Pequenas causas

por Luiz Henrique Matos

Conselhos de Pai

Como podemos chamar ordens, leis a qual temos o livre arbitrio para seguir? Talvez pudessemos nos guiar pela definição de “conselhos” ao que chamamos de mandamentos. O Senhor, como um Pai afetuoso, nos permite escolher o caminho certo e nos ajuda a seguir por suas veredas perfeitas.

Entre, a casa é Sua!

Precisamos convidar a Deus para fazer parte de nossas vidas assim como ansiamos pela presença de um familiar ou amigo querido. Vamos abrir as portas da casa (nós) para que Deus seja não só um visitante esporádico, mas um morador bem vindo. Lembremos sempre: os inquilinos somos nós!

O servo

Devemos colocar-nos em nossos lugares e parar de pensar e tentar agir no lugar de Deus. Deus é Deus e Ele já tem os seus planos bem definidos para cada um de nós. Não é pelo fato de sermos filhos ou servos que podemos nos sentir no direito de fazer algo “por” Ele. Devemos cumprir somente o nosso papel e fazer “para” Ele.

Deus vivo

Deus sabe o que faz e porquê o faz em sua gloriosa presença e condição, seja de Criador (Pai), Salvador (Filho) ou Consolador (Espírito Santo). O que precisamos entender é que cada uma dessas características da Trindade Divina não é algo passado e esquecido nas histórias antigas da Bíblia. Muito pelo contrário, Deus em suas três naturezas e da mesma forma a sua Palavra são condições vivas, reais e eternas, sobre os quais estão fundamentadas toda a nossa existência.

Regime?

por Luiz Henrique Matos

Nessa semana resolvi emagrecer. De uns tempos pra cá tenho sentido uma certa massa se desenvolvendo sobre a região abdominal de meu corpo e resolvi dizer a ela que não era bem vinda. Tentei exclamar um “queima Jesus!” mas de certo não adiantou. Desde então, tenho sacrificado minha voracidade por gorduras, calorias e excessos (bem, ainda estou em adaptação e confesso minhas fraquezas e desvios, como a atual ressaca de um pastel de pizza – coisa de paulista – ingerido noite passada). Parar de comer o que gostamos é lamentável, é doloroso e difícil. Reconheço que me sinto mal ao recordar o que não posso comer, até porque só de lembrar, essas delícias já me abrem o apetite.

Durante o mês passado também estive me limitando de certos pratos. Por uns dias parei com refrigerantes, por outros cortei a carne vermelha e durante outros tantos, me recusei a tomar cafés depois das refeições. A situação era outra e um tanto mais nobre, estava em jejum ao meu Deus, orando a Ele por certas “causas”. Ainda nesses dias aprendi algo importante, me lembrei da minha condição de filho pidão (que pede, pede, pede) e esqueci do meu verdadeiro propósito nessa vida (servir e adorar a Deus). Parei para refletir se eram realmente aquelas causas mais importantes do que a busca pela face do Senhor, pelo seu mover em minha vida, pelo seu toque, sua presença… cheguei a uma óbvia conclusão: não, elas não eram mais importantes. Minhas necessidades ele conhece e supre de antemão, mas minha fé deve ser praticada dia a dia.

“Buscai antes o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.” (Lucas 12.31).

Somos capazes de passar um mês ou dois cortando gorduras, frituras, refrigerantes… mas nenhuma causa nos parece grande o suficiente para uma consagração em jejum. Olhamos somente para os nossos umbigos (eu olhei para o meu e além de perceber que sou um egoísta notei que ele – o umbigo – avançara alguns centímetros adiante, daí a atual dieta). Quando o objetivo é alimentar nossa vaidade ou cuidar do que parece visível, fazemos sacrifícios e enfrentamos tantas lutas quanto for necessário. Mas quando passamos por provações que sabemos pela Bíblia, produzem em nós perseverança e crescimento espiritual (invisível), insistimos que Deus já não ouve nossas orações e que Ele pode não ser tão fiel quanto pensamos.

Bom, que desde já fique claro uma coisa, não estou aqui reduzindo a relevância do jejum em momentos críticos, sabemos pela própria Bíblia que Deus se importa sim com isso. Para tanto, veja alguns exemplos retirados das escrituras:

“(mas esta casta de demônios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.)” (Mateus 17:21).

“Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e, recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra.” (II Samuel 12:16).

“Em todas as províncias aonde chegava a ordem do rei, e o seu decreto, havia entre os judeus grande pranto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos se deitavam em saco e em cinza.” (Ester 4:3).

