele fez, principalmente aquelas ‘cascas de ferida’ que aparecem em nossas vidas.

Pense em uma pessoa que ama muito, talvez sua esposa, filhos, pais, amigos, não importa. Mas lembre especificamente no que você procura fazer para mostrar a eles o seu amor. Em geral procuramos declarar nosso sentimento através de palavras, cartas, presentes, surpresas, mas sabemos que o amor verdadeiro não é refletido somente por pequenos gestos (isso é conseqüência do que sentimento), ele é mostrado, ele é visível em nossos gestos, olhares, preocupações, agrados, compadecimento… quando amamos alguém, queremos estar mais ao seu lado.

Isso também deve ser aplicado em nosso relacionamento com Deus. Não podemos comprar o seu amor, salvação e misericórdia. Ele já me amou, salvou e perdoou antes de eu saber (só precisava ver isso).

E o que posso fazer para mostrar meu amor àquele que deve sê-lo acima de tudo e todos?

Podemos usar palavras (orando), cartas (textos e cânticos), presentes (ofertas), mas isso não tem “efeito” algum se antes, o nosso coração não arde em paixão por Jesus. Devemos sim, mostrar nosso amor verdadeiro ao Pai, com nossos gestos. Amamos a Deus quando temos prazer em estar com ele, quando nossas atitudes tem o propósito de fazê-lo feliz, quando nos preocupamos em saber se ele gosta de nossas ações e em procuramos acima de tudo o desejo do seu coração para nós.

Agradamos ao Pai com sussurros, com louvor, com uma ‘oração surpresa’ em um momento qualquer (fora da igreja e de ‘esquemas’ que criamos para o devocional, nós temos o Espírito Santo em todo o tempo, dentro de nós!), quando amamos e cuidamos da sua criação (nosso próximo), resistimos à tentação de pecar e rejeitamos as coisas ‘do mundo’ e priorizamos as de Deus. Nesses momentos imagino que o Pai, lá de cima, olha e diz: “Esse é o meu garoto… ê filhão!”.

Queremos mesmo estar cada vez mais “ao lado” de nosso amado? E o que fazemos para declarar esse amor?

Existe um texto na Bíblia, muito usado em casamentos e aconselhamento de casais. São os versos de Paulo em I Coríntios 13, que falam sobre o amor. Vou transcrever um trecho abaixo, mas tente aplica-los em sua vida espiritual, tomando como base os dois versículos que estão no começo dessa mensagem (o primeiro mandamento de Jesus).

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Coríntios 13:1-8).

Essa é a melhor descrição do que é o amor que pode haver em qualquer livro. Esse amor que buscamos sentir pelo nosso próximo, é o amor que Deus também sente por nós. E quando reconhecemos o amor infinito e incondicional de nosso Deus, deixamos de lado a religiosidade, a vergonha, o preconceito, o pecado e lembramos que esse ‘relacionamento’ tem duas pontas, dois corações ligados em um sentimento comum e maravilhoso: o nosso coração com o coração do Pai. A partir de então, estamos vazios de nós mesmos para sermos preenchidos pelo seu Espírito Santo, com nossos corações abertos a recebê-lo e dispostos a ama-lo com todo nosso entendimento.

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:19-24).

Antes de tudo, ame a Deus. Jesus disse: “a hora vem, e agora é”. Ele é digno e merecedor do melhor que temos. Quem ama dá o melhor de si para o seu amado. Devemos dar o nosso melhor para Deus. Seja dançando, dando brados de júbilo, saltos, canções, orações, línguas, ou então, de forma intimista, silenciosa, sentado e tranquilo. Afinal, quem disse que a adoração está no gesto? Deus não quer os nossos gestos, ele quer o nosso coração!.

O importante é que seja sempre o melhor, amor verdadeiro, devoto, entre filho e Pai. Assim como você e eu, Deus também tem o “jeito” especial dele com cada um de nós. Ele nos fez, diferentes uns dos outros, de maneira individual e única, do modo como ele se agrada em nos ver, com um propósito maravilhoso.

Se estamos realmente preocupados em agradar o coração daquele que nos amou primeiro, precisamos buscar primeiramente a sua vontade. Como o nosso Amado gosta de ser tratado? Ele deixou tudo escrito, em um “bilhetinho” de mil e tantas páginas, chamado de Livro Sagrado.

