Super Herói

por Luiz Henrique Matos

Nossa televisão anda tão cheia de super-heróis. De todas as espécies, de todos os humores e inclusive nações. Eles vêm do Japão, dos Estados Unidos, da Europa… As crianças de hoje passam parte de suas manhãs dedicadas a sonhar e viver tais aventuras com esses personagens mascarados, que são capazes de enfrentar e vencer monstros e adversidades, sejam elas quais forem. Hoje, “adulto”, questiono o excesso de violência e o vocabulário dos desenhos que minha sobrinha assiste, lembrando dos heróis da minha geração.

Mas lembro também que o maior super-herói de um filho é seu próprio pai. Até muito tarde tinha no meu o maior exemplo que sempre pude ter (maior até que o Jaspion!). Meu pai sempre foi o meu grande herói, ele jogava futebol melhor do que qualquer um, ele era mais forte do que todos os meus coleguinhas (e que os pais deles também), ele sabia de tudo quanto eu questionasse sobre minhas lições, ele era rico porque sempre tinha um bolão de notas no bolso, ele podia comprar quantos doces quisesse (só não sabia porque não comprava), gostava de rock and roll, me ensinava a viver e ia me segurando pelas calças quando eu aprendia a andar de bicicleta sem rodinhas e também pela parte de trás da sunga quando me sustentava no mar para eu aprender a nadar.

Mas algumas vezes ele soltava minha cinta e até permitia que eu afundasse naquela água salgada, me forçando a fazer mais força para eu aprender a andar e a boiar. Isso me formava como… bicicleteiro e nadador. Meu pai-herói.

Com o tempo senti a desolação ao saber que meu super-herói de carne e osso não é um homem de aço vulnerável apenas a kryptonita, mas que seus super poderes são limitados e que ele também sofre, se preocupa, erra, ele chora quando seu time vence o campeonato e também quando seu irmão vem a falecer. Meu pai não é de aço, ele é como eu, só que aprendeu enquanto cresce, ele pedalou sem rodinhas e nadou sozinho com as ondas e foi me ensinando a fazer o mesmo.

Hoje eu cresci, casei e percebi que agora sou um pouco como ele e há alguns anos, pude conhecer um pai diferente. Descobri que fui gerado pela união de cromossomos desse meu pai (José) com minha mãe (Vera), mas que o sonho de minha vida nasceu no coração de outro pai, um Pai que não criou só a mim, mas também aos meus pais e os pais deles também. E que escreveu cada um dos nossos dias em um livro.

Esse Pai criou o futebol (porque não?), é mais forte e poderoso não só que meus coleguinhas, seus pais juntos e todos os seres desse planeta (uau!). Ele tem resposta para todos os meus problemas e dúvidas (que hoje já não são só os de matemática, mas alguns que o meu pai José também tem). Ele é rico, é dono de todo ouro e toda a prata. Anda cheio de trabalho, mas é capaz de parar tudo e se emocionar com um rock and roll, mesmo quando esse é insignificante diante do que merece, mas pode ver que é dedicado a Ele com todo carinho e amor.

Em tantas características esse Pai permitiu que o pai José fosse parecido. Talvez para que hoje pudéssemos entender essa relação Pai-filhos que Ele tanto ama. Ele nunca deixou nenhum dos Seus passar por aflição, nunca permitiu que ficássemos sem comer, sempre esteve ao lado de cada um, dando direção em todos os momentos, seja pedalando no asfalto da vida ou no nosso esforço em vencer a força das águas profundas que insistem em nos afundar.

E Ele até permitiu tantas vezes que passássemos por um “aperto” para crescermos em caráter, em maturidade, em alegria.

Imagino o meu pai quando tinha minha idade, com todas as dúvidas e questões que eu possa ter com relação à minha nova família (e ele já tinha dois filhos nessa idade!) e o amor com que o verdadeiro Pai olhou para ele pensando: “precioso e querido, acalme-se, você já se acha grande, mas Eu ainda vou te ensinar a andar”.

E quando me olho no espelho, penso que Ele me forma a cada dia, passo após passo, me preparando para ser o pai-herói daqueles que me dará como fruto desse casamento que aconteceu há pouco tempo e dessa família que nasce só agora para o mundo, mas que há tento tempo existe no coração dEle.

Temos sim Super Herói e Ele não está na televisão pela manhã, tampouco existe kryptonita que possa vence-Lo. Nosso Herói é Deus, que provou todo o Seu amor, entregando Seu Filho unigênito à morte em nosso lugar. Obrigado Papai!