Acontece que por teimosia, insistimos no jejum como uma troca, uma forma de “merecer” de Deus algum favor ou que sendo nós sofredores desse sacrífício, também nos tornamos dignos de Sua compaixão. Ora, o sacríficio já foi feito, em uma cruz cerca de dois mil anos atrás, caso contrário estaríamos queimando cordeiros em holocausto até hoje. Paulo escreve em sua carta aos Efésios (capítulo 2): “estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”. Graça é um favor imerecido, portanto, não há maneiras de convencer a Deus. Se tem sido essa a razão de seu jejum, digo que deixou de comer coisas muito gostosas em vão.

“Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (Mateus 6:25a).

Esse versículo ajuda no regime (…minha vida é mais importante do que aquele sundae de chocolate…). Mas, em outro ponto, temos aprendido que não adianta nos entregarmos em jejum diante de Deus se nossas vidas e corações estão voltados para a benção (resposta) e não para o abençoador (dono da providência). Quando jejuamos, separamos essa parte de nossas vidas para dedica-la ao Senhor e “separação” e “dedicação” são justamente definições para um termo bastante comum para cristãos: consagração.

Vamos ao Aurélio! No dicionário vemos que a palavra “consagrar” vem do latim “consacrare” e tem dentre seus significados: “Tornar sagrado; Dedicar ou oferecer a Deus; Oferecer por culto ou voto; Oferecer afetuosamente, dedicar; Dedicar-se, dar-se.”

Dessa forma então, não há jejum sem consagração, ou melhor, um é também o outro nessa situação. Não podemos nos “separar” para o Senhor e continuar em pecado. Lembrando também que separação espiritual, constitui-se por santificação, purificação e outras tantas qualidades atreladas. Mais importante do que o alimento ou atividade que cortamos em jejum (sacrifício) é a busca e louvor a Deus que decorrem disso (oração). No livro do profeta Isaías, vemos uma bela definição a esse respeito:

“Seria esse o jejum que eu escolhi? O dia em que o homem aflija a sua alma? Consiste porventura, em inclinar o homem a cabeça como junco e em estender debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isso jejum e dia aceitável ao Senhor? Acaso não é este o jejum que escolhi? Que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? E que deixes ir livres os oprimidos, e despedaces todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desamparados? Que vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará. E a tua justiça irá adiante de ti; e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.” (Isaías 58:5-10).

Deus não liga para o nosso estômago roncando, para o chocolate que rejeitamos, não liga para a picanha (humm… mal passada, gordura crocante, na brasa, no espeto!), tampouco para o refrigerante que deixamos de beber. Esse é um gesto simbólico, onde mostramos a Ele que estamos nos separando fisicamente do que nos atrai nesse mundo. Mas existem tantas outras coisas mais graves nesse mundo que nos atraem (pecados) e o jejum que devemos praticar antes de qualquer outro é o de nos separarmos da iniquidade, da sujeira, da maldade. Ao que, de fato, nosso Pai não resiste, é um coração quebrantado, isso sim, move os ouvidos dEle em nossa direção.

“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51:17).

Levante a cabeça, você é filho de Deus!

por Luiz Henrique Matos

Em quantos momentos de sua vida, você parou e pôde sentir que naquele exato instante Deus estava ali olhando para você? Um exemplo óbvio, em nossas orações, quando estamos em nossa intimidade com o Pai, nos derramando e declarando à Ele tudo o que se passa conosco (como se Ele já não soubesse). Em momentos como esse podemos sentir que o Deus poderoso, que criou tudo e todos, desde Adão até o nosso cachorro de estimação, está ali olhando para nós, ouvindo cada palavra que expressamos.

Davi diz que Deus se inclina para ouvir a nossa oração (Salmos 116:2). Paulo diz que não sabemos orar e por isso, o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26). Há poucos dias ouvi um pastor dizer: “Muitas vezes, entre dois amigos, o silêncio já diz muita coisa”. Intimidade com Deus, independente de como ou o quê falamos, Ele nos ouve, nos sustenta, afaga e diz: Filho “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Isaías 41.10).

Somos chamados por Ele de filhos! Desde aquele momento, em que ouvimos, lemos ou simplesmente lembramos de Jesus Cristo sendo sacrificado naquela cruz para nos livrar de nossos pecados, nós o reconhecemos como nosso Salvador, como caminho verdadeiro para a vida eterna.

“Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:12-14).

Jesus Cristo nos salvou. Quanto já não ouvimos isso desde que entramos em uma igreja? Mas quantas vezes, de fato, reconhecemos isso a cada dia? Não falo apenas de quando pecamos conscientemente e “ajudamos” a pregar mais fundo aquela estaca que o segurava na cruz. Falo também de quando deixamos a incredulidade tocar nossas vidas esfriando assim o nosso coração, quando a leitura da Bíblia nos parece um sacrifício, quando nossas orações estão sem aquele calor e tranquilidade por saber que nosso Pai está ali nos guardando sob suas asas.