“No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez” (Gênesis 5:1b).

Discípulos!

por Luiz Henrique Matos

Em alguns momentos tento pensar como um ateu. Não que eu tenha alguma tendência a isso, tenho na verdade curiosidade em enxergar a vida e todas as circunstâncias que nos cercam partindo da ótica de alguém que não acredita em Deus. Como deve ser exercitar a consciência em busca de uma resposta racional para algo tão grandioso como a criação? Fico imaginando a nuvem negra que Satanás coloca diante dessas pessoas, não permitindo que vejam e sintam aquilo que habita dentro delas: o sopro da vida.

O mundo e tudo o que nele há, o firmamento, a natureza, o homem, pode-se realmente acreditar que tudo foi “auto-desenvolvido” de acordo com uma teoria evolucionista?

Confesso que por algum tempo, no princípio de minha conversão, minha grande luta espiritual era pender para a incredulidade. Tantos livros, tantas filosofias, idéias… me fizeram cego para por vezes imaginar que explicações humanas eram realmente mais fortes do que a afirmação e soberania divina (claro que eu não tinha essa conclusão naqueles momentos). Mas um dia Deus me levou a Hebreus 11:1 e 3:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê”.

E então, passei a entregar minha oração ao Senhor dizendo a Ele que não me importavam as teorias científicas, não eram provas racionais que me fariam crer, eu gostaria viver pela fé, crendo somente nele e tendo Jesus como meu Salvador. Depois disso pude sentir o “toque” do Espírito Santo sobre minha vida, passei a ter experiências íntimas com o Pai e viver sentindo sua presença em mim.

Pude contar com a misericórdia de Deus e hoje imagino sob essa ótica “racional” se Deus fosse realmente uma criação humana, como dizem os ateus, um mito inventado pelo homem pela necessidade de apegarmo-nos a algo sobrenatural, que nos livre do medo da morte e firme nossa vida em um sentimento de esperança.

Vemos em nossos dias um número cada vez maior de pessoas apegando-se a religiões distintas como espiritismo, candomblé, budismo, islamismo, etc. Pessoas buscando de alguma forma uma “fonte” espiritual que supra suas necessidades, que preencha o vazio que tornou-se sua vida. E a religião a que se apegam não se firma apenas em denominações, há outros tantos que buscam suprir essa carência nas drogas, cristais, luzes, aromas, bares, festas, orgias, jogos, ou seja, todo e qualquer vício que lhes encubra ou disfarce a falta que lhes faz aquilo que não sabem que tem.

E essa carência que todos nós temos é de ninguém mais do que Jesus. Ele é a Verdade, o Caminho e a Vida (João 14:16), é o poder capaz de nos preencher e de satisfazer todas as nossas necessidades. A única coisa de que realmente precisamos.

Nascemos com o sopro da vida em nossas narinas. Deus nos cria e enquanto vivemos como crianças somos inocentemente puros e perfeitos aos seus olhos. Mas crescemos e desviamos nossos passos do caminho traçado por ele para nós e quando tiramos Deus de nós, esse vazio não pode ser preenchido por outra coisa que não seja Ele mesmo. Esse espaço é “propriedade exclusiva do Senhor” (como dizem aqueles adesivos colados em carros) e esse espaço é o nosso coração – a única coisa que ele quer de nós.

Deus não quer nossos dons, não liga para nossa aparência, roupas novas, gel nos cabelos ou a chapinha feita antes dos cultos. O Senhor não quer saber se nós temos um português adequado, faculdade de teologia ou curso de oratória. Ele não quer de mim esse texto que você lê. Deus quer nossa dedicação, nosso amor, nossa entrega. Isso é a prova de nossa fé, nos entregarmos a ele, acreditando que Jesus é nosso único e ‘suficiente’ salvador.

Sabemos porém que o inimigo, com o objetivo de “matar, roubar e destruir”, trabalha intensamente procurando desviar o nosso entendimento da direção do caminho verdadeiro e nos apresenta essas “religiões” com seu propósito maligno.