Mas cuidado, não machuquem meu filho…

por Luiz Henrique Matos

Antes de iniciar, é necessário que repassemos uma passagem bíblica. O trecho é de 2 Samuel, dos capítulos 13 a 19, que conta a história de Absalão, filho do rei Davi.

O texto começa contando a história de Amnon e Tamar (irmã de Absalão), ambos filhos de Davi, só que de mães diferentes. Amnon sente-se atraído por Tamar. Em certa altura a força a deitar-se com ele e em seguida a rejeita. Absalão, sabendo da tragédia, mata Amnon e foge de Jerusalém ficando por três anos longe de casa. Seu pai fica desolado.

Absalão revolta-se, e por quatro anos organiza um exército com o objetivo de tomar o trono. Certo dia envia seus homens às tribos dizendo: “Quando ouvirem o som das trombetas, anunciem: ‘Absalão reina em Hebrom’”. Assim foi conquistando o povo de Israel, até que já era anunciado como rei. Sabendo do que acontecera, Davi e seus homens fogem com receio de morrer. Absalão toma Jerusalém.

Não satisfeito trama um jeito de matar Davi, mas um servo do rei ouvindo o que estava sendo planejado o avisa. Davi foge novamente, organiza seu exército para a batalha mas dá um recado muito claro a seus homens: “E o rei deu ordem a Joabe, a Abisai e a Itai, dizendo ‘Tratai brandamente, por amor de mim, o mancebo Absalão’” (2 Samuel 18.5a.). Saem então os homens de Davi e derrotam o exercito de Israel.

Durante a batalha, Absalão segue montado num mulo mas enrosca-se em uns galhos de carvalho, o animal então vai embora e ele fica ali pendurado. Vendo isso, um dos servos de Davi avisa a Joabe, que toma três dardos e traspassa o coração de Absalão. Depois disso, dez jovens soldados o ferem e matam (contrariando a ordem de Davi).

Davi está em seu acampamento quando vê chegar o mensageiro que o informa sobre o fim da batalha. Ele pergunta sobre seu filho mas esse não sabe lhe responder. Outro mensageiro chega e Davi mais uma vez pergunta sobre Absalão e esse responde que assim como todos os inimigos do rei, ele morrera. E a Bíblia diz que “a vitória se tornou em tristeza”.

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Agora sim podemos entrar no assunto dessa mensagem.

Repare que além de todas as preocupações com seu reino, Davi preocupou-se primeiramente com a vida de seu filho Absalão. Não importava para ele o que o rapaz tramou contra sua vida. Seu filho, sangue de seu sangue o traiu e perseguiu com o intento de matá-lo e ainda assim ele o amou.

Em outra passagem, a Bíblia nos diz que Davi foi um homem “segundo o coração de Deus”, ou seja, ele tinha intimidade suficiente com o Senhor para viver segundo a Sua vontade. Pensando dessa forma, vejamos por um instante o coração de Davi. Ele amou o seu filho acima de toda maldade ou rebeldia que ele possa ter demonstrado. Ele pediu a seus homens que por amor a ele, não maltratassem seu filho. E chorou quando soube que ele morreu.

Maior do que a vitória sobre um exército rebelado, maior do que voltar ao trono em Jerusalém como rei sobre Israel, era a tristeza de um pai pela morte de seu filho.

Veja bem, a chave dessa reflexão não está na guerra, no trono, na batalha, mas está sim, no amor. Veja que acima de todo mal que possa haver nesse mundo e de toda rebeldia que possa haver no coração do homem, há um PAI que olha com carinho para Seus filhos e pede a seu exercito que cuide bem deles.

Quando o pecado em nossas vidas abre as portas para morada do inimigo, Deus vê nossos corações como Davi viu Israel ser dominada pelo exercito adversário de forma gradativa. Quando tiramos de nossas vidas o Rei que governa, permitimos que o traidor tome nossa Jerusalém (coração) e comece a destruir a obra que o Pai havia edificado. Então escancaramos as portas da cidade para mal.

Mas se resta uma janela, uma pequena fresta para que o Rei volte a governar (e isso vem pelo reconhecimento de nossos erros), então o Senhor ordena a Seu exército que venha, derrote o inimigo e tome novamente aquele que Lhe pertence. Mas Ele sempre ressalva “tome cuidado, trate bem do Meu filho”.

Para o Pai amoroso, de nada adianta derrotar todo principado e potestade que tem nos dominado, se Ele não pode ter de volta as nossas vidas em Suas mãos. Se pertencemos a Deus, somos Sua terra, somos Seu reino e nossas vidas serão preenchidas e governadas por Ele.

Abramos as portas dos nossos corações para a morada maravilhosa do Rei e vamos experimentemos tempos grandiosos de bênçãos e alegria, vivendo segundo o Seu coração.