Há poucos dias eu estava seco, meu coração estava frio, minhas orações não tinham sentimento, eu não conseguia adorar a Deus com meus lábios, simplesmente me ajoelhava e declarava para o assoalho do meu quarto (sim, porque eu não poderia estar dizendo aquilo para Deus) que vivia dificuldades, que tudo me parecia tão difícil e inclusive, eu chegava a não acreditar nEle. Me levantei e fui dormir. Na manhã seguinte acordei e pensei sobre isso, senti a voz do Espírito em meu coração dizendo “você já se converteu hoje?”. Como assim me converter!? Pôxa vida Deus, o que o Senhor está falando? Tô aqui nessa dureza e o Senhor vem me falar em conversão?! Achei que Deus tinha errado de Henrique.

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17).

Instantes depois eu estava quebrantado, reconhecendo e me lembrando que a minha conversão, assim como a de todos, se deu e dá através do arrependimento de nossos pecados. A Bíblia nos diz que a cada dia as misericórdias do Senhor se renovam sobre nós e, diante disso e da mesma forma, a cada dia devemos nos arrepender e confessar nossos pecados a Deus. Ora, do que se trata isso se não de minha conversão! Naquele momento eu orava dizendo: “Pai, hoje eu quero reconhecer a Jesus como meu salvador, de novo, todos os dias”.

“O Senhor está no seu santo templo, o trono do Senhor está nos céus; os seus olhos contemplam, as suas pálpebras provam os filhos dos homens.” (Salmos 11:4).

Não sei de onde você lê esse texto mas eu estou no escritório e a minha frente vejo uma janela, fico no décimo andar de um prédio na capital do estado e daqui posso observar um panorama dessa cidade. Algumas construções sendo levantadas, outras já bastante degradadas, arquitetura moderna, casas, poucas árvores, um céu nublado que sempre ameaça com uma garoa. Lá embaixo, vejo um dos “ícones” dessa cidade, um rio sujo, poluído e sem vida que dá nome ao bairro onde trabalho.

Sujos, poluídos e sem vida… assim nos sentimos muitas vezes. E teimamos em achar que nossa vida está envolta em um mar de injustiça, culpamos a Deus pela nossa desgraça e pecamos ao pensar que Ele se esqueceu de nós. Mas somos nós quem nos esquecemos que nosso Pai nos permite passar por provas (veja o caso de Jó) e que a única finalidade dEle com isso é proporcionar o nosso crescimento.

Ouvi uma história vivida pela minha esposa. Nós ainda não nos conhecíamos, era cedo, ela estava chegando ao trabalho e atravessava o andar do prédio. Andava cabisbaixa, com o corpo curvado para frente. Naquele momento uma senhora cristã, que era sua cliente, caminhava em sua direção. Ao passar por ela, tocou-lhe por baixo do queixo e disse: “Levante a cabeça, você é filha de Deus”.

“E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança.” (Romanos 5:3-4).

Filhos ou filhas, devemos ter a consciência plena de uma coisa, que Deus nos conhece por inteiro, tudo o que temos, tudo o que somos, o nosso ínterior. Ele sabe todas as coisas, Ele nos olha com olhos de amor (sempre) e não permitirá que nada nos ocorra para o mal. Aliás, como afirmou o apóstolo Paulo em sua carta à igreja de Roma: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28).

Existe um jargão que classifica a nossa fé, “crentes”. Simplesmente porque cremos em Deus, cremos na vida eterna, na salvação através de Cristo, na Palavra santa escrita, nos mandamentos, na Verdade.

Outro termo, “evangélicos”. Evangélicos porque praticamos o Evangelho, palavra essa que quer dizer Boas Novas. Na Bíblia existem as Boas Novas de Jesus segundo Mateus, Lucas, João, Marcos. Como praticantes e disseminadores dessas boas novas de Cristo (Marcos 26), devemos viver nossas vidas dando exemplo e nos movendo nesse Evangelho. Existe um poema do século XVIII que explica melhor o que quero dizer, veja abaixo:

“É uma maravilhosa história, esta do evangelho de amor,

Como o brilho da divina vida de Cristo.

Oh! Que sua verdade possa ser contada novamente

Na história de sua vida e na minha!”

“Você está escrevendo a cada dia uma carta às pessoas;

Cuide para que o escrito seja verdade.

É o único evangelho que alguns homens lerão,

Este evangelho segundo você.”

Uma outra observação, não mais um jargão mas uma expressão que nos identifica desde a igreja primitiva (Atos 11:26), somos chamados Cristãos. A palavra Cristo significa “aquele que é ungido do Senhor”.

Irmãos, deixemos de lado nossa religiosidade e vamos à prática do evangelho de Jesus, seguindo Seus passos e crentes em Sua existência e manifestação sobre nós. Independente de tribulações, acusações e setas, temos um Deus forte e guerreiro à nossa frente e que nos consola com Sua presença e palavra.

“Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado.” (Salmos 55:22).

“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” (Mateus 11:30).

Levante a cabeça, você é um filho de Deus!