E por amor a nós, o Senhor não interfere nessa jornada a menos que lhe peçamos isso. Deus não nos toma de maneira brusca, ele não faz em nosso lugar, ao contrário, ensina-nos a direção em que devemos caminhas. Nosso Pai quer que todos aprendamos a crescer como filhos e servos. Ele não quer nos ver sofrendo, ao contrário, ele quer nos ver amadurecendo, como um fruto planejado em seus sonhos e semeado em seu coração.

Para tanto ele levanta aqueles que já conhecem e estão conhecendo a Jesus para serem instrumentos limpos em suas mãos. Ferramentas dele para evangelizar, proclamar e levar o seu sonho aos povos, todos os povos.

Você e eu já temos essa consciência e sabemos o que as pessoas verdadeiramente tem buscado em suas práticas pagãs, mas estão cegas pela armadilha do diabo. E cabe a cada um de nós (não só um ou outro), obedecer à convocação de Jesus que nos disse “ide” (Marcos 16.15), mas também praticar seu santo mandamento que diz “ame-os como você ama a si mesmo” (Mateus 22.39).

E Deus nos capacita para esse chamado. Você tem um talento, um dom, uma vocação, derramada por Deus sobre sua vida, para ser um instrumento nas mãos dele. Ele quer usar os nossos lábios, nossos braços, nosso intelecto para seu louvor. É para isso que existimos, esse é o propósito da fé, não apensar tê-la para crer em Deus, mas que essa fé produza obras frutíferas para o reino: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2.26).

Nascemos para ‘adorar’ e ‘servir’ ao Deus vivo.

Vemos ultimamente que nossa geração tem sido tocada com um propósito de adoração muito forte. Em todos os países pode-se observar o surgimento de ministérios abençoados que chamam os filhos de Deus para buscar sua face e seu reino antes de tudo. Experiências novas, a plenitude do Espírito, isso é prova de um anseio que o povo de Deus tem tido pela sua presença, sede e fome por mais de dele, assim como Moisés que buscava incessantemente ver a face do Pai. Essas experiências nos preenchem de sua maravilhosa presença e fortalecem nossas vidas para a caminhada da fé. É o nosso relacionamento com o Senhor no aspecto da adoração.

Mas não podemos ser negligentes com o segundo ponto, o de servir a Deus. E servir a Deus não é somente estar dentro da igreja, cumprindo os protocolos e burocracias religiosas. Precisamos cumprir o mandamento de amar o nosso próximo (vamos deixar claro que o próximo não é só o nosso irmão em Cristo, mas toda a criação de Deus na Terra) e levar Jesus a todos os que não o conhecem, assim como alguém fez conosco um dia.

Suponha por um instante que você ainda não conheça a Jesus. Gostaria que algum amigo seu soubesse a Verdade e não a compartilhasse com você? È disso que Jesus fala. Se estamos dispostos a seguir o mandamento de Deus, devemos praticar o amor do Senhor.

E como podemos dizer que amamos alguém se não partilhamos com ele a coisa mais importante de nossas vidas?

Amar a Deus requer compromisso e obediência à sua palavra.

“Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos; se perseveramos, com ele também reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo. Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Timóteo 2:11-13 e 15).

“E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás por cima, e não por baixo; se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, para os guardar e cumprir, não te desviando de nenhuma das palavras que eu hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, e não andando após outros deuses, para os servires” (Deuteronômio 28:13-14).

Maravilhosa promessa

por Luiz Henrique Matos

Torturado, humilhado, como sofreu o meu Senhor!

Oh Mestre, sabes que eu nada sou, nada posso, nada tenho que me faça merecer seu perdão.

Meu Jesus, tu me sondas e conheces, é impossível para mim contemplar tão alto como tu.

A inescrutável decisão de descer do trono altíssimo para destronar o princípe do mal, quando os três magos puderam dizer: Nasceu! Jesus Cristo nasceu!

Me comprou, não com ouro ou prata, mas com sangue, seu santo sangue!

Tirou-me do inferno, resgatou-me da lama, tantas vezes quando nela me encharquei, abriu as portas da prisão, foi luz na minha escuridão.

Senhor, não há sofrimento que eu sinta que tu não tenhas passado, e vencido.

Nem mesmo a morte pode faze-lo calar e frear o poder que de ti emana e o faz cumprir a maravilhosa promessa que é minha esperança: Ressuscitou! Jesus ressuscitou!

Enviou teu Santo Espírito, soprando-o para que em mim vivesse Deus!

Neste mundo ao qual não pertenço, mas aqui habito para cumprir o teu querer, vivo a expectativa da promessa.

Sigo o caminho, aos tropeços e cambaleios, mas em ti firmo os meus olhos.

Senhor eu te amo e aos cantos faço ecoar minha voz, declarando: Voltará! Jesus voltará!

Senhor, me diga como

por Luiz Henrique Matos

Como posso te negar?
Cantam os anjos ao teu redor, louvando: Santo! Santo! Santo!
Canta o galo pela terceira vez ao que teu discípulo o rejeita: Não, não o conheço.

Como posso não lhe reverenciar?
Toda a multidão que se prostrará, crerá e dirá: Tu és o Senhor.
Toda a multidão que se levantou, o negou e gritou: Crucifica!

Como posso não crer no teu poder?
Rasgou o céu, desceu à Terra e viveu como homem, para sofrer em meu lugar.
Rasgaram-lhe a pele com chibatas e lança e o fizeram pagar pelo erro que é meu.

Como posso ser indiferente à tua posição?
Com tua coroa de glória, reinando sobre a Terra e contemplando a criação.
Com tua coroa de espinhos, elevado em um madeiro, sofrendo o meu pecado.

Como posso rejeitar o teu gesto?
De braços abertos para me receber, dizendo: Vem, não temas, eu te perdôo.
De braços abertos para me salvar, pendurado na cruz a dizer: Pai perdoa, ele não sabe o que faz.

Como posso não estar saciado em ti?
Bebeu o vinho e partilhou conosco do teu corpo e sangue, nos dando parte em teu reino.
Bebeu vinagre e sentiu o gosto amargo da morte e a zombaria do inimigo apontando-lhe a dor e rindo do Rei.

Como posso não te seguir?
A luz do mundo que me guia na escuridão e faz em mim resplandecer a sua glória.
A luz do mundo que se apagou e fez-se trevas o ceú em luto ao perecer da carne do Filho de Deus.

Como posso me esquecer?
Aquele dia em senti o teu toque em meu coração, me redimindo, me curando, me salvando.
Aquela tarde em que curvou a cabeça e entregou o espírito, me redimindo, me curando, me salvando.

Como posso não te amar?
Desceu-me às águas e levantou-me um novo homem.
Desceu ao inferno, pisou na serpente e ressuscitou dentre os mortos.

Senhor, como não crer?
Na vida eterna que me deste, pela graça, para sempre eu te louvarei.
Na vida que viveu, por mim tudo sofreu e com amor me chamas: filho!

Fé para vencer (e-book)

por Luiz Henrique Matos

I. Introdução

Porque eu oro, oro, oro, oro e oro, chego a ver o agir de Deus em minha causa, mas depois eu caio novamente?

Quantas lutas não passamos em nossa caminhada? Quantas (insubmissas) dúvidas não nos permeiam na nossa rotina diária dentro e fora da igreja? Muitos de nós quando convertidos, cremos que o reconhecimento e aceitação de Cristo como nosso Senhor e Salvador seria suficiente para suprir e eliminar as dificuldades que enfrentamos.

Diversas vezes tentamos encurralar a Deus e dar-lhe um ultimato sobre determinada situação ou então nos damos por vencidos e deixamos de crer em Seu poder. E tanto em uma quanto em outra circunstância abrimos porta para o pecado e a conseqüência desastrosa disso já é bem conhecida

Precisamos lembrar sempre que nosso Deus é perfeito e mais do que isso, nos ama acima de qualquer barreira, defeito, pecado ou dificuldade. Como Pai, Ele nos estimula a ser fortes e observa tudo o que nos acontece com aquela expectativa em ver Seus filhos vitoriosos. Falta a nós, porém, praticar aquilo que Ele mesmo tem ensinado através da Bíblia.

O melhor que posso fazer nesse estudo (além de orar) é buscar nas Escrituras a resposta para isso. Você verá adiante, três passos que o ajudarão a alcançar vitória sobre as armadilhas satânicas. Espero que essa experiência seja uma benção para você, assim como tem sido para mim.

II. Deus nos conhece, o diabo nos vê

Uma primeira certeza que temos como cristãos é a consciência e crença de que nosso Deus é o único Onisciente (tudo sabe), Onipotente (tudo pode) e Onipresente (está em todo lugar). Pelo seu poder fomos criados, salvos, curados, libertos. Sob seus olhos vivemos cada instante de nossas vidas, na sombra de suas “asas” encontramos proteção e em seus braços o aconchego e carinho de um Pai que nos ama acima de qualquer rebeldia.

“Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! Os filhos dos homens se refugiam à sombra das tuas asas.” (Salmos 36:7).

Mas talvez relevemos o fato de que, depois dEle (mas bem depois), Satanás é o maior conhecedor de nosso histórico de vida. Não que possua algumas das três características do nosso Senhor ou se eqüivale a Ele em algo, mas porque Satanás vive nesse mundo desde os princípios e tem acompanhado a humanidade em seus feitos desde então. A começar por Gênesis (do grego, que quer dizer ‘princípio’ ou ‘origem’), quando na forma de uma serpente convence Eva de que comer do fruto da árvore do conhecimento a faria “abrir” os olhos, ser como Deus e compreender o bem e o mal (Gênesis 3:1-7).

Ali, pela primeira vez na Bíblia, o anjo caído se manifesta à criação de Deus e malignamente faz com que o ser que havia sido feito à imagem e semelhança de seu Criador, caísse em pecado. Por essa legalidade, todos os pecados e desgraças foram surgindo como conseqüência de o homem ter afastado-se de Deus.

“Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:12-14).

Lúcifer (que em latim quer dizer ‘portador do archote/luz’ ou ‘estrela da manhã’) era um anjo com autoridade sobre os anjos de Deus, um líder. Era o ministro de música nos céus. Mas seu coração ensoberbeceu-se, ele desejou mais do que lhe era devido, ele não quis servir. Esse anjo desejou ser livre de Deus e ser seu próprio deus. A continuação dos versículos acima, revela o destino desse anjo:

“E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.” (Isaías 14:15).

E o vemos então na Bíblia, sendo chamado Satanás (que em latim significa ‘o que arma ciladas’ ou ‘inimigo’).

Não podemos ignorar, portanto, o fato de que por caminhar entre os homens antes mesmo de sermos criados, Satanás nos observa e tem como alvo desde o dia em que nascemos e acompanha nossas vidas observando cada passo em falso que damos, procurando uma brecha para arrombar a porta, nos destruir, roubar e matar (João 10:10).

Mas eis que vem Jesus, o Salvador, a estratégia perfeita de Deus, com seu nascimento (como homem) profetizado desde Gênesis 3:15 quando o Senhor declara que o filho (descendência ou semente, dependendo da tradução bíblica) da mulher, pisará na cabeça da serpente.

E nasce Cristo (do grego ‘Christôs’, que significa ‘ungido’, ‘sacerdote’, ‘rei’), vive em nosso meio, anuncia as Boas Novas, faz discípulos e então é preso (até aqui, vemos o Seu ministério). Depois é torturado, morto e sepultado (então vemos a consumação das 375 profecias a cerca de Sua vida e nossos pecados e enfermidades sendo levados sobre Ele). E por fim, ressuscita dentre os mortos (dando a vida eterna e soprando sobre os Seus com o Espírito Santo de Deus, o Consolador).

Por isso irmãos, a cada dia, a cada manhã, devemos nos entregar ao Pai, nos arrependendo de nossos pecados (Lamentações 3:22-23), convertendo-nos a Jesus novamente, agradecendo o Seu santo sacrifício por nós e pedindo o Seu renovo e revestimento.

III. Três passos para a vitória

Bom, até aqui temos uma visão de como as coisas estão e são em nossa realidade espiritual descrita na Bíblia. Vamos agora entrar especificamente nos pontos bíblicos que falam a respeito do triunfo sobre qualquer enfermidade espiritual que passamos.

Aos olhos das escrituras, vemos que a vitória sobre o pecado e a tentação vem pelo acontecimento de três etapas fundamentais, pelas quais sempre passamos, mas nem sempre reconhecemos. São elas:

1. Reconhecimento e arrependimento

2. Oração

3. Perseverança

Nenhum segredo para quem escreveu tanta coisa até agora. Mas é importante que tenhamos distinção entre esses três tópicos. Sem que consigamos perceber, paramos normalmente nos dois primeiros passos. Reconhecemos nossas falhas (1) e oramos ao Pai para que nos ajude (2).

De início, o Senhor nos reveste e cura, mas por tudo que vimos no capítulo II, o inimigo é astuto e certamente lançará seus dardos nessa mesma fraqueza. Nesse ponto, cabe a nós o discernimento para compreender a ofensiva maligna e perseverar em oração e resistência. O bom guerreiro só é conhecido no campo de batalha.

1. Reconhecimento e arrependimento

“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras.” (Apocalipse 2:5a).

Em primeiro lugar precisamos entender o quê está errado, qual é a nossa dificuldade. Isso não é difícil, em geral sabemos pelo quê temos orado e colocamos essa situação diante de Deus com freqüência. Mas algumas vezes ficamos confusos e como uma neblina espessa não enxergamos sequer a razão de nosso desespero. A única solução nesse caso é orar ao Senhor, pedindo a revelação do Espírito de Deus sobre a origem do problema, onde erramos para que nos sobrevenha essa tribulação, pois a Bíblia nos mostra que existem os pecados ocultos que cometemos sem ter entendimento, mas Deus sabe quais são.

“Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.” (Salmos 90:8).

Sabemos que nada somos ou temos de nós mesmo para oferecer a Deus e Ele não quer nada além de um coração devoto e apaixonado por Suas “coisas”. Uma alternativa é seguir a Palavra que diz para não sermos mornos, ou é bom ou é ruim, não existe meio termo, não há pecado menor ou maior. Seguindo a afirmação de Tiago 5:12 “…que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não….” podemos parar para refletir se o que temos feito é uma atitude aprovada por Deus. O que Jesus faria se fosse com Ele?

Podemos ver então esclarecidos os nossos erros e seguir a oração de Davi quando diz: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139:23-24).

2. Oração

Passamos pela primeira etapa, temos então que tomar nossa segunda atitude, chegar-nos a Deus com o coração aberto e clamar por sua ação em nós. O sangue derramado por Jesus já nos comprou dessa dificuldade, mas Deus quer ouvir essas palavras saindo de nossos lábios e o Espírito Santo intercederá por nós com Seus gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26).

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crônicas 7.14).

O Senhor fala a respeito do povo “que se chama pelo meu nome”, esses são a igreja, os que se dizem de Deus. Veja que é o Senhor chamando o Seu povo que deve corrigir os seus passos, mudar a direção do seu caminhar, deixando de lado as coisas más para se preocupar com a coisa boa: a presença do Pai. A Palavra está dizendo que se o povo de Deus:

a) se humilhar: prostrando-se diante de Deus, reconhecendo seus erros e sua pequenez.

b) e orar: falar com o Pai, clamando pela sua misericórdia.

c) buscar a Sua face: caminhar na direção dEle, procurando também a Sua presença, através da oração, leitura da Bíblia e convívio na igreja.

d) e se converter dos seus maus caminhos: deixar de andar na direção da morte e voltar a caminhar em direção à Vida, na prática das boas coisas.

Esse gesto cabe a nós e a conseqüência vitoriosa dele é bíblica. A partir daí diz que então Deus:

e) ouvirá dos céus e perdoará os nossos pecados: seremos alcançados pelas misericórdias do Senhor e Ele nos perdoará.

f) sarará a nossa terra: a “terra” aqui somos nós, seremos tratados pelo Senhor, onde havia um buraco, haverá uma cicatriz..

Estamos sarados, fomos curados e tocados pelo Senhor e agora se algum mal nos sobrevier, contamos com o poder de Deus nos guardando!

3. Perseverança

Agora sim entramos no ponto crucial, como disse anteriormente, os tópicos 1 e 2 são uma verdade rotineira em nossa vida e inconscientemente já os realizamos quando nos vemos diante de uma tormenta.

Mas além de dar o primeiro passo e entregar nossa causa nas mãos poderosas de Deus, cabe a nós dar um passo de perseverança. Precisamos guardar essa palavra e esses princípios para tê-los como premissas diante das lutas.

Em seu livro, Tiago diz: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem ter falta em coisa alguma.” (Tiago 1:2-4).

Isso quer dizer que as lutas sobrevêm aos servos de Deus como permissão do próprio Pai objetivando gerar força e poder em Seus filhos. Deus tem um objetivo específico e um plano especial na vida de cada um de nós e assim como fazemos em nossas profissões, precisamos ser reciclados em nossos conhecimentos e poder a cada dia, para uma formação madura e a realização das grande obras que Ele tem para a vida de cada um. Quanto mais buscamos ao Senhor, com intensidade e disposição, tanto mais teremos provas, como desafios e testes para alcançar o sonho do Pai para nós.

Existem casos de irmãos que estão presos nas garras do inimigo. Independente de seus pecados (lembremos que para Deus não existe pecado maior ou menor, uma mentirinha ou um homicídio tem a mesma “gravidade” aos olhos do Senhor) e em medida de desespero são chamados os irmãos ou o pastor da igreja para que orem com essa pessoa. A oração é feita, o poder é ministrado e derramado sobre aquela vida e no lugar da ferida fica a cicatriz operada pelo Senhor (como os versículos de II Crônicas 7:14 citados mais acima).

Para o inimigo que foi expulso de seu “abrigo” o que resta é um buraco tapado. Mas Satanás sabe que aquele pecado afligiu essa pessoa por muitos anos e certamente irá investir suas armas nesse sentido. Ora, ele pode ver a marca, a “cirurgia” acabou de ser feita, ainda deve haver um buraco, uma marca, ele vai tentar novamente.

Deus porém já operou e agora Ele espera que o filho tome uma atitude e lute contra essa enfermidade espiritual para que a vitória seja efetiva. Se nos rendemos com facilidade, estamos entregando os pontos e admitindo que somos mais suscetíveis ao fogo maligno do que ao poder divino que nos restaurou, afirmando que cremos mais nessa acusação do que na promessa de Deus. Porém, se nos posicionamos, repreendemos e não aceitamos isso sobre nós, passaremos talvez por mais uma, duas ou três batalhas e conquistaremos então a vitória completa, sobre a qual o inimigo certamente não prevalecerá.

O grande problema é que muitas vezes não perseveramos e quando o fazemos, não nos resistimos ao segundo e terceiro rounds, jogamos a toalha, choramos, reclamamos e voltamos para aquela situação lastimável, sem fé e sem ânimo.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7).

No artigo chamado “O avivamento e a intercessão” o Pastor Márcio Valadão faz uma observação muito sábia afirmando: “O caráter de Jesus não simplesmente nega ou cancela o caráter de Satanás, Ele o supera completamente. Cada característica de Jesus não é meramente o oposto das características de Satanás, porque… ‘Jesus está acima de tudo. Satanás está debaixo dos seus pés’”.

Sabemos portanto, dos três passos para a vitória e vimos as iniciativas que devem ser geradas primeiramente em nós, que são: arrependimento, oração e perseverança. É pela comunhão e busca a Deus que obteremos sensibilidade e sabedoria espiritual para dividir essas três etapas e deixá-las diante do altar do Senhor.

“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento”. (Tiago 1:5-6).

Assim como pelo conselho de Tiago, Salomão também foi um homem que pediu a Deus, acima de tudo, sabedoria para reinar sobre Israel e a Bíblia diz que não houve homem mais sábio nesse mundo.

De nós também deve partir o passo em direção à vitória, tomando posse do que Deus já fez em nossas vidas, lembrando a cada instante que o preço já foi pago, Jesus morreu e levou sobre si todos os nossos pecados, dores e enfermidades. Entregar a Ele o nosso fardo, em meio à batalha devemos louva-Lo, na dificuldade exalta-Lo bradando “Aleluia” (do hebraico ‘hallelu Yah’ que quer dizer ‘louvai ao Senhor’).

“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (II Coríntios 12:10).

“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